Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros (Ben Franklin)
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Accionistas do BCP, EDP, Portugal Telecom, REN e Zon podem seguir os passos do LaCaixa no BPI
obrigatória sobre 100% do capital do BPI por parte da La Caixa, em
virtude da ultrapassagem do limiar de um terço dos direitos de voto
correspondentes ao capital social do banco de Ulrich, promete abrir um
precedente na praça portuguesa para todos os investidores que queiram
aumentar a sua participação até 50% no capital de uma empresa. Desde
logo porque, tal como sucedeu com o BPI, são muitas as companhias do
PSI 20 a apresentarem nos seus estatutos uma blindagem aos direitos de
voto dos accionistas, ao mesmo tempo que cresce o interesse por parte
de alguns dos accionistas dessas companhias em aumentarem a sua
posição para além do limite exigido pelos estatutos. É o caso da
Sonangol no BCP, que desde há muito tem revelado um interesse em
reforçar a sua posição no maior banco privado português. Porém, como
os estatutos do BCP limitam os direitos de voto dos seus accionistas a
20% do capital do banco, a intenção dos angolanos tem ficado em "águas
de bacalhau". Algo que pode mudar com esta decisão da CMVM, que abre
um precedente. A partir de agora, um accionista que ultrapasse os
33,3% do capital de uma cotada que tenha limitações ao exercício do
direito de voto poderá ter um forte argumento jurídico para, tal como
o La Caixa, pedir autorização para não ter de lançar OPA.
Além do BPI e do BCP, existe ainda um conjunto de empresas do PSI 20
que podem ser visadas directamente por esta "caixa de Pandora". Entre
essas companhias figuram a Portugal Telecom, que apresenta uma
blindagem dos direitos de voto a 10% do capital, a EDP, que
recentemente reviu o limite de votos de 5% para 20%, e a REN, que na
última assembleia-geral de accionistas reviu o limite de votos para
25% do capital como forma de preparar a empresa para a entrada da
State Grid e da Oman Oil na estrutura accionista da companhia. Além
destas empresas, há ainda a Zon, que apesar de ter eliminado a
blindagem de estatutos na última assembleia-geral de accionistas,
realizada a 30 de Janeiro, os seus regulamentos continuam a limitar os
direitos de voto a 10% do capital para investidores concorrentes.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Banco de Espanha propõe índice alternativo à Euribor para crédito à habitação
referência para o crédito à habitação, a cinco anos, que substitua a
indexação destes contratos à Euribor e considerado mais estável em
tempos de crise.
O Banco de Espanha pôs hoje em consulta pública um novo índice de
referência para o crédito à habitação, a cinco anos, que substitua a
indexação destes contratos à Euribor e considerado mais estável em
tempos de crise.
Este índice, conhecido pela sigla IRS (Interest Rate Swap), reflecte o
preço do dinheiro para um período mais longo do que as tradicionais
taxas da Euribor. Em Espanha, de acordo com a notícia da Efe, a taxa
Euribor a um ano é a mais usada nos contratos do crédito à habitação.
Em Portugal, a Euribor a seis meses é o principal indexante.
Segundo o Banco de Espanha, esta nova referência irá ajudar aqueles
que preferem contratar uma hipoteca com taxa fixa de modo a dar mais
estabilidade às prestações mensais. Para o banco também é uma
vantagem, permitindo-lhe antecipar com mais segurança os rendimentos.
Como desvantagem, está o facto de este ser um índice de longo prazo
(cinco anos), pelo que significa que deverá estar normalmente acima
das taxas Euribor. Logo, implica prestações mais caras.
Este projecto do Banco de Espanha está em consulta pública até 9 de Maio.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Nacionalização da YPF na Argentina
Espanha ainda tem muito a perder se alinhar nesta estratégia. Ora,
vejamos:
- Telefónica: a operadora tem 21,9 milhões de clientes no mercado
argentino e uma quota de 29,8%. No passado dia 2, a Telefónica foi
responsável por um 'apagão' da rede fixa e móvel que atingiu 16
milhões de pessoas. O episódio foi recordado pela presidente Kirchner
durante o anúncio da nacionalização para estender o aviso às empresas
estrangeiras, sobretudo "telefónicas ou bancos".
- Santander: O banco Santander Rio é o maior privado do país com 385
balcões, mais de 6.700 funcionários e 2,5 milhões de clientes. O
mercado representa 3% dos lucros do Santander.
- BBVA: o banco espanhol, com 4.844 funcionários, controla 76% do BBVA
Banco Francés. Em 2011 teve resultados de 315 milhões.
- Endesa: desde Abril de 2011 que a interconexão entre Brasil e
Argentina está a receber uma remuneração regulada. O resultado
operacional da filial atingiu 118 milhões em 2011.
- DIA: a Argentina é o quarto maior mercado para o grupo de
distribuição, representando 7,4% das vendas da cadeia ou 870 milhões
de euros.
Como irão reagir as cotações destes títulos nos próximos meses em
função desta "guerra" entre Espanha e Argentina?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Crédito malparado em Espanha sobe para 8,15% valor mais elevado em 18 anos
empresas e famílias atingiu 8,15% em Fevereiro, o valor mais elevado
desde Maio de 1994.
Dados provisórios publicados hoje pelo Banco de Espanha explicam que o
rácio de crédito em morosidade (como é definido em Espanha) aumentou
duas décimas em Fevereiro, um crescimento menor do que nos meses
anteriores.
Ainda assim, ete aumento é o oitavo crescimento mensal consecutivo
deste indicador que ocorre depois da queda ligeira verificada em Junho
do ano passado, quando passou de 6,48 para 6,41%.
sábado, 14 de abril de 2012
Crise obriga senhorios a baixar rendas
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Bancos espanhóis passam a aceitar entrega de casas para saldar dívidas
todos os bancos espanhóis aderiram ao código de boas práticas
bancárias lançado pelo executivo de Rajoy. A lista oficial das
entidades que aderiram ao novo código foi ontem publicada em Espanha,
e engloba 89 entidades financeiras. Entre as medidas contempladas
encontra-se a possibilidade da entrega do imóvel ao banco ser
suficiente para saldar a dívida contraída com o crédito à habitação.
Até agora, e tal como continua a acontecer em Portugal, a dação em
pagamento permitia apenas saldar a parcela correspondente ao valor de
avaliação do imóvel. Ou seja, se o valor em dívida fosse de 100.000
euros e o imóvel entregue fosse avaliado por 80.000 euros, cabia ao
consumidor continuar a saldar posteriormente os 20.000 euros em falta.
Regras insustentáveis para muitos consumidores, especialmente em
Espanha, um dos países mais afectados pela bolha imobiliária. Desde a
falência do Lehman Brothers, os preços dos imóveis corrigiram mais de
20% em Espanha.
Porém, esta medida não é extensível a todos os clientes que não
consigam saldar as suas dívidas. As novas facilidades estão
dependentes de um conjunto de condições como: todos os membros do
agregado familiar em idade activa devem encontrar-se em situação de
desemprego; o valor de avaliação do imóvel deve ser superior a 60% da
dívida por saldar; o imóvel tem de estar registado junto do banco como
primeira e única habitação; e o seu preço de mercado não pode exceder
os 150.000 euros.
Para quando uma medida semelhante em Portugal?
quinta-feira, 12 de abril de 2012
A evolução do preço do risco de França e Alemanha
dúvidas que o alvo seguinte será França.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Reestruturação da dívida das autarquias
maturidades dos empréstimos, mas não impondo perdas de capital ao
credores. Esta é a posição do Governo que, além disso, associa a
reestruturação à linha de financiamento destinada às câmaras que vem
sendo prometida pelo Executivo há vários meses, e com a qual espera
conseguir transformar os prazos das dívidas.
Já agora, como serão negociados os novos juros dos empréstimos?
terça-feira, 10 de abril de 2012
Criação de programas abrangentes para reestruturar a dívida das famílias
Num dos capítulos do 'World Economic Outlook' hoje divulgados, o FMI dedica a sua atenção ao endividamento excessivo das famílias, considerando que as crises no sector imobiliário e recessões antecedidas pelo elevado endividamento das famílias são mais prolongadas e mais severas. Na análise, o FMI diz ser possível minimizar a contracção na actividade económica através de programas ousados para resolver este problema.
O fundo diz ainda que em crises com estas características, a queda no consumo privado e no Produto Interno Bruto (PIB) é substancialmente maior, o desemprego aumenta mais e a queda na actividade económica persiste durante pelo menos cinco anos. A análise cita dados que apontam para um crescimento do endividamento das famílias em função do seu rendimento de 99 para 138 por cento nos cinco anos que antecederam o eclodir da crise financeira em 2007, tendo em alguns casos (Islândia, Dinamarca, Irlanda, Holanda e Noruega) passado a representar o dobro do rendimento.
As políticas dos Governos com o objectivo de reduzir o nível de dívida das famílias em função dos seus activos e o serviço de dívida em função da capacidade das famílias de efectuar o seu pagamento podem -- com um custo orçamental limitado -- mitigar substancialmente os efeitos negativos da desalavancagem do sector privado na actividade económica. Em particular, programas ousados e bem desenhados de reestruturação de dívida das famílias, como os implementados nos EUA na década de 30 e na Islândia actualmente, conseguem reduzir significativamente o número de insolvências dos particulares e de apreensões das casas", escreve o FMI.
Os princípios são iguais para os casos terem sucesso: os programas têm de ser abrangentes, conter incentivos à participação de bancos e famílias, um setor financeiro forte e bem capitalizado e ainda que as famílias elegíveis a participar nestes programas tenham uma elevada probabilidade de voltar a colocar esse 'dinheiro' na economia.
No caso da Islândia, o mais recente com sucesso, os bancos que sobreviveram à crise acabaram por comprar as hipotecas no mercado ao preço justo (já com perdas assumidas) promovendo assim incentivos para renegociarem com as famílias com endividamento excessivo.
A Escandinávia na década de 90 surge como um exemplo não tão bem sucedido, porque estes países viram a sua dívida pública aumentar consideravelmente. A perda de emprego e consequente retirada de dinheiro à economia acabou por ser mitigada por uma grande volume de transferências de prestações sociais (caso do subsídio de desemprego e outros apoios automáticos) que nestes países são mais elevados e abrangentes que noutros países europeus, por exemplo.
As conclusões do FMI é que estes programas podem ter sucesso a evitar quedas maiores na actividade económica, e caso sejam bem desenhadas e com alvos específicos, podem alcançar resultados com custos orçamentais muito limitados. "Estas políticas são particularmente relevantes para economias com uma capacidade limitada para adoptar políticas macroeconómicas expansionistas e em que o sector financeiro já tenha recebido apoio financeiro público", escreve o fundo.
Divulgação de resultados das empresas do PSI 20
| Empresa | Resultados 2011 | Resultados 2010 | Var |
| Altri | 22,6M€ | 62,0M€ | -64% |
| BCP | -786,2M€ | 344,5M€ | -328% |
| BES | -108,8M€ | 556,9M€ | -120% |
| BPI | -203,9M€ | 184,8M€ | -210% |
| Brisa | -82,2M€ | 778,5M€ | -111% |
| Cimpor | 198,0M€ | 241,8M€ | -18% |
| EDP | 1125,0M€ | 1079,0M€ | 4% |
| EDP Ren. | 89,0M€ | 80,0M€ | 11% |
| ESFG | 121,4M€ | ||
| Galp | 251,0M€ | 306,0M€ | -18% |
| JM | 340,0M€ | 281,0M€ | 21% |
| Mota-Engil | 33,4M€ | 37,0M€ | -10% |
| Portucel | 196,3M€ | 210,6M€ | -7% |
| PT | 339,1M€ | 5672,2M€ | -94% |
| REN | 120,6M€ | 110,3M€ | |
| Semapa | 124,2M€ | 126,7M€ | -2% |
| Sonae - SGPS | 103,0M€ | 192,0M€ | -46% |
| Sonae Ind. | -58,0M€ | -74,0M€ | -22% |
| SonaeCom | 63,0M€ | 41,3M€ | 53% |
| ZON Multimédia | 34,2M€ | 35,4M€ | -3% |
| Soma | 1801,1M€ | 10266,0M€ | -963% |
Crédito malparado
máximos em fevereiro, aumentando em 746 milhões de euros. No total os
empréstimos em incumprimento já totalizam os 13,2 mil milhões de
euros, ou seja, superior a 5%.
O crédito malparado às empresas atingiu em fevereiro 8285 milhões de
euros, mais 651 milhões de euros do que em janeiro, tocando o valor
máximo desde que o Banco de Portugal começou a compilar estes dados
(1997).
Já o crédito de cobrança duvidosa das famílias aumentou 95 milhões de
euros entre janeiro e fevereiro para se fixar em 4872 milhões de
euros, também neste caso o valor mais elevado desde 1997, o que faz
com que, nos dois primeiros meses do ano, o crédito de cobrança
duvidosa às famílias e às empresas tenha tido um aumento de 746
milhões.
O crédito à habitação representou em fevereiro 44,51% do crédito
malparado das famílias, depois de ter aumentado 23 milhões de euros
face a janeiro, fixando-se nos 2169 milhões de euros.
Já o malparado no crédito a bens de consumo aumentou 40 milhões de
euros entre janeiro e fevereiro para 1549 milhões de euros, enquanto o
crédito de cobrança duvidosa para outros fins cresceu 30 milhões para
1155 milhões de euros em fevereiro.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/mais-746-milhoes-em-credito-malparado=f717867#ixzz1rcwQJUUE
segunda-feira, 19 de março de 2012
Recovery Value da dívida grega
leilão dos mais de 4000 contratos de credit default swaps ligados à
dívida grega que fixará uma taxa de recuperação dos títulos gregos. Um
primeiro valor será anunciado às 11h e um valor final pelas 15h30,
depois da segunda sessão de leilão à tarde.
O mercado dos credit default swaps (seguros financeiro contra o risco
de incumprimento, acrónimo cds) procede hoje a um leilão em que estão
envolvidos 4369 contratos com um valor líquido de 3,18 mil milhões de
dólares (os cds estão denominados em dólares) relacionados com a
dívida grega, segundo os dados de 9 de março do Depository Trust &
Clearing Corporation (os últimos dados disponíveis), a entidade
norte-americana de compensação que regista o valor nocional bruto e
líquido destes derivados financeiros.
O leilão fixará uma taxa de recuperação dos títulos gregos que
determinará o valor a pagar aos detentores dos cds. Os resultados
serão anunciados no site Creditfixings.com, que é gerido pela Creditex
e pela Markit.
Recorde-se que na reestruturação de dívida grega nas mãos de privados
que ocorreu este mês, os detentores dos títulos receberam 23 cêntimos
por cada euro, desdobrados em 15 cêntimos em títulos do Fundo Europeu
de Estabilização Financeira e 8 cêntimos em novos títulos a 30 anos
(que foram trocados valendo 31,5% do valor facial dos velhos títulos),
segundo cálculos do The Wall Street Journal. Neste caso, a taxa de
recuperação foi de 23%. A perda global foi de 77%.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cds-gregos-vao-hoje-a-leilao=f712802#ixzz1pYjLhBJD
sexta-feira, 16 de março de 2012
Banco de Portugal quer reanimar o mercado interbancário
Têm sido promovidos alguns contactos a nível técnico com os bancos
residentes no sentido de analisar vias possíveis de reactivação do
Mercado Monetário Interbancário. Numa altura em que falta liquidez ao
sistema bancário e persiste a desconfiança entre as instituições, o
organismo liderado por Carlos Costa quer contornar o problema e
fomentar a circulação de recursos dentro do mercado nacional.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Reino Unido prepara emissão de obrigações a 100 anos
originalmente lançado para pagar os custos da I Guerra Mundial.
O Reino Unido prepara-se para lançar obrigações com prazo de
maturidade de 100 anos e poderá mesmo testar o apetite dos
investidores por títulos perpétuos, de modo a tirar proveito das taxas
de juro historicamente baixas que actualmente são exigidas para
financiar o Estado e as políticas públicas britânicas.
Com défices de dois dígitos e dívidas públicas a caminhar para os
três, o contexto actual de endividamento remete para o de períodos de
guerra nalguns países desenvolvidos. No caso do Reino Unido, a dívida
pública ascende a 64% do PIB, valor que sobe para quase 150% quando se
tem em conta as intervenções estatais no sistema financeiro,
designadamente no Royal Bank of Scotland e no Lloyds. O défice no ano
passado ter-se-á elevado a 11,7%.
Não obstante apresentar uma situação financeira muito deteriorada, no
mercado secundário de dívida pública as "yields" britânicas estão hoje
a variar entre 0,5% (prazo de um ano) e 3,3% (prazo de 30), o que
fornece uma indicação aproximada do baixo custo de financiamento que
está a ser suportado pelo Reino Unido. Segundo adianta o FT, as
"obrigações de guerra" emitidas em 1932 para pagar os custos da
primeira guerra mundial apresentam uma taxa de rendibilidade ("yield")
de 3,8%.
Sendo ultralongos ou mesmo perpétuos, os novos títulos seguiriam a
tradição de ficarem com o nome de baptismo do seu criador. O
cliente-alvo das "obrigações Osborne" seriam os fundos de pensões, mas
o jornal cita fontes do sector, advertindo para o fraco apetite que
estes títulos se arriscam a gerar devido às baixas taxas de retorno
oferecidas. "Seria óptimo para o Governo e contribuintes britânicos,
mas não acredito que queiramos ficar presos por tanto tempo a 'yields'
tão baixas, e que estão artificialmente baixas por causa do
'quantitative easing' do Banco de Inglaterra".
terça-feira, 13 de março de 2012
Argentina à beira do colapso
milhões de dólares (147,6 mil milhões de euros/26,6 mil milhões de
contos).
O forte clima de instabilidade gerado pelo Executivo ao afirmar há
dias que não tinha mais recursos financeiros disponíveis até ao final
do ano, tem gerado uma correria dos investidores à praça financeira de
Buenos Aires para vender os seus títulos, temendo que o Estado deixe
de pagar as dívidas aos particulares ou que a moeda local, o peso,
sofra uma forte desvalorização, noticia hoje o "Financial Times".
O risco de ruptura dos compromissos financeiros do país junto dos
mercados internacionais é real, razão pela qual a taxa de juro
aplicada aos empréstimos do Governo argentino atingiram ontem os 17
por cento, o que constitui um preço demasiado elevado para quem
precisa urgentemente de liquidez e de reescalonar a dívida externa.
Segundo o banco norte-americano JP Morgan, o único país no mundo que
apresenta sérios riscos de não saldar os seus compromissos financeiros
com países terceiros é a Nigéria, afastando a hipótese, para já, de o
mesmo vir a acontecer à Argentina.
Corte de 20 por cento nos salários
O Governo argentino deverá determinar uma diminuição de 20 por cento
nos salários dos funcionários públicos, admitiu ontem o secretário da
Economia, Federico Sturzenegger.
O objectivo é fazer baixar os encargos do Estado com despesas
salariais e dessa forma reduzir o défice do Estado em relação ao
Produto Interno Bruto do país, segundo o sítio BBC.com.
Do lado das receitas, o cenário é também dramático, com a recolha dos
impostos a cair 8,7 por cento entre Julho de 2000 e Julho deste ano,
justificados pela redução abrupta do consumo e das despesas das
famílias.
Em resposta ao Governo, a associação argentina da função pública
anunciou uma greve por tempo indeterminado e nos últimos dias os
argentinos desencadearam manifestações de rua espalhadas um pouco por
todas as principais cidades do país.
Irlanda negoceia com a troika reestruturação da dívida bancária
a troika internacional para reestruturar as dívidas do sistema
bancário. O objectivo é que estas possam ser pagas num prazo mais
amplo, a taxas de juro mais baixas.
O ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, disse à "RTÉ News"
que estão a decorrer negociações para reestruturar a dívida do Anglo
Irish Bank e também reduzir o custo do financiamento concedido aos
restantes bancos do país.
O responsável irlandês das Finanças disse que gostaria de reduzir o
pagamento da dívida do Anglo Irish Bank de forma a ter mais tempo para
pagar a sua dívida, com taxas de juro mais baixas. O sucesso das
negociações, a verificar-se, "seria no médio prazo e não no imediato",
salientou.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Grécia gerará prejuízos de 169 milhões no mercado de CDS
PIB da Grécia. A autoridade dos participantes que negoceiam contratos
de derivados no mercado não regulamentado 'over the counter' (ISDA)
confirmou, sexta-feira, que o processo de reestruturação da dívida
grega se trata de um evento de crédito. Esta decisão dá "luz verde" ao
exercício de 4.323 contratos de 'credit default swaps' (CDS) sobre
obrigações gregas no valor líquido de 3.163 milhões de euros, segundo
estimativas da DTCC, uma instituição que opera como intermediário na
negociação destes contratos.
ISDA: Utilização das CAC dita evento de crédito na dívida grega
menor valor constitui um evento de crédito, segundo a sua Comissão de
Derivados. Decisão fará com que os emitentes de CDS tenham de
compensar as perdas de alguns investidores.
A International Swaps & Derivatives (ISDA) anunciou a decisão tomada
"por unanimidade" pela sua Comissão de Determinações de Derivados de
Crédito para a Europa, Médio Oriente e África, ao final da tarde de
hoje.
No comunicado, a associação diz que a decisão foi tomada após a
decisão do "exercício pela República helénica das claúsulas de acção
colectiva (CAC)" para reduzir o valor em dívida aos detentores de
obrigações soberanas da Grécia abrangidas pela lei do país.
A decisão anunciada hoje pela ISDA faz com que os investidores que
detêm Credit Default swaps sobre a dívida soberana da Grécia tenham a
possibilidade de pedir a compensação pelo incumprimento do valor de
dívida coberto pelos contratos que seguram o risco de incumprimento
das obrigações subjacentes.
A Grécia concluiu hoje um "swap" de dívida pública por títulos de
menor valor e com maturidade alargada, em que conseguiu uma
participação de 95,7% dos credores de 177 mil milhões de euros.
A percentagem dos investidores que participou voluntariamente foi de
85%, sendo que os restantes participaram coercivamente através da
activação das cláusulas de acção colectiva – que são artigos inscritos
nos contratos de obrigação que salvaguardam a possibilidade de
incumprimento da dívida desde que haja uma participação qualificada de
investidores.
A activação das CAC, que determinam a participação coerciva de alguns
investidores no programa de troca de títulos, vendo o valor que têm
direito a receber reduzido, ditou a decisão de considerar este um
Evento de Reestruturação de Crédito, diz o comunicado da ISDA.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Malparado no crédito ao consumo já supera os 10%
financiamento. Famílias e empresas continuam a revelar cada vez
maiores dificuldades em conseguir cumprir com os seus compromissos. No
crédito ao consumo a taxa de malparado já supera os 10%. E entre as
empresas aproxima-se dos 7%.
Os bancos têm em carteira 12,4 mil milhões de euros em créditos de
cobrança duvidosa. Créditos que foram concedidos às famílias e às
empresas. Deste total, 7,6 mil milhões são da responsabilidade das
empresas e o restante dos particulares, de acordo com os dados
preiminares de Janeiro hoje divulgados pelo Banco de Portugal.
Assim, o peso dos incobráveis das empresas face ao total dos
empréstimos concedidos é actualmente de 6,72%, o que corresponde ao
nível mais elevados desde Abril de 1998.
Entre as famílias o peso do malparado é de 3,44%, o nível mais elevado
desde que há dados (Dezembro de 1997).
E é no crédito ao consumo que o peso dos incobráveis é maior – 10,28%.
O mesmo é dizer que em 100 euros emprestados, as famílias não pagam
10,28 euros. No crédito para outros fins este rácio está nos 9,71% e
no crédito à habitação encontra-se nos 1,90%, o que também correspoden
ao nível mais elevado desde, pelo menos, Dezembro de 1997.
O aumento dos incobráveis está relacionado com o actual contexto
económico. Desemprego em níveis históricos e muitas famílias que
apesar de manterem os seus postos de trabalho têm menos rendimentos,
devido aos cortes de salários efectuados.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Painel "discreto" de banqueiros reúne-se para decidir sobre "credit default swaps" da Grécia
reunir-se hoje para decidir se os "credit default swaps" sobre dívida
grega vão ou não ser activados, obrigando os bancos que venderam os
contratos a ressarcir os compradores desses "seguros".
O "The Wall Street Journal" escreve esta manhã que este "discreto"
grupo de banqueiros vai anunciar até à próxima segunda-feira se a
operação de troca com dívida grega configura ou não um "evento de
crédito".
As agências de "rating" estão a considerar que há, de facto, uma
alteração dos termos contratuais das obrigações gregas. Mas a entidade
que define se isso vai ou não representar um "default" é a
International Swaps and Derivatives Association (ISDA), um organismo
formado pelos bancos.
Estima-se que existam cerca de 2,9 mil milhões de dólares em "credit
Default swaps" sobre dívida pública da Grécia. Pelo que os bancos que
venderam esta protecção terão de ressarcir os compradores dos títulos,
que podem não ser necessariamente detentores do título subjacente, a
obrigação da Grécia.
Não podem participar estranhos na reunião, não será divulgada a acta,
e quando for divulgada a decisão, o organismo não terá de dar qualquer
explicação e não há qualquer forma de recurso legal por parte dos
investidores.
