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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Investir nas obrigações dos clubes de futebol

Deixemos as emoções de lado. Existem sempre quando se fala de futebol, mas actuemos como investidores racionais. Recentemente o Sporting Clube de Portugal e o Futebol Clube do Porto emitiram obrigações com uma taxa de juro (cupão) bastante elevada.

SCP - Taxa de cupão de 9,25%; Maturidade a três anos; Montante 20 milhões de Euro.
FCP - Taxa de cupão de 8%; Maturidade a ; Montante 10 milhões de Euro.

Terão os clubes capacidade para fazer face aos seus encargos com juros?

Um indicador interessante para avaliar a capacidade de respeitar os compromissos assumidos é o interest coverage ratio, que se traduz no rácio entre os resultados operacionais e os juros pagos. No caso do FCP, em 2009-2010 este rácio apresentava um valor de 50%. Significa isto que os resultados operacionais só cobrem 50% dos custos financeiros. Já o SCP não registou resultados operacionais positivos.

Estaremos perante um esquema de Ponzi? Não vou responder a esta questão, mas é estranho clubes de futebol pagarem uma remuneração inferior à Républica de Portugal, mesmo estando numa situação financeira complicada.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A importância futura da poupança

Segundo o programa do novo governo, vai-se avançar para um sistema
misto de segurança social: pay as you go + capitalização.

«Será necessário estudar e avaliar a introdução de reformas que,
mantendo a garantia
do Estado no domínio da solidariedade obrigatória, introduza uma componente de
poupança nas pensões de velhice com base na responsabilidade individual, em
capitalização, de forma a manter um equilíbrio intergeracional sustentado.
Este contributo tem subjacente a necessidade da apresentação, a médio prazo, de
medidas profundas de reestruturação do sistema com a preocupação de manter a sua
sustentabilidade, de não sobrecarregar financeiramente as futuras
gerações e de não
pôr em causa o emprego dessas mesmas gerações.»
Devo confessar que sou adepto desta modalidade. Fará algum sentido as
pessoas descontarem 34% do salário (11% do trabalhador + 23% da
entidade empregadora) para na reforma (daqui a 30/40 anos) se obter
apenas 40-50% do último salário?
A inversão da pirâmide geracional tornam completamente inviável o
actual modelo de segurança social.

Subida das taxas de juro de referência do BCE

"Estamos unidos no objectivo de conseguirmos controlar as
expectativas" da inflação, disse Jean Claude Trichet em Amesterdão,
citado pela Bloomberg.
"As indicações que dei, lembrando a nossa postura de forte vigilância,
significa que pode haver uma subida das taxas na próxima reunião",
disse Jean-Claude Trichet. "Mas não assumimos esse compromisso, a
decisão será tomada quando julgarmos que é necessário".
Parece ser para breve a subida das taxas de juro de referência do BCE.
Com as expectativas de inflação a subir, o BCE parece determinado a
aumentar o valor temporal do dinheiro. Mas fará sentido numa altura em
que os níveis de desemprego na zona Euro continuam 3-4 p.p. acima do
nível em que se encontrava antes da crise de 2008?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mais um banco dinamarquês que faliu

O Fjordbank Mors é o mais recente banco dinamarquês a ser resgatado pelo governo, depois de se revelar insolvente. O organismo público dinamarquês Finansiel Stabilitet salvou o banco Fjordbank Mors, no âmbito do chamado “Pacote da Banca III” que estabelece as regras para os resgates, avança o “Financial Times” citando a imprensa daquele país.

Estas regras significam que os investidores em dívida sénior de bancos falidos – e até mesmo os depositantes – serão expostos às suas perdas.
Em suma, estas regras reduzem o risco moral dos credores dos bancos, dado que estes podem incorrer em perdas. Mas se assim for, em períodos de pânico não haverá um risco de efeito dominó se a interdependência do sector bancário for elevada? Isto é, o Banco A deve a B, que por sua vez deve a C, e por aí adiante, se um dos bancos se tornar insolvente e não assumir os compromissos para com os restantes, não estará o sistema financeiro em cheque?


BIS defende subida das taxas de juro

A recomendação do BIS consta do relatório anual da instituição, ontem divulgado em Basileia, na Suíça, e consubstancia-se no receio de que os riscos inflacionistas se alastrem com a subida do preço das matérias-primas e com o aumento dos níveis de procura mundial.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Relatório dos analistas financeiros (II)

É interessante saber como os parâmetros de avaliação dos modelos de avaliação dos analistas financeiros podem ser tão discordantes entre si. Veja-se o seguinte extracto retirado do relatório que vos falei:

«os betas da EDP Renováveis e da Mota-Engil eram considerados defensivos por alguns analistas financeiros e agressivos por parte de outros.»

Para uns é considerado mais arriscado que o mercado e para outros o contrário.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Análise Financeira e Price Targets

O jornal de Negócios apresenta uma base de dados de preços-alvo bastante interessante. Para quem gosta de acompanhar os palpites dos analistas financeiros, esta base de dados além de útil é gratuita.

O mais interessante, na minha opinião, é permitir comparar os preços-alvos dos vários analistas financeiros e a partir daí extrair o consensus de mercado.

Aqui fica o respectivo link:

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=PALMARES_V2

terça-feira, 14 de junho de 2011

Divulgação do Relatório de Supervisão da Análise Financeira

Ainda não li o relatório referente a 2010, mas o de 2009 pareceu-me interessante. O enviesamento em favor das recomendações de compra é por demais evidente, assim como o facto de os preços-alvo terem implícitos potenciais de valorização elevados, mesmo em conjunturas adversas.

Será de esperar que os investidores descontem esse efeito e atribuam maior relevância às recomendações de venda por contraponto com as recomendações de compra.

Vou ler com mais atenção. Também o podem fazer em:

http://www.cmvm.pt/cmvm/estudos/em%20arquivo/pages/relat%c3%b3rioanualdesupervis%c3%a3odaactividadedean%c3%a1lisefinanceira.aspx

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Compensação dos executivos nas empresas controladas por famílias e o seu desempenho

A compensação dos administradores executivos das empresas cotadas tem sido alvo de inúmeros estudos ao longo dos anos, tendo em vista a mensuração do alinhamento entre os interesses dos accionistas (Principal) e da gestão (Agente). Gallego e Larraín (2010) estudam os mecanismos de compensação dos administradores executivos das empresas de três países da América Latina, e separaram os resultados das empresas controladas por grandes accionistas das demais.
Os autores concluem que os CEO das empresas controladas por grandes accionistas auferiam, em média, remunerações superiores por comparação com os CEO das demais empresas. Depois de controlar para outras variáveis exógenas, esse excesso de remuneração ascende a 30% . Porém, isso não sucede com os outros membros da Comissão Executiva.
É ainda de referir que as empresas controladas pelo estado ou outras empresas estrangeiras não pagam prémios significativos aos seus gestores, por oposição às empresas em que os fundadores já não se encontram em funções e/ou os filhos dos fundadores estão ligados à empresa.

http://www.economia.puc.cl/docs/dt_379.pdf

domingo, 12 de junho de 2011

A rotação dos gestores e o desempenho das empresas

Um estudo realizado por Jorge Farinha e Lúcia Costa (2009) para as empresas cotadas na bolsa portuguesa reporta uma relação negativa entre a rotação dos gestores e o desempenho passado das empresas. Os autores concluem que esses resultados são consistentes com a existência de mecanismos de disciplina sobre a gestão.
Os blockholders institucionais tendem a exercer uma monitorização mais determinada pelo desempenho bolsista das empresas, enquanto outros grandes accionistas (accionistas dominantes ou maioritários) parecem dispor de uma maior capacidade de influenciar a actuação dos gestores de forma mais contínua, embora estejam também associados a algum potencial de divergência de interesses face aos accionistas minoritários. Finalmente, a evidência encontrada favorece a hipótese de o compromisso de distribuição de dividendos funcionar como um mecanismo de alinhamento de interesses que substitui outras formas de monitorização. Os blockholders institucionais tendem a exercer uma monitorização mais determinada pelo desempenho bolsista das empresas, enquanto outros grandes accionistas (accionistas dominantes ou maioritários) parecem dispor de uma maior capacidade de influenciar a actuação dos gestores de forma mais contínua, embora estejam também associados algum potencial de divergência de interesses face aos accionistas minoritários. Finalmente, a evidência encontrada favorece a hipótese de o compromisso de distribuição de dividendos funcionar como um mecanismo de alinhamento de interesses que substitui outras formas de monitorização.

Ref.:

http://www.cmvm.pt/CMVM/Publicacoes/Cadernos/Documents/C33Art1l.pdf

A respeito deste artigo deixo somente uma questão. Não poderá ser a instabilidade na gestão ou mesmo da estrutura accionista a verdadeira razão pela rotação dos gestores?
Em Portugal é raro ver-se a demissão de conselhos de administração ou comissões executivas antes do fim do seu mandato. Por outro lado, a instabilidade accionista ou na gestão pode conduzir em simultâneo, à rotação dos gestores e ao mau desempenho.

sábado, 11 de junho de 2011

As plataforma​s de MTF ganham peso face aos mercados regulament​ados

Com a implementação da Directiva dos Mercados Financeiros surgiram um
conjunto de plataformas de negociação que competem com os mercados
regulamentados em termos de transacções de títulos. Entre as
principais encontramos o Chi-X, o BATS Europe, a Turquoise e o Nasdaq
OMX Eur.
Estas plataformas assistiram a um crescimento significativo da sua
actividade e hoje já ameaçam a hegemonia dos principais mercados
regulamentados como a Euronext ou a London Stock Exchange.
Um estudo da AFM chamou-me a atenção de um aspecto curioso. O Chi-X
apresenta actualmente um bid-ask spread inferior à London Stock
Exchange. Isto significa que a liquidez se está a transferir dos
mercados regulamentados para os mercados não regulamentados.
Existem perigos, pois estes últimos têm requesitos de transparência
bastante aquém do que seria desejável.

http://halshs.archives-ouvertes.fr/docs/00/55/99/19/PDF/CahierAMF8_En.pdf

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A importânci​a da independen​cia das comissões de vencimento das empresas cotadas

Nas empresas cotadas, os salários e mecanismos de compensação dos
administradores executivos são fixados nos comités de
vencimento/remunerações.  Num estudo para a Nova Zelândia, Boyle e
Roberts encontram evidência de quando o CEO pertence a este comité, os
salários dos executivos apresentam, em média, salários mais genorosos
e menos sensíveis ao desempenho económico-financeiro da empresa.
Por outro lado, os investigadores mostram que no período 1997-2003 o
maior o poder de intervenção dos executivos nesta comissão resultou
num pior desempenho da empresa.
A composição da comissão de remunerações pode, deste modo, influênciar
o desempenho de longo prazo das empresas.

http://www.econ.canterbury.ac.nz/RePEc/cbt/econwp/1045.pdf

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Será preferível investir em empresas com uma boa governância das sociedades?

Num estudo realizado para o mercado accionista grego, Toudas, Kanellos and Karathanassis, George (2007) concluem que o governo das sociedades influencia o valor de mercado das empresas. Mais concretamente, o q-tobin, rácio entre o valor de mercado de uma empresa e o valor de reposição dos activos é superior entre as empresas mais "democráticas" por comparação com as empresas "semi-democrática" e empresas "dictatoriais". É de assinalar que as primeiras valem em média, quase o dobro das terceiras.

http://mpra.ub.uni-muenchen.de/6414/1/MPRA_paper_6414.pdf

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O prémio de risco de mercado (cont.II)

Num segundo artigo de Pablo Fernandez, este investigador compara o prémio de risco de mercado percepcionado pelos analistas financeiros nos EUA, na Europa Continental e no Reino Unido. Em, média o prémio de risco exigido na zona Euro é inferior à exigida nos EUA e no Reino Unido (5,0% na zona Euro, por compração com 5,1% e 5,2% nos EUA+Canadá e no Reino Unido, respectivamente).
O desvio-padrão apresentado pelas respostas dos analistas da zona Euro também é inferior à dos restantes.

Significará isto que o custo do capital é inferior na zona Euro?

http://www.iese.edu/research/pdfs/DI-0912-E.pdf

terça-feira, 7 de junho de 2011

O que é o prémio de risco do mercado accionista?

O prémio de risco do mercado accionista é o excesso da taxa de rendibilidade exigida/esperada pelos investidores quando investem numa carteira de acções representativa do mercado face à taxa oferecida por um activo isento de risco.
A este respeito, Pablo Fernandez realizou um inquérito a analistas financeiros, a professores universitários e a empresas para averiguar qual seria, em teoria, o prémio de risco exigido para investir no mercado accionista.
No que toca ao mercado americano, esse prémio seria de 5,7%, 5,0% e 5,6% para professores universitários, analistas financeiros e empresas, respectivamente. Já a média global é de 5,5%. Significa isto que os investidores apenas estão dispostos a investir no mercado accionosta se as suas perpectivas de rendibilidade forem acima de 5,5%+ taxa oferecida por um depósito ou um título do tesouro.

Ref: http://www.iese.edu/research/pdfs/DI-0918-E.pdf