Ontem a CGD, hoje o BES emitiram dívida sénior (floating notes) a 3 anos com spreads 4,95% superiores à Euribor a 3 meses. Acresce que essa dívida foi emitida com garantias do estado português. Sem dúvida que se trata de um prémio de risco muito elevado e que certamente se vai repercutir sobre as taxas a praticar junto dos clientes. Mas será esta situação sustentável? Ou melhor, será sustentável durante quanto tempo?
Para responder a esta questão seria necessário saber a taxa de juro média paga neste tipo de empréstimos. Se o roll over da dívida continuar a ser realizado a taxas semenlhantes, tal vai-se reflectir nos custos financeiros dos bancos e na sua rendibilidade dos capitais, entrando-se num circulo vicioso...
Venda de activos, diversificação do funding e sobretudo, em minha opinião, pressão sobre o estado português para reaver empréstimos concedidos como acontece com empresas públicas, empresas municipais podem mitigar este efeito. Se o estado português recomprasse a sua dívida que está no balanço dos bancos seria uma grande ajuda, já que as garantias parecem ter um efeito residual.
Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros (Ben Franklin)
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Foi divulgado recentemente um artigo que investiga a relevância da informação divulgada nas notações de crédito. Os autores (Jens Hilscher e Wilson) inferem acerca da capacidade das agências de rating anteciparem possíveis falências. Os autores verificam que a probabilidade de falência de uma empresa depende sobretudo da conjuntura económica (systematic risk of default). Já os ratings parecem apresentar uma fraca capacidade de prever falências de empresas. Enquanto indicador, os ratings apresentam uma capacidade explicativa inferior à da evolução dos preços dos CDS, que se ajustam mais rapidamente à nova conjuntura de mercado.
http://www.brandeis.edu/departments/economics/RePEc/brd/doc/Brandeis_WP31.pdf
http://www.brandeis.edu/departments/economics/RePEc/brd/doc/Brandeis_WP31.pdf
terça-feira, 19 de julho de 2011
Aumento do número de casas entregues à banca
Segundo o DE assistiu-se ao longo do último ano a um aumento das casas entregues à banca por contrapartida da liquidação dos respectivos empréstimos hipotecários. Foram entregues 3060 imóveis.
O que o artigo do DE não refere é a percentagem dos imóveis entregues cujo valor não excede o valor dos empréstimos.
No caso dos países anglo-saxonicos (UK), os credores podem entregar os imóveis hipotecados obtendo em contrapartida a liquidação dos empréstimos. Isto significa que os proprietários têm uma opção de venda do imóvel em que o preço de exercício iguala o valor do montante em dívida.
Se tal fosse possível em Portugal como iriam reagir os proprietários com empréstimos hipotecários? Será que os proprietários que viram as suas casas desvalorizar para um valor inferior ao valor do empréstimo optariam por esta solução?
O que o artigo do DE não refere é a percentagem dos imóveis entregues cujo valor não excede o valor dos empréstimos.
No caso dos países anglo-saxonicos (UK), os credores podem entregar os imóveis hipotecados obtendo em contrapartida a liquidação dos empréstimos. Isto significa que os proprietários têm uma opção de venda do imóvel em que o preço de exercício iguala o valor do montante em dívida.
Se tal fosse possível em Portugal como iriam reagir os proprietários com empréstimos hipotecários? Será que os proprietários que viram as suas casas desvalorizar para um valor inferior ao valor do empréstimo optariam por esta solução?
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A contabilização do crédito mal-parado em Portugal
O crédito mal-parado (Non-Performing Loans) é composto pelo conjunto de empréstimos em incumprimento ou perto de o estarem. Regra geral, considera-se que crédito mal-parado quando o incumprimento dura à mais de 90 dias.
Em Portugal, e contrariamente ao que sucede noutros países, apenas era contabilizado como crédito mal parado os juros ou nocional em atraso e não a totalidade do empréstimo como sucede nos outros países.
Daí que seja de esperar que com a alteração de metodologia imposta pela troika se assista a um aumento dos valores contabilizados nesta rubrica.
Para mais informação pode ser consultada a seguinte notícia da Morninstar:
http://www.morningstar.co.uk/uk/markets/newsfeeditem.aspx?id=148573656356219
Em Portugal, e contrariamente ao que sucede noutros países, apenas era contabilizado como crédito mal parado os juros ou nocional em atraso e não a totalidade do empréstimo como sucede nos outros países.
Daí que seja de esperar que com a alteração de metodologia imposta pela troika se assista a um aumento dos valores contabilizados nesta rubrica.
Para mais informação pode ser consultada a seguinte notícia da Morninstar:
http://www.morningstar.co.uk/uk/markets/newsfeeditem.aspx?id=148573656356219
NPL: Comparação de Portugal com outros países
Os gráficos acima revelam que o crédito mal-parado em Portugal é baixo por comparação com outros países como a Irlanda, Espanha ou Itália. Porém, é importante notar que esta rubrica não é contabilizada de todos os países de modo idêntico, o que significa que, poderá não ser adequado fazer comparações internacionais como vai ser explicado de seguida.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Incumprimento no sistema bancário
O incumprimento do crédito dos particulares teve um crescimento
notório nos últimos anos. Tendo por base 2006, os créditos e juros vencidos quase
duplicaram quer em percentagem do crédito total concedido a clientes,
quer em percentagem dos activos. Esse aumento foi ainda mais acentuado entre
as empresas não financeiras atingindo em 2010 cerca de 4,7% de crédito
mal parado.
Seria interessante a comparação com os nossos pares europeus. Procurarei em devido tempo essa informação com a finalidade de a trazer para este Blog. Caso haja
interesse nestas séries podem enviar-me um e-mail.
notório nos últimos anos. Tendo por base 2006, os créditos e juros vencidos quase
duplicaram quer em percentagem do crédito total concedido a clientes,
quer em percentagem dos activos. Esse aumento foi ainda mais acentuado entre
as empresas não financeiras atingindo em 2010 cerca de 4,7% de crédito
mal parado.
Seria interessante a comparação com os nossos pares europeus. Procurarei em devido tempo essa informação com a finalidade de a trazer para este Blog. Caso haja
interesse nestas séries podem enviar-me um e-mail.
Evolução dos empréstimos concedidos pela banca portuguesa
Depois do post de ontem dedicado à banca portuguesa, escrevo um novo
dedicado à mesma temática. Os bancos portugueses têm sido sujeitos a
uma forte pressão no que concerne à obtenção de financiamento. A
informação estatística proveniente do Banco de Portugal mostra que
estes agentes têm sido bem sucedidos nessa função, pese as
dificuldades crescentes.
Ora vejamos, mesmo com as dificuldades crescentes para a obtenção de
funding nos últimos três anos, o valor dos empréstimos concedidos
continuou a crescer.
Chegará com o plano de austeridade da troika a necessária
desalavancagem da economia portuguesa? É bastante provável assistir-se
a esse fenómeno, restando saber como vai reagir a economia portuguesa,
tão dependente deste modo de financiamento.
dedicado à mesma temática. Os bancos portugueses têm sido sujeitos a
uma forte pressão no que concerne à obtenção de financiamento. A
informação estatística proveniente do Banco de Portugal mostra que
estes agentes têm sido bem sucedidos nessa função, pese as
dificuldades crescentes.
Ora vejamos, mesmo com as dificuldades crescentes para a obtenção de
funding nos últimos três anos, o valor dos empréstimos concedidos
continuou a crescer.
Chegará com o plano de austeridade da troika a necessária
desalavancagem da economia portuguesa? É bastante provável assistir-se
a esse fenómeno, restando saber como vai reagir a economia portuguesa,
tão dependente deste modo de financiamento.
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