quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Itália propõe imposto de 34 euros por cada conta bancária

O governo italiano procedeu a alterações ao plano de ajustamento que
foi aprovado em finais de Novembro. Agora pretende que seja aplicado
um imposto de 34 euros por cada conta bancária com um saldo médio
anual acima de 5.000 euros. Se for uma empresa, o valor do imposto
sobe para 100 euros.

O governo de Mario Monti avançou com outras propostas, como o
estabelecimento de uma taxa de 0,76% para os imóveis no estrangeiro
destinados "a qualquer tipo de uso" das pessoas físicas "residentes no
território do Estado", refere a mesma fonte.

Por outro lado, o Executivo planeia introduzir no plano de ajustamento
uma taxa de 0,1% sobre as actividades financeiras realizadas no
estrangeiro por pessoas residentes em Itália entre 2011 e 2012 e de
0,15% a partir de 2013. Com isto, o governo italiano prevê angariar um
total de 8,9 milhões de euros no biénio de 2011-2012 e 13,4 milhões em
2013.

Em relação às pensões, a equipa de Mario Monti prevê introduzir uma
"taxa de solidariedade" sobre as pensões superiores a 200.000 euros.

Estamos a chegar ao tempo do vale tudo!!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entregas de casas ao bancos aumentam 18%

No mês de Outubro foram entregues aos bancos 690 imóveis, por
incapacidade dos seus proprietários de continuarem a pagar as
prestações mensais das respectivas hipotecas. Este número coloca em
cerca de 5.200 os imóveis já "devolvidos" durante este ano, o que
representa um aumento de 17,7% face ao ano passado.

Este levantamento foi feito pela Associação dos Profissionais e
Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que considera
que "o resultado obtido é o pior deste ano e representa o corolário de
três meses consecutivos de agravamento deste fenómeno que, apesar de
continuar transversal ao território nacional, é hoje 17,7% superior ao
observado em igual período de 2010".

O arrefecimento do mercado imobiliário é uma das justificações
encontradas, uma vez que está a afectar particularmente os novos
projectos e empreendimentos, acrescenta a APEMIP. Isso faz com que
"parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento
provêem destes agentes, em particular, em municípios como os de
Alcochete, Loulé, Ponta Delgada e Vila do Conde, em que esta realidade
representa, pelo menos, metade da totalidade dos imóveis em causa".

As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto concentram 46,4% das
ocorrências relativas a imóveis entregues em dação em pagamento (39,7%
em Outubro), sendo que dos dez municípios mais relevantes em termos
nacionais (que representa no seu conjunto 29,7% das observações
registadas desde o início do ano e 24,4% das apuradas em Outubro),
apenas três (Loulé, Ponta Delgada e Braga) não pertencem a estas duas
unidades territoriais.

Já o Porto representa 18,9% das dações em pagamento registadas em
termos nacionais em 2010 (21,1% considerando apenas Outubro.

Ainda de acordo com estimativas da associação, ao longo dos dez
primeiros meses de 2011, foram transaccionados entre 160.000 a 165.000
imóveis (tanto urbanos, como rústicos e mistos). em Outubro, as vendas
situaram-se entre 15.000 e os 15.600 negócios concretizados, o que
representou um crescimento mensal de 1,7% face a Setembro. Este
aumento, porém, foi "insuficiente para evitar que este mês tenha sido
um dos três piores deste ano (apenas melhor do que Abril e Setembro,
ambos com resultados abaixo das 15.000 transacções)", refere a análise
da APEMIP.

As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto concentram cerca de 31,8%
das transacções registadas em Portugal este ano (29,6% apenas em
Outubro), sendo que dos 10 municípios mais relevantes em termos
nacionais (que representam no seu conjunto mais de 20,1% das
transacções concretizadas desde o início do ano também 20,1% das
concretizadas em Agosto) apenas três (Braga, Coimbra e Leiria) não
pertencem a estas duas unidades territoriais.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Soros compra a preço de saldo dívida europeia que levou MF Global à falência

O multimilionário gastou dois mil milhões de dólares em obrigações
europeias detidas pela empresa norte-americana, segundoo "The Wall
Street Journal".
O célebre investidor George Soros - que ganhou mil milhões de dólares
a apostar na queda da libra em 1992 (sendo conhecido como o homem que
bateu o Banco de Inglaterra) – comprou dois mil milhões de dólares de
obrigações europeias que eram detidas pela MF Global Holdings, a
empresa que pediu protecção contra credores ao abrigo do capítulo 11
da lei de falências dos EUA.

É precisamente essa mesma dívida que levou a empresa norte-americana a
pedir – a 31 de Outubro - uma reestruturação ao abrigo da lei de
falências que foi agora comprada a preços de saldo pelo Soros
Management Fund, segundo o "WSJ".

O investidor, que nasceu na Hungria e que mais tarde se nacionalizou
americano, gastou dois mil milhões de dólares a comprar parte da
dívida que a empresa ainda detinha.

A MF Global, liderada por ex-senador Jon S. Corzine, vendeu parte das
obrigações que detinha, mas tinha ainda em mãos cerca de 4,8 mil
milhões de dólares desta dívida quando entrou em processo de falência,
refere o jornal norte-americano.

Essas obrigações passaram para a gestão da KPMG, gestora de falências
da MF Global em Londres, tendo sido disponibilizadas para venda a
grandes investidores logo após o colapso da empresa.

Muitos grandes investidores não revelaram qualquer interesse nestas
obrigações europeias, mas George Soros avançou e comprou cerca de dois
mil milhões de dólares desses títulos, por um valor abaixo do preço de
mercado dessa altura, segundo fontes citadas pelo "WSJ".

Esta compra de Soros poderá ser vista pelos mercados como reflectindo
a confiança que o investidor tem na capacidade da Zona Euro para
resolver os seus problemas da dívida, acrescenta o mesmo jornal.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

EBA permite que bancos emitam títulos híbridos para reforçar capital

Decisão da Autoridade Bancária Europeia alivia as pressões dos bancos para cumprirem os requisitos de capital em Julho de 2012. De acordo com o regulador europeu, os títulos híbridos passam a ser elegíveis para os bancos reforçarem os seus capitais, desde que estes sejam considerados de “elevada qualidade”. A EBA explica que como a intenção da criação de almofadas no capital dos bancos visa “absorver potenciais perdas contigentes”, então estes títulos convertíveis “podem ser elegíveis, com critérios muito restritos e harmonizados”. Estes títulos, conhecidos no mundo financeiro por “Coco” (contigent capital), são na prática obrigações que têm a opção de serem convertidas em acções, apenas se determinado evento se concretizar no futuro. Muitas das vezes correspondem a obrigações que pagam um juro anual e serão convertidas em acções, apenas se o capital dessa instituição descer abaixo dum nível definido. A EBA salienta que não alterou a definição de “core tier one”. Contudo, para os bancos constituírem as “almofadas” extraordinárias para fazer face à exposição a dívida pública, “os bancos podem incluir instrumentos que não são ‘core tier one’ mas parecem sólidos o suficiente para absorverem perdas potenciais”, refere o regulador. Para os bancos, é vantajosa a possibilidade de recorrer a estes instrumentos para reforçar o capital, pois deste modo diminuem as necessidades de recorrer a outros procedimentos, como venda de activos ou emissão de novas acções, que obrigaria à entrada de dinheiro (dos accionistas, outros investidores ou Estado) no seu capital. A emissão destes títulos não dilui a posição dos actuais accionistas. Para os bancos portugueses, a EBA identificou necessidades de capital de 6,95 mil milhões de euros. Segundo o Banco de Portugal, deste montante 3,718 mil milhões de euros resultam da avaliação a preços de mercado das exposições a dívida soberana”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bancos em Portugal têm mais balcões e empregados do que antes da crise

Situação em Portugal contraria a tendência média na Zona Euro onde,
entre 2007 e 2010, desapareceram balções e quase um terço dos postos
de trabalho que eram assegurados pela banca.
Portugal não é caso único mas destaca-se pela amplitude com que foge à
regra. Segundo dados hoje divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE),
entre 2007 e 2010 o número de balcões e de funcionários dos bancos
instalados em Portugal aumentou quase 7% e 1%, respectivamente. Já na
Zona Euro, em média, o número de balcões caiu quase 1%, com a redução
mais expressiva a observar-se no universo dos postos de trabalho
assegurados, mais de 30%.

Na abertura de balcões, são vários os países que escapam à tendência
europeia. É o caso de Itália, Grécia, Eslováquia e Irlanda. Mas em
nenhum deles se abriram tantos novos balcões entre o início da Grande
Crise e o fim (precário) desta, em 2010, como em Portugal, que passou
a contar com 405 novas agências, totalizando 6.460. No conjunto da
Zona Euro, fecharam 1.636 balcões, para um total de 182.422.

Quanto ao número de funcionários, a banca instalada em Portugal passou
a empregar mais 571 pessoas, alargando o seu universo para 61.550. Já
na Zona Euro observou-se uma redução muitíssimo significativa, de mais
de meio milhão em três anos, com os trabalhadores da banca a
encolherem de 2.294.640 para 1.755.351.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BCP faz emissão de 1.350 milhões de euros em dívida com garantia do Estado

O BCP anunciou hoje que voltou a emitir, na segunda-feira, 1,35 mil
milhões de euros em títulos com garantia do Estado com um prazo de
três anos e taxa variável. A operação tem uma opção de reembolso
antecipado a 5 de Dezembro de 2012.

Fitch baixa 'rating' do Santander Totta em dois níveis

A Fitch reduziu a notação de dívida do Santander Totta em dois
níveis, de 'AA-' para 'A', com um 'outlook' negativo, o que significa
que poderá haver outro corte nos no médio prazo.

A agência explica, em comunicado, que o 'downgrade' ao banco liderado
por Nuno Amado é uma consequência do corte de 'rating' de Portugal. A
24 de Novembro, a Fitch decidiu cortar o 'rating' da República em mais
um nível (BB+), colocando o País na categoria de 'lixo', por causa dos
grandes desequilíbrios orçamentais, dos elevados níveis de
endividamento em todos os sectores e das perspectivas macroeconómicas
adversas.

"O 'downgrade' reflecte a visão da Fitch de que, apesar de a
probabilidade de apoio do Banco Santander ser extremamente elevada, o
enfraquecimento da perspectiva económica e a deterioração do perfil de
risco de Portugal e do seu sector financeiro significa que a Fitch já
não considera apropriado equiparar o 'rating' do Santander Totta ao da
casa-mãe", explica a Fitch em comunicado.

A Fitch espera, contudo, que o Santander Totta consiga cumprir as
exigências de capital mais elevadas, "necessárias para neutralizar uma
nova deterioração da qualidade dos seus empréstimos e a exposição
significativa à dívida portuguesa".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Commerzbank pode ser nacionalizado

Governo alemão não exclui a possibilidade de nacionalizar o banco
Commerzbank, segundo a revista Der Spiegel.

Citando fontes do Governo alemão, o Der Spiegel escreve que Berlim
poderá reactivar um fundo de ajuda à banca no caso de o Commerzbank
não conseguir angariar capital suficiente nos próximos seis meses, tal
como exige a Autoridade Bancária Europeia (EBA)

A revista alemã acrescenta que um novo investimento estatal no
Commerzbank irá provavelmente significar a nacionalização do banco.
Recorde-se que o Estado alemão já detém 25% do capital do banco.

Segundo a agência France Presse, o banco de Frankfurt foi fortemente
afectado pela crise da dívida soberana grega.

A EBA calculou as necessidades de recapitalização do Commerzbank até
ao final de Junho de 2012 em 2.900 milhões de euros. Este valor
representa 60% das necessidades de todo o sector bancário alemão.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Recurso ao BCE dispara com bancos a perderem acesso ao mercado interbancário

"Olhe para o meu ecrã. Ele conta a história. Tenho um grande banco
europeu disposto a emprestar e 40 bancos que querem contrair
empréstimos. E veja os nomes, não são bancos regionais. São os grandes
bancos da Zona Euro e eles não se conseguem financiar no mercado. Têm
de ir ao BCE", disse um "trader" citado pela publicação londrina.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Banco grego Piraeus Bank regista prejuízos de 1,15 mil milhões de euros

A perda líquida do Piraeus Bank nos primeiros nove meses do ano
atingiu 1,15 mil milhões de euros, face a um lucro de 39 milhões de
euros que o banco registou no mesmo período do ano anterior, de acordo
com declarações da instituição sedeada em Atenas. O valor não inclui
uma perda de 21 milhões de euros na sua unidade egípcia, a qual o
banco está a tentar vender, de acordo com a Bloomberg.

O Piraeus Bank aceitou menos-valias no valor de 1,08 mil milhões de
euros nos primeiros nove
meses do ano de um total de 7,5 mil milhões de euros de obrigações
gregas, após o acordo de troca de dívida realizado em Julho, o qual
constituiu parte do resgate europeu à Grécia.

O banco alertou que era provável que registasse perdas adicionais na
dívida nos seus resultados anuais, dado que o novo acordo pretende
impor maiores desvalorizações aos investidores. Já os depósitos do
banco diminuíram 3% durante o terceiro trimestre para 24,5 mil milhões
de euros, de acordo com o Piraeus.

Seis maiores imobiliárias vendem apenas 1.300 casas em 2011

As seis maiores imobiliárias espanholas venderam apenas 1.329 casas
nos primeiros nove meses 2011, avança o jornal "Expansión".

A Martinsa Fadesa, a Metrovacesa, a Reyal Urbis, a Realia e a Quabit
estão a ser fortemente atingidas pela crise, depois do final da bolha
imobiliária espanhola que nas últimas décadas esteve por trás de uma
parte importante do crescimento da economia do país vizinho.

Segundo o jornal, por exemplo, a Metrovacesa que sozinha vendia cerca
de 1.600 casas antes da crise, fechou este ano 135 contratos. A Reyal
Urbis chegou a ter um carteira de encomendas de 5.858 unidades.

A Quabit fechou 335 contratos, ainda que, segundo o Expansión, muitos
deles a sociedades vinculadas a entidades financeiras, face às 2.093
vivendas que entregou durante o mesmo período de 2007, antes da crise.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A inflação e a Europa

Chamo hoje a atenção para o artigo de Vitor Bento no DE. Uma opinião
que eu partilho. A inflação é em si um mal, mas convém perceber que o
que está em jogo é o fim da zona Euro e com grande probabilidade da
União Europeia.


«Sou dos que consideram que a inflação é um mal económico e que,
deixada instalar, rapidamente se torna viciante e viciosa.

Por isso mesmo, desde há muito percebi a importância de um banco
central independente, que pudesse concentrar-se na sustentabilidade a
médio e longo prazo. Independente, entenda-se, do processo eleitoral e
do jogo partidário que este implica, mas politicamente
responsabilizável.

Por isso, sempre tive também grande compreensão pelos receios alemães,
fundados numa dramática experiência de hiperinflação, nos anos 20, que
teve consequências devastadoras na sociedade.

Porém, os grandes problemas na gestão política raramente têm a ver com
a escolha entre o bem e o mal. Surgem sobretudo quando se está perante
a escolha entre dois males. Quando assim é, são necessárias pelo menos
duas cautelas. Primeiro, uma cuidada aferição da malignidade de cada
opção, por forma a identificar, com razoável clareza, qual o mal menor
e o mal maior.

Segundo, a clarividência necessária para não sucumbir ao
fundamentalismo moralista de considerar que mal é mal e, como tal,
ambos devem ser recusados, pois a escolha de qualquer deles implicaria
sempre a cedência ao mal e, como tal, seria sempre "pecaminosa". Esse
fundamentalismo não só é perigoso, do ponto de vista prático - pelas
consequências potencialmente desastrosas a que pode conduzir -, como é
moralmente errado, porque assenta num vício de raciocínio. O vício
desse fundamentalismo consiste em supor que, recusando-se escolher um
dos males, se isenta da responsabilidade moral pelas consequências
supervenientes. Ora, este é um entendimento profundamente errado do
dever moral. Sempre que se está perante uma escolha, está-se perante
uma decisão ética (por natureza e definição), não existindo, por isso,
nenhum caminho moralmente des-responsabilizante. Mesmo a suposta "não
escolha" é sempre uma escolha e influencia o curso dos acontecimentos.
Constitui, por isso, responsabilidade moral para quem a pratica. Mais
concretamente e no caso em que se esteja perante dois males, a recusa
de escolher activamente o mal menor, implica irrecusavelmente a
escolha - "passiva", mas escolha! - do mal maior. A responsabilidade
pelo resultado é, pois e sempre, moralmente iniludível, por mais que
se pretenda purificar a atitude de recusar escolher. Pense-se no que
teria acontecido à Europa e ao Mundo, se as democracias ocidentais
tivessem recusado o mal menor - aliança com Estaline - na segunda
guerra mundial...

O dilema que as autoridades europeias - governos e BCE - têm hoje pela
frente é um dilema moral desta natureza. Se persistirem na recusa do
risco de inflação - actualmente desprezível, mais distante no tempo,
de consequências mais controláveis, e, por tudo isso, o mal menor -
estarão a escolher o caminho de uma generalizada crise bancária, de
uma provável depressão económica e da desintegração europeia - com
consequências mais iminentes, próximas, profundas e irreversíveis, ou
seja, portanto, o mal maior. Não haverá meio termo. Este é um dos
raros momentos históricos em que os protagonistas não conseguirão
passar sem registo. Seja qual for a escolha que façam - activa ou
passiva - a História não os isentará da responsabilidade moral e
inscreverá os seus nomes na memória futura.

Mas não nos iludamos: seja qual for a opção europeia, a Portugal não
resta alternativa que não passe pela austeridade orçamental, reformas
estruturais e desvalorização real. Até o tempo para o ajustamento
depende do que "a Europa" nos conceder...

PS: Aos "surpreendidos"/distraídos, antes que comentem: Cf. "Salvar o
Euro", JN, 11/03/10
____

Vitor Bento, Economista»

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fundo de Resolução da banca

O Governo aprovou a Lei nº58/2011 onde estabelece "mecanismos de
intervenção preventiva e correctiva, para criar uma fase de
administração provisória e para definir os termos e competência para a
resolução e liquidação pré-judicial de instituições sujeitas à
supervisão do Banco de Portugal", revela o documento publicado hoje em
Diário da República.

A Lei, que tem como objectivo facilitar a gestão de casos como o BPN
ou BPP, tem duas vertentes. A primeira visa a recuperação de uma
instituição financeira. A segunda a sua liquidação.

Assim, o Banco de Portugal terá poderes para decidir sobre vendas de
activos, transferências dos mesmos, suspensão da administração e de
fiscalização do banco e a sua substituição. E caso seja elaborado um
plano de reestruturação que os accionistas não aprovem ou que as
medidas neste contidas não sejam implementadas, o Banco de Portugal
terá poderes para intervir, nomeando uma administração provisória, ou
revogando a autorização da instituição.

"O Banco de Portugal pode determinar a transferência, parcial ou
total, de activos, passivos, elementos extrapatrimoniais e activos sob
gestão das instituições para um ou mais bancos de transição para o
efeito constituídos, com o objectivo de permitir a sua posterior
alienação a outras instituições autorizadas a desenvolver a actividade
em causa", revela o documento hoje publicado.

O banco de transição criado para este fim terá um capital social
detido pelo Fundo de Resolução. Este fundo será constituído através da
participação "obrigatória" das "instituições de crédito com sede em
Portugal, bem como as empresas de investimento que estejam incluídas
no mesmo perímetro de supervisão", revela o mesmo documento. Ficam de
fora desta contribuição as caixas de crédito agrícola mútuo associadas
da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Bancos deverão ter de reconhecer nas contas de 2011 imparidades no valor de 50% do valor nominal das obrigações gregas

A Autoridade Europeia dos Mercados Valores Mobiliários (ESMA) aprovou
hoje um entendimento sobre como devem as empresas cotadas reflectir,
no final de 2011, nas suas contas a variação do valor da dívida
soberana e respectivas divulgações.

De acordo com informação da ESMA, os activos contabilizados pelos
investidores como "detidos até à maturidade", "a determinação do
montante a reconhecer como imparidade deve resultar da diferença entre
o valor contabilístico e o valor actual do que se estima vir ainda a
ser recebido (à taxa de juro original efectiva)".

Para esse efeito, os investidores podem utilizar como referência "a
percentagem do valor da dívida que é perdoada 'haircut' e que esteja
prevista nos planos de reestruturação da dívida grega, tendo em conta
o possível diferencial de estimativas."

Denote-se que a maior parte da exposição dos bancos em obrigações
gregas está alocada na carteira "detidos até à maturidade" (do inglês:
'held to maturity'), em detrimento da carteira "disponíveis para
venda" (do inglês: 'available for sale').

Neste sentido, e apesar de o plano de reestruturação da dívida grega
ser ainda desconhecido e as negociações ainda estarem a decorrer, a
ESMA refere que "com base na declaração da última Cimeira Europeia, o
plano deverá requerer que os detentores de obrigações gregas aceitem
uma redução de 50% do valor nominal dos títulos".

Deste modo, e de acordo com cálculos do UBS, publicados num 'research'
com data de ontem, o BCP incorre em imparidades de 350 milhões de
euros resultantes da sua exposição a títulos de dívida grega, que
terão um impacto de 0,43% sobre o rácio de capital 'core Tier 1' do
banco.

Nas contas do BPI, o impacto desta medida poderá traduzir-se em
imparidades de 240 milhões de euros, em resultado de uma exposição
nominal a dívida grega no valor de 480 milhões de euros.

Ou seja, só o BCP e o BPI incorrem, no total, em imparidades de 590
milhões de euros devido à reestruturação da dívida grega.

O BES sai ileso desta operação, pois não tem no seu portefólio
qualquer exposição a obrigações do Tesouro helénico.

A ESMA salienta ainda a "importância da divulgação de todas as
informações relacionadas com a exposição a dívidas soberanas, de
acordo com a IFRS 7, incluindo não só a exposição directa mas também a
prestação de quaisquer garantias relacionadas com esses instrumentos
financeiros, 'credit default swaps' (CDS), contratos de futuro, opções
ou outros derivados", refere a CMVM em comunicado.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entrada na banca a valor contabilístico seria considerada ajuda de Estado

"A possibilidade da entrada no capital a valor contabilístico é uma hipótese que nunca foi equacionada a nível europeu e de acordo com a tradição da Direcção-Geral de Concorrência nesta matéria, uma tal operação seria considerada imediatamente como ajuda de Estado, incompatível com o direito da concorrência", disse o Vítor Gaspar perante as questões do deputado do PCP Miguel Tiago numa audição no Parlamento. Além de um péssimo negócio para o Estado... acrescento eu.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Banco de Espanha viu-se ontem forçado a nacionalizar o Banco de Valência

O Banco de Espanha viu-se ontem forçado a nacionalizar o Banco de
Valência com uma intervenção de mil milhões de euros que expõe uma das
maiores fragilidades da economia espanhola: o desconhecimento da
verdadeira situação da banca perante a necessidade urgente de a
recapitalizar. O Banco de Valência representa apenas 0,74% do sistema
financeiro espanhol mas é a quarta entidade financeira espanhola a ser
ocupada pelo sector público, depois da Caja Castilla La Mancha (2009),
Cajasur (2010) e CAM (2011). Outras três Cajas - a Unnim, a
NovaCaixaGalicia e a CatalunyaCaixa - foram também nacionalizadas mas
mantiveram os seus gestores. As intervenções foram conduzidas pelo
Banco de Espanha, liderado por Miguel Ordoñez, através de um
instrumento especial para ajudar a banca a digerir a crise: o Fundo de
Reestruturação Bancária (FROB).

Em Espanha, a crise tem aqui um contorno bem diferente da situação
portuguesa. A explosão da bolha no sector da habitação, obrigando a
uma desvalorização brutal dos activos imobiliários, veio provocar um
desfalque enorme nos balanços dos bancos, que procuram sobreviver
escondendo a sua exposição.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Como funciona o processo de falência das famílias

O processo de insolvência é um processo de execução universal, que tem
como finalidade a liquidação do património de um devedor insolvente e
a repartição do produto obtido pelos credores, ou a satisfação destes
pela forma prevista num plano de insolvência.

Normalmente um cidadão comum "recorre à insolvência quando o crédito
já lhe foi cortado e não tem forma de pagar as dívidas existentes; ou
quando é alvo de uma penhora de vencimento não lhe permitindo ter
rendimento disponível para cumprir com as suas obrigações; ou quando
se depara com uma situação de desemprego e não tem forma de
sustentabilidade; ou quando contrai novos empréstimos para pagar
empréstimos já existentes recorrendo, nomeadamente, às financeiras de
crédito aprovado no imediato, criando uma espiral sem fim".

Como avança uma família para um processo de insolvência?

1) O processo de insolvência inicia-se com uma petição escrita
dirigida ao tribunal, sendo obrigatória a constituição de advogado. Na
petição são expostos os factos que contribuíram para a situação de
insolvência. "Os cônjuges podem apresentar-se conjuntamente à
insolvência, no caso de ambos se encontrarem em situação de
insolvência e se o regime de bens não for o da separação"

2) Com a declaração da insolvência "é decretada a imediata apreensão
dos bens. O devedor fica privado dos poderes de administração e de
disposição dos seus bens, que passam para o administrador de
insolvência".

Da insolvência culposa "resulta para o devedor a inabilitação durante
um período de dois a dez anos, a inibição para o exercício do comércio
e para ocupação de certos cargos públicos". No processo de
insolvência, as dívidas do insolvente poderão ser pagas através da
liquidação do seu património ou através de um plano de pagamentos, de
forma similar aos processos de insolvência das empresas.
No regime de insolvência das pessoas singulares há uma figura
designada por "exoneração do passivo restante", que permite a essas
pessoas que não conseguem solver as suas dívidas, não ficarem onerados
com as mesmas "ad eternum". "O pedido de exoneração do passivo
representa um "fresh start" para o devedor que seja pessoa singular,
permitindo-lhe a exoneração dos créditos sobre a insolvência que não
forem integralmente pagos no processo de insolvência ou nos cinco anos
posteriores ao encerramento deste, quando observadas certas
condições", acrescentou.

Durante os cinco anos subsequentes ao encerramento do processo de
insolvência, designado por período de cessão, o rendimento disponível,
ou seja, parte do rendimento que o devedor venha a auferir será cedido
a uma entidade, designada por fiduciário, escolhida pelo tribunal.
Será o fiduciário quem afectará os montantes recebidos, no final de
cada ano em que dure a cessão, ao pagamento das despesas do processo
ainda existentes, da sua própria remuneração e distribuição do
remanescente pelos credores da insolvência.

No rendimento que será objecto de cessão será acautelado o sustento
minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Metade dos investidores acredita que BCE vai imprimir dinheiro

Com a chegada em força da crise de dívida soberana a Itália e a Espanha, os responsáveis pelas estratégias de investimento dos maiores bancos mundiais começam a considerar cada vez mais provável que o BCE tenha de imprimir dinheiro para estancar a tempestade financeira. 49% dos 50 responsáveis inquiridos pela Reuters acredita que o BCE será forçado a optar pelo ‘quantitative easing' para responder à crise nos mercados de dívida. A maioria dos estrategas que acreditam nesta possibilidade considera provável que tal venha a acontecer em Março de 2012. No entanto, os últimos sinais vindos de Frankfurt não vêm nessa direcção. O BCE não tem elevado as compras de dívida no mercado secundário e o presidente Mario Draghi disse no início do mês que este programa é "temporário" e "limitado". Recorde-se que o BCE está, segundo o seu mandato, impedido de financiar os países do euro. Apesar disso são cada vez mais os economistas a defender que apenas o banco central poderá impedir uma catástrofe financeira na Europa. Uma das soluções que tem sido noticiada nos últimos dias é a possibilidade do BCE conceder empréstimos ao FMI que, por sua vez, abriria linhas de crédito aos países com dificuldade em se financiarem no mercado. Os economistas do RBC Capital Markets referiram num relatório a que o Económico teve acesso que esta solução "não seria um obstáculo à luz do artigo 23 dos estatutos do BCE, já que [o banco] pode ‘conduzir todos os tipos de transacções bancárias em relação a países terceiros e a organizações internacionais, incluindo operações de conceder e solicitar empréstimos". Apesar disto realçam que a ideia ainda é "teórica" e que provavelmente teria a oposição da Alemanha. A boa notícia é que 40 dos 50 inquiridos pela Reuters não acredita que existam mais resgates na zona euro semelhantes aos que aconteceram com a Grécia, Portugal e Irlanda

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As estratégias das mediadoras para vender casas

Interessante artigo do DE. A oferta ajusta-se à procura «Num período de recessão económica e de fecho de dezenas de mediadoras por mês, as empresas imobiliárias estão a ser mais selectivas tanto nos imóveis como nos clientes que representam. A angariação do comprador adequado para o imóvel a comercializar, o trabalho em rede, o apoio da Internet na partilha da informação interna e o cruzamento da oferta disponível com agentes de outras mediadoras constituem hoje condições essenciais ao sucesso das operações imobiliárias. O primeiro passo das mediadoras é angariar o imóvel adequado ao justo preço de mercado. "O grande desafio passa por definir muito bem a carteira de imóveis que hoje se ajusta à procura e às necessidades das famílias e investidores, com preços reais de mercado", nota o administrador da Century 21 para Portugal, Ricardo Sousa. Após essa fase de angariação do imóvel, é definida a estratégia de promoção. "Utilizam-se jornais, anúncios, revistas próprias, distribuição de ‘flyers' e a partilha nas redes sociais", testemunha a angariadora imobiliária da Remax, Saida Morais, ao Diário Económico. A Internet constitui actualmente uma eficaz ferramenta de trabalho para as mediadoras e com reduzidos custos. "O anúncio através de uma boa foto-reportagem e a descrição na Internet são um excelente cartão de visita. Sempre que se justifica, recorro a serviços de fotógrafos profissionais", explica ainda Saida Morais, nomeada em 2010 a segunda melhor agente da Remax. A criação de serviços inovadores constitui outra das apostas das redes internacionais. "O novo serviço ‘Já ERA Online' permite a compra e venda de imóveis pela Internet de forma rápida (em 30 dias), segura e eficaz, sem qualquer custo acrescido para o cliente", conta o director-geral da ERA, Miguel Poisson. Este serviço criativo já trouxe a Portugal a visita de outras filiais internacionais com o intuito da "implementação do modelo ‘online' nos seus mercados", sublinha ainda o gestor. Um segundo serviço está associado ao portefólio de casas penhoradas pela banca, num total de cinco mil imóveis. "O financiamento é até 100%, com ‘spread' competitivo (metade dos praticados no restante crédito), isenção de custos de avaliação e isenção das despesas de ‘dossier'", confere Miguel Poisson. Nessa linha de serviços, a Century 21 criou pacotes de imóveis a que lhes chamou ‘Bolsa de Arrendamentos', ‘Imóveis Anti-Crise da Banca' com financiamento a 100%, ‘Imóvel para o Negócio da sua Vida' - carteira de imóveis comerciais ideais para montar negócios de comércio de rua - e ‘Bolsa de Imóveis Agarre este Investimento', direccionado para investidores", descreve Ricardo Sousa. Na concorrência, os números não são muito diferentes. "Neste momento temos para comercialização mais de 4.500 imóveis, entre moradias, apartamentos, terrenos e lojas. Todos têm financiamento a 100%", garante a presidente executiva da Remax, Beatriz Rubio. São estes imóveis da banca que são mais vendidos pelas mediadoras, mas a banca ainda empresta a clientes. "Mesmo assim, continua a haver crédito, mas com maiores restrições", diz a gestora da rede de 220 lojas e três mil agentes em Portugal. Poder de compra do cliente Outra das regras das mediadoras é não perder tempo com quem não tem capacidade financeira. Para angariar o comprador ideal, Beatriz Rubio aplica regras muito claras e eficazes. "A ferramenta mais correcta é a qualificação do comprador. O agente consegue logo saber quais são as suas necessidades e o montante desejado de financiamento. Com estas informações, os agentes Remax conseguem cruzar o imóvel certo com o comprador certo", descreve a líder da rede de mediação internacional. Divórcios dominam operações No rol de circunstâncias que ditam a intervenção dos mediadores, as separações estão no topo dessa lista. "Os divórcios produzem três negócios: a venda do imóvel em comum do casal e a compra ou arrendamento para cada membro do casal. Seguem-se os clientes com necessidades de venda imediata, por dificuldades financeiras, ou incapacidade para suportar os encargos, clientes com o desejo de mudança de casa, face ao aumento ou diminuição do agregado familiar. Nestes últimos casos, os clientes já têm capacidade para partir para uma compra sem depender da venda do imóvel actual", frisa Saida Morais. Outra das opções crescentes é o arrendamento e as permutas de imóveis, face às vantagens fiscais e à dificuldade na venda do imóvel antigo. "Estamos a assistir a um aumento gradual de procura de arrendamentos e de arrendamentos com opção de compra", sustenta Beatriz Rubio, que recorda um pedido de uma celebridade dirigido a Portugal: "O ‘rapper' norte-americano Kanye West entrou numa agência Remax e pediu para comprar um palácio em Sintra! Infelizmente, não constava na nossa base de dados na altura..."»

Banca ou estados? Inquérito da Fitch relativo à situação dos mercados

Os investidores estão cada vez mais preocupados com o impacto da crise de dívida soberana no sistema financeiro. Segundo uma sondagem realizada pela Fitch, "os investidores estão mais preocupados acerca da capacidade de financiamento dos bancos. Quase metade dos inquiridos (49%) votaram na banca como o sector que enfrenta os maiores desafios de refinanciamento - ultrapassando os soberanos de mercados desenvolvidos pela primeira vez". Além disso, a perspectiva dos investidores sobre a resolução da crise não é famosa e que, mais cedo ou mais tarde a zona euro terá de evoluir para uma união orçamental. A Fitch refere que apenas 4% dos inquiridos espera um desmembramento da união monetária. No entanto, 29% temem vários incumprimentos por parte de estados membros. Os gestores também não estão confiantes no andamento da economia mundial. 70% dos inquiridos acredita que o risco de uma recaída em recessão é "elevado", uma forte subida em relação aos números dos últimos trimestres, refere a Fitch. A agência realiza esta sondagem trimestralmente. O estudo teve como base a opinião de 82 especialistas (executivos, gestores de fundos de obrigações, chefes de análise de obrigações e analistas de crédito) que, no seu conjunto, gerem activos de taxa fixa no valor de 5,8 biliões de dólares.

Vendas de casas de luxo com queda entre 10 e 15%

O mercado imobiliário de luxo registou em 2010 um decréscimo, entre 10
e 15%, no número de transacções concluídas bem como nos valores médios
das vendas.

De acordo com o estudo elaborado pela consultora Prime Yield e pela
imobiliária Fine & Country, "o mercado sente, agora, um dinamismo
bastante reduzido, tendo observado, em 2010, decréscimos quer no
número de transacções concluídas quer nos valores médios das vendas,
com quedas entre os 10 e os 15%".

"O mercado de 'resorts' turísticos de luxo apresentou, em 2010 e no
primeiro semestre de 2011, à semelhança do mercado imobiliário, uma
tendência generalizada de contracção, influenciado pelas condições
económicas e financeiras adversas e pelas crescentes restrições de
acesso ao crédito, quer a nível nacional quer internacional", explica
o estudo hoje divulgado.

Segundo o "The Luxury Tourist Resort Property Market", "diversos
projectos em carteira acabaram por ser reavaliados e as decisões de
avançar com a promoção congeladas, com os promotores a apresentarem
uma postura mais cautelosa e a reformularem os seus investimentos de
forma a adequarem os produtos à nova realidade económica e a um
consumidor mais cauteloso e constrangido em termos de recursos
financeiros".

Apesar do arrefecimento do mercado português de imobiliário de luxo, o
estudo ressalva que "os preços do imobiliário mantiveram-se
consolidados no Triângulo Dourado, formado por Vale do Lobo, Quinta do
Lago e Almancil", a zona de 'resorts' mais cara de Portugal, superando
a barreira dos três milhões de euros em 2010.

O director da Fine & Country, especializada na comercialização de
imobiliário residencial de luxo, Alberto Pinheiro, considera que "2010
e os primeiros meses de 2011 confirmaram a tendência que começou a
revelar-se em 2009, marcada pelo abrandamento do volume de oferta em
construção bem como de uma abordagem mais cautelosa aos projectos
ainda em fase de planeamento".

Por seu lado, o director da Prime Yield em Portugal, especialista em
avaliação imobiliária, José Velez, realçou que "Portugal tem um
mercado de imobiliário de 'resorts' especialmente resistente, dado ser
menos exposto às variações dos ciclos imobiliários, tendo em conta as
suas características e vantagens naturais, mas também devido à
qualidade de construção e design".

In DE

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Parlamento Europeu aprova regras para travar especulação sobre a dívida soberana

O Parlamento Europeu aprovou hoje um regulamento que proíbe a venda a
descoberto de seguros contra o risco de incumprimento (CDS) de
soberanos. Interdição deve entrar em vigor em Novembro de 2012.
O regulamento hoje aprovado visa tornar mais difícil a especulação
sobre a dívida soberana de um país. A nova legislação tem por
objectivos ainda aumentar a transparência e permitir aos reguladores
detectar mais facilmente riscos no mercado de dívida.

O regulamento, que deverá ser aplicável a partir de Novembro de 2012,
vai apertar as regras sobre as vendas a descoberto e sobre os swaps de
risco de incumprimento (credit default swaps, ou CDS), tidos como
responsáveis pela volatilidade e reacção exagerada dos mercados,
especialmente em períodos de instabilidade financeira, e pelo
agravamento dos problemas na Grécia.

"Estas regras provam que a UE pode agir contra a especulação quando
existe vontade política. Este regulamento fará com que seja impossível
comprar CDS com o único intuito de especular sobre o default de um
país", disse o relator do Parlamento Europeu, o francês Pascal Canfin,
do grupo "Os Verdes".

Visto que a participação em transacções de CDS soberanos sem uma
exposição subjacente ao risco de desvalorização do instrumento de
dívida soberana pode ter um impacto negativo na estabilidade dos
mercados de dívida soberana, será proibido tomar tais posições não
garantidas em CDS.

Ainda de acordo com o comunicado enviado pelo Parlamento Europeu, o
novo regulamento permite ainda que, aos primeiros sinais de que o
mercado de dívida soberana não esteja a funcionar convenientemente, a
autoridade reguladora nacional possa suspender temporariamente (12
meses, no máximo) essa restrição com base em "elementos objectivos",
como uma taxa de juro da dívida soberana elevada ou crescente, o
alargamento do spread da taxa de juro da dívida soberana em relação à
dívida soberana de outros emitentes soberanos.

As medidas relacionadas com a dívida soberana e com os CDS soberanos,
incluindo mais transparência e restrições às vendas a descoberto sem
garantia de detenção dos activos, devem impor "requisitos que sejam
proporcionados e que simultaneamente evitem um impacto adverso sobre a
liquidez dos mercados", estabelece o regulamento.

In J. de Negócios


Eu pergunto agora: essa proibição é feita apenas no mercado europeu?
Quem impede os investidores de negociar estes instrumentos em
plataformas fora da UE?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

BCP vende 411 casas a 'preços de saldo'

«Mês do Imobiliário Millennium é um novo negócio do banco Millennium bcp que tem como objectivo apostar na comercialização dos seus imóveis. Com o slogan ‘M Imóveis’, a instituição financeira vai promover durante um mês uma campanha de comercialização com preços muito vantajosos, envolvendo quatro praças comerciais em Portugal (Norte, Centro Norte, Centro Sul e Sul), 142 sucursais de 16 cidades e cerca de 60 mediadores. No total serão 411 imóveis postos à venda. As promoções consistem em descontos que vão de 10% a 20% do valor de venda autorizado para habitações e até 30% noutros tipos de propriedade. No final, o banco espera um retorno de capital na ordem dos 36 milhões de euros.» In Sol

França prolonga proibição de "short selling" por mais três meses

O Ministros das Finanças francês vai prolongar a proibição das vendas curtas para "desencorajar práticas especulativas" em 10 acções do sector financeiro. “A proibição do ‘short selling’ é uma forma de desencorajar práticas especulativas”, disse o responsável francês numa declaração por e-mail citada pela Bloomberg . Não haverá algo de errado aqui? Não deveria de existir independência entre o governo e o regulador (AMF)? Terá esta medida algum mérito? A proibição foi imposta a 11 de Agosto, tornando-se efectiva a partir do dia seguinte. Desde aí, as acções do Crédit caíram 23% até ao fecho de ontem, enquanto as do Société Générale perderam 25%. O índice europeu da banca desceu 13% desde 12 de Agosto, ou seja, substancialmente menos que os títulos franceses. Um estudo de Carlos Alves indica que as vendas curtas são benéficas para o mercado, desde que respeitem as regras, porque contribuem para uma “maior eficiência do processo de formação de preços”.

BPI é o banco mais exposto à dívida pública italiana

Os maiores bancos portugueses têm 1,032 mil milhões de euros de exposição à dívida pública de Itália. Este montante está quase todo no balanço do banco BPI. BPI --> 972 milhões de euros BCP --> 50 milhões de euros Caixa Geral de Depósitos e BES --> 0.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Arrendamento subiu 6,3% numa década

«A maioria dos alojamentos arrendados paga uma renda superior a 200
euros. Quase metade dos contratos de arrendamento são posteriores a
2005, revela o INE.
Desde 2001, o parque habitacional arrendado cresceu 6,3%, sendo que
46,9% dos contratos de arrendamento foram celebrados entre 2006 e
2011. Os dados ainda preliminares resultantes do Census 2011 realizado
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam variações muito
díspares, com Açores (+41,5%), Madeira (+27,3%) e Algarve (+27,5%) a
registarem crescimentos muito significativos no arrendamento. A região
que menos cresceu foi o Alentejo com 0,5%.
O valor mensal da renda da maior parte dos alojamentos arrendados, a
nível nacional, situa-se nos escalões acima de 200€ (54,6%). Contudo,
6,8% desses alojamentos pagam menos de 20€, com destaque para o
Alentejo onde este peso corresponde a 11% dos alojamentos arrendados.
Verifica-se que as regiões da Madeira, Norte e Alentejo são aquelas em
que o peso das rendas inferiores a 200€ é mais elevado,
respectivamente 54,8%, 53% e 50,3%. Em contrapartida, na região de
Lisboa 9,6% dos alojamentos arrendados apresentam uma renda superior a
650€. Os Censos 2011 apuraram ainda que os alojamentos vagos para
arrendar passaram de 80 094 em 2001 para 110 207, a que corresponde um
crescimento de 37,6%. O total de alojamentos vagos para arrendar, face
ao total de alojamentos familiares, assume a sua maior expressão na
região do Algarve com 3,2%. É também nesta região que os alojamentos
vagos para arrendar assumem a maior expressão relativamente ao total
de alojamentos vagos (24,3%). Na região de Lisboa, estas situações
representam, respectivamente, 2,2% e 17,4%.»

Conselhos obtidos ao balcão justificam maioria das escolhas de produtos bancários

«Dos portugueses inquiridos pelo Banco de Portugal só uma pequena
percentagem afirma que a escolha dos produtos bancários resultou da
comparação entre produtos de várias instituições financeiras.
"Questionados sobre as razões subjacentes à escolha dos produtos
bancários que possuem, 54% dos entrevistados apontam como factor de
escolha o conselho obtido ao balcão onde têm conta", revela o
Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa.

O conselho de familiares ou amigos é a razão apontada por 25% dos
inquiridos, sendo que "apenas 8% dos entrevistados mencionam a
comparação entre várias alternativas como factor determinante no
processo de escolha do produto bancário".

O aconselhamento junto de entidades especializadas é mencionado apenas
por 5% dos inquiridos, quase tanto como aquele que é conseguido na
Internet ou através da televisão, segundo o Banco de Portugal.»

J. de Negócios


Note-se que os funcionários dos balcões sofrem de um forte conflito de
interesses. O seu desempenho (os seus bónus e prémios) dependem dos
produtos subscritos pelos clientes. Assim, têm todo o interesse em
vender o máximo. Mais ainda, vão encaminhar os clientes para os
produtos que lhes proporcionam maiores bónus ou que lhes permitam
atingir mais objectivos comerciais, mesmo que não se adequem ao
cliente.
Mais problemático é quando esses funcionários vendem aos clientes
produtos bancários que nem eles próprios compreendem, o que acontece
mais frequentemente do que se pensa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Imposto sobre mais-valias duplica para os fundos portugueses

Os fundos portugueses tinham escapado ao aumento do imposto sobre as
mais-valias. A taxa sobe de 10% para 21,5% a partir do próximo ano.
Quando o Governo aumentou o imposto sobre as mais-valias de 10% para
20%, em Julho de 2010, deixou de fora os fundos de investimento
portugueses. Isso permitia aos aforradores continuarem a beneficiar do
regime fiscal antigo, desde que confiassem as poupanças a um gestor. A
proposta de Orçamento do Estado para 2012 acaba com esta excepção.

Para um indústria já hoje moribunda, este é mais um prego no caixão.

Crédito malparado dispara em Angola

Afinal não é só em Portugal.

Entre 2009 e 2010 o crédito malparado na banca angolana praticamente
duplicou. Os dados são de um estudo elaborado pela KPMG e intitulado
'Análise ao sector bancário angolano'. e cujos resultados foram
apresentados ontem em Lisboa.

Segundo as informações recolhidas pela consultora, em 2010 o crédito
vencido nos 23 bancos angolanos disparou 79,6%, o que significa que o
rácio de crédito vencido sobre o crédito total se fixou nos 5,1%.

Já em termos de eficiência, a KPMG nota que a evolução do
'cost-to-income' foi, globalmente, negativa, com um aumento de dez
pontos percentuais entre 2009 e 2010, para 49,7%. Uma subida
justificada pelo aumento dos custos operacionais, derivados da
abertura de mais balcões e consequente aumento do número de
funcionários - o sector bancário angolano emprega, actualmente, mais
de 11.000 pessoas. E numa altura em que as financeiras europeias
enfrentam dificuldades devido à crise que assola a região, eis que as
instituições angolanas surpreendem com uma atractiva Rentabilidade dos
Capitais Próprios (ROE), que em 2010 se fixou nos 30,3%. Um valor que
foi, ainda assim, penalizado pelo aumento dos custos de estrutura,
nota a KPMG no mesmo estudo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As 10 maiores falências de sempre nos EUA

- Lehman Brothers, Setembro de 2008. Activos: 691 mil milhões de dólares - Washington Mutual, Setembro de 2008. Activos: 328 mil milhões de dólares - WorldCom , Julho de 2002. Activos: 104 mil milhões de dólares - General Motors, Junho de 2009. Activos: 91 mil milhões de dólares - CIT Group, Novembro de 2009. Activos 80 mil milhões de dólares - Enron, Dezembro de 2001. Activos: 65 mil milhões de dólares - Conseco, Dezembro de.2002. Activos: 61 mil milhões de dólares - MF Global, Outubro de 2011. Activos: 41 mil milhões de dólares - Chrysler, Abril de 2009. Activos: 39 mil milhões de dólares - Thornburg Mortgage, Maio de 2009. Activos: 36 mil milhões de dólares Fonte: AP, BankruptcyData.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Agências dão melhor "rating" a quem paga mais

As agências de "rating" tendem a ser mais optimistas quanto à dívida
das empresas, a quem cobram mais do que aos Estados.
As agências de "rating", nomeadamente as três norte-americanas
dominantes, sempre afirmaram que têm um critério único para avaliar
todos os tipos de activos de crédito. Todavia, um estudo das
Universidades do Illinois e de Houston vem demonstrar que dívida de
Estados, de empresas ou produtos estruturados recebem tratamentos
diferentes. As agências tendem a dar piores notações aos Estados e aos
emitentes municipais, precisamente aqueles a quem cobram menos pelo
serviço.

Os três académicos que elaboraram o estudo "Credit Ratings Across
Asset Classes: A=A?" partiram dos "ratings" da Moody's para concluir
que as obrigações emitidas por países ou cidades, a quem são cobrados
"honorários" inferiores em cerca de metade face às das empresas, são
analisadas "de forma mais dura".

Enquanto que Estados com "rating" "A" não tiveram quaisquer situações
de incumprimento ao longo de um período de análise de 30 anos, cerca
de 1,8% da dívida de empresas e 27,2% dos activos colateralizados por
créditos hipotecários entraram em "default", sendo que esses contavam
com a mesma notação "A".

Os académicos constataram também que a dívida empresarial, que em
média recebe um "rating" inicial de "Baa2", tem uma probabilidade de
30% de vir a ser revista em baixa e 20% de ser revista em alta. Já os
emitentes soberanos têm três vezes mais probabilidades de ver os seus
"ratings" revistos em alta do que em baixa.

O estudo argumenta que essas divergências podem estar relacionadas com
os valores cobrados a cada tipo de emitente. Para dar um "rating" a
uma emissão de 500 milhões de dólares por uma empresa, a Moody's cobra
cerca de 250 mil dólares. Já se for, por exemplo, um Estado
norte-americano a emitir o mesmo montante em dívida, a Moody's cobra
menos de metade, algo como 115 mil dólares.

sábado, 29 de outubro de 2011

Haircut da dívida é um “evento de crédito”

A agência de notação financeira Fitch defende que a participação do
sector privado numa operação de reestruturação da dívida grega, como
uma operação de 'haircut', será reconhecida como um "evento de
crédito".

Esta decisão deverá ter fortes repercussões ao nível do mercado dos
'credit default swaps' (CDS), dado que uma situação de 'default'
permitirá aos seus detentores accionarem estes instrumentos
financeiros, que os seguram de um eventual incumprimento do emitente
obrigacionista.

Segundo estimativas da DTCC, uma instituição que opera como
intermediário na negociação destes contratos, o montante actual de
'contract default swaps' (CDS) líquidos em negociação sobre obrigações
gregas é de 2.617 milhões de euros.

Contudo, este montante poderá, mesmo assim, não ser exercício. Isto
porque, segundo David Geen, director executivo da associação
internacional de derivados e 'swaps' (ISDA), poderá dar-se o caso de
mesmo numa situação de 'default' das obrigações declarada pelas
agências de 'rating' os CDS sobre esses títulos poderem não ser
exercidos.

Este cenário poderá ocorrer porque os critérios utilizados pelas
agências de 'rating' para classificarem as obrigações são diferente da
utilizada pelo mercado obrigacionista e diferente da utilizada na
avaliação dos CDS.

Ainda ontem, a ISDA referiu que se "o perdão da dívida grega" for
verdadeiramente voluntário por parte dos investidores, o 'haircut' não
será considerado um "evento de crédito". Se assim for, é provável que
os CDS não sejam accionados, apesar de as agências de 'rating' terem
uma opinião contrária

Angolanos que invistam em empresas cotadas ficam isentos

O novo Orçamento concede isenção às mais-valias conseguidas por
investidores. No ano em que sobe IRS, IMI e IVA, o Governo aposta tudo
na atracção de investimento estrangeiro. Angola é um exemplo.

Parece que este governo tem um problema com os investidores e
trabalhadores portugueses. Privatizações são para estrangeiros,
Benefícios fiscais só para estrangeiros.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Banco de Portugal penaliza rácios dos bancos que ofereçam "superdepósitos"

Aplicações que ofereçam um juro 300 pontos superior ao do mercado vão
ser penalizadas nos rácios de capital. Esta medida entra em vigor a 1
de Novembro.
O Banco de Portugal vai travar a escalada dos juros nos depósitos a
prazo. Aprovou hoje medidas nesse sentido, que passam por obrigar a
uma dedução aos fundos próprios dos bancos que pratiquem taxas que
superem em 300 pontos base os juros do mercado.

Passou a estar prevista "uma dedução aos fundos próprios que relevam
para o cômputo do rácio 'core Tier 1', em relação com os depósitos
contratados com taxa de remuneração acima de um dado limiar", refere o
regulador.

As instituições financeiras que praticarem juros acima da "taxa de
mercado monetário interbancário da moeda adicionado de um 'spread' de
300 pontos base" vão ser penalizados, de acordo com o Banco de
Portugal.

"O montante a deduzir a fundos próprios será calculado em função do
montante dos depósitos" com remuneração acima deste limiar, "dos
respectivos prazos e do diferencial da taxa de remuneração face a esse
limiar", sublinha.

O Banco de Portugal diz que "esta nova disposição abrange as
instituições de crédito sedeadas em Portugal autorizadas a captar
depósitos, bem como as sucursais", incidindo sobre operações de
"depósito realizadas ou renovadas a partir de 1 de Novembro".

Com esta medida, o regulador quer travar a subida das taxas. "Ao longo
dos últimos meses tem-se verificado uma subida progressiva das taxas
de remuneração oferecidas pelos bancos na captação de depósitos",
refere o regulador em comunicado.

"Por entender que esse movimento das taxas dos depósitos envolve
riscos acrescidos para as instituições e, em última instância, para o
conjunto do sistema financeiro", Carlos Costa avançou com esta
penalização, que incide sobre os rácios de capital.

Bancos vendem casas penhoradas no centro das cidades

Esta é uma notícia do DE:

«A oferta de imóveis penhorados pela banca nos grandes centros
urbanos, Lisboa e Porto, está a aumentar. Boas notícias para quem quer
aproveitar as condições de financiamento excepcionais oferecidas
nestes imóveis, sem prescindir de morar no centro da cidade. Na ReMax,
e desde o início do ano, a oferta de imóveis penhorados pela banca
aumentou 40% em Lisboa e mais de 50% no Porto.

"Efectivamente existem já imóveis na carteira de penhoras dos bancos
em todas as zonas dos principais centros urbanos. Naturalmente,
registam-se mais imóveis nas periferias das principais cidades, em
segmentos mais baixos", refere Ricardo Sousa, administrador da Century
21 Portugal.

Até há pouco tempo um dos principais constrangimentos deste tipo de
oferta centrava-se no facto da maioria dos imóveis penhorados pela
banca situar-se fora dos centros urbanos, nomeadamente na periferia.
No entanto há também quem alerte que esta oferta já existia,
simplesmente é escoada mais depressa: "Sempre houve casas para venda
nos principais centros urbanos.Naturalmente que as melhores
localizações têm um potencial de venda muito maior, têm maior procura,
sendo vendidas muito mais rapidamente", nota a leiloeira Luso-Roux.
Uma tendência que os especialistas crêem ser para aumentar: "A oferta
está a aumentar e a tendência será para manter este registo", diz
Paulo Fernandes, Director-Geral da Fitamétrica.

Ricardo Sousa da Century 21 adianta ainda que: "Se tivermos em conta
que o processo de adjudicação de um imóvel, desde o incumprimento do
proprietário (...) até o banco poder iniciar a venda, demora entre
dois a quatro anos, e que os picos de incumprimento no crédito
iniciaram-se em 2008, é expectável que este tipo de oferta vá
certamente aumentar". E não só nos centros urbanos. Atendendo ao
universo total de casas penhoradas, o BCP estima que este ano o número
de imóveis colocado à venda pelo banco aumente 15% a 20% face a 2010.

Além da oferta habitacional nos concelhos de Lisboa e Porto, o BCP
alerta para o crescente número de fracções comerciais disponíveis nos
centros urbanos, "nomeadamente lojas de rua e de centros comerciais,
têm vindo a aumentar".»

A ser verdade, para quem tem cash é muito bom. Todavia, quem necessita
de empréstimo bancário acaba por ficar na mesma situação. Reduz-se o
preço do imóvel, mas aumenta em sentido proporcional os juros pagos,
de forma a que a prestação não se altera muito. A não ser que o banco
faça um spread promocional...

Bruxelas quer dispensar contas trimestrais

Uma proposta da Comissão Europeia liberta as empresas cotadas,
incluindo as pequenas e médias empresas (PME), de prestar informação
financeira trimestral".
De facto, a actual obrigação de apresentação trimestral de contas tem
um maior peso para as PME, e a Comissão Europeia considera que é
nestas que a poupança obtida com a simplificação das regras
contabilísticas e administrativas será maior. As empresas portuguesas
estão entre as principais beneficiadas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Taxas de juro astronómicas

As taxas de juro pagas pelos banco estão em níveis muito elevados. Se as Euribor estão abaixo de 2%, temos bancos que pagam mais de 6% a 1 ano. Veja-se por exemplo o caso do Finantia, que me chamou à atenção por não serem depósitos promocionais: «Depósito a Prazo 6 Meses Finantia Rendimento 6,00% TANB, com pagamento mensal de juros e não mobilizável antecipadamente. Os montantes mínimo e máximo são respectivamente de 50.000€ e 1.000.000€; » Para conseguir remunerar estas aplicações, quanto terá que exigir o Finantia nas suas taxas de juro activas? "As coisas que parecem ser boas demais, às vezes são". Ou já alguém se esqueceu o que sucedeu no BPN e no BPP?

domingo, 23 de outubro de 2011

Banqueiros portugueses na segunda divisão das remunerações na Europa

Os principais banqueiros portugueses são dos que menos recebem em salários na Europa, mas mesmo assim estão à frente dos dinamarqueses, noruegueses, holandeses e belgas, refere um estudo de analistas da consultora Alphaville. O documento, noticiado hoje no jornal diário francês Le Parisien, indica que os executivos dos principais bancos portugueses receberam em 2010, em média, cerca de 845 mil euros por ano, estando em nono lugar num ranking que inclui treze países. A lista dos mais bem pagos banqueiros europeus é liderada pelos britânicos (5,7 milhões de euros anuais), logo seguido dos suíços (4,4 milhões) e dos espanhóis (3,7 milhões). A seguir aos banqueiros espanhóis, situam-se os máximos responsáveis dos bancos alemães (3,3 milhões), italianos (1,9 milhões), suecos (1,3 milhões), austríacos (1,2 milhões), franceses (865 mil euros) e portugueses, de acordo com o estudo. A lista dos treze países estudados fecha com os dinamarqueses, com 796 mil euros, os holandeses (623 mil euros), os noruegueses (537 mil euros) e os belgas (250 mil euros). Em todos estes países as remunerações do trabalho são em média substancialmente superiores às praticadas em Portugal. Individualmente, a maior remuneração pertence a Robert Diamond, presidente do Barclay’s, com 11,5 milhões de euros, logo seguido de Brady Dougan, do Crédit Suisse, com 9,2 milhões, Alfredo Sáenz, do Santander, com 7,9 milhões, e Stuart Gulliver, de HSBC, com 7,2 milhões. O estudo refere ainda que, em alguns casos, uma parte do dinheiro, para além do salário propriamente dito, é pago com acções atribuídas aos executivos. Essas acções representaram, por exemplo, 7,8 milhões de euros da remuneração de Robert Diamond.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crédito malparado das famílias atinge taxa recorde

Os empréstimos concedidos pela banca portuguesa às famílias
representavam 140,8 mil milhões de euros em Agosto; destes, 4.517
milhões (ou 3,2 por cento) são considerados de cobrança duvidosa.

A taxa de 3,2 por cento para o crédito malparado a particulares é a
mais alta desde que há registo nas tabelas do Boletim Estatístico do
BdP, cujos dados mais antigos são de Dezembro de 1997.

O crédito a particulares - que inclui o crédito à habitação (80,9 por
cento do total), o crédito ao consumo (10,7 por cento) e para outros
fins (8,4 por cento) - cresceu 0,2 por cento em Agosto relativamente
ao mesmo mês do ano passado. Este crescimento ocorreu apenas no
crédito à habitação (mais 1 por cento), enquanto o crédito ao consumo
teve uma queda homóloga de 3,7 por cento.

O peso dos créditos malparados é mais significativo no crédito ao
consumo e para outros fins (onde atinge taxas próximas dos 10 por
cento), mas também está a subir no crédito à habitação - onde, numa
massa total de 113,9 mil milhões de euros, 2.057 milhões são créditos
de cobrança duvidosa.

Com o recente aumento de impostos e redução de salários até onde
poderá chegar o mal-parado?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fitch espera pico de crédito malparado em 2013

A agência Fitch alertou esta quinta-feira para um pico do crédito
malparado em Portugal em 2013, uma situação que se deve agravar já na
segunda metade de 2011 e manter-se em deterioração até daqui a dois
anos.

«É esperada a continuação da contracção dos empréstimos e os créditos
de cobrança duvidosa devem aumentar devido a uma economia
enfraquecida, que está em si própria altamente endividada», escreveu a
agência de notação financeira num relatório acerca das perspectivas do
sector bancário português para 2012.

A Fitch disse esperar um agravamento do crédito malparado face aos
empréstimos totais concedidos na segunda metade de 2011, com um pico a
ter lugar em 2013, mais especificamente nos sectores das pequenas e
médias empresas, na construção e no imobiliário.

Ainda assim, a agência lembrou que os maiores bancos nacionais
mostraram «apenas uma deterioração modesta nos indicadores de
qualidade no primeiro semestre de 2011, apesar do aprofundamento da
recessão em Portugal e do processo de desalavancagem».

«Os créditos de cobrança duvidosa no retalho também aumentaram [na
primeira metade de 2011], mas dada a sua granularidade, o impacto nos
níveis de crédito de cobrança duvidosa foi menos grave. Numa nota
positiva, a ausência de um «boom» económico e de imobiliário durante a
pré-crise em Portugal preveniu uma rápida deterioração da qualidade
dos bens dos bancos», referiu a Fitch.

A agência de notação afirmou que estima que o rácio entre créditos de
cobrança duvidosa e o total pode até vir a duplicar para a maior parte
dos bancos.

UE quer proibir avaliações a Estados das agências de 'rating'

«A União Europeia (UE) quer proibir as agências de 'rating' de avaliar
Estados, noticia hoje o matutino alemão Financial Times Deutschland,
que teve acesso a um projeto ainda confidencial do comissário europeu
para o mercado interno, Michael Barnier.
No projecto de reforma da lei sobre as agências de 'rating', Barnier
propõe que a nova agência europeia de supervisão de títulos bolsistas,
a ESMA, passe a ter o direito de «proibir temporariamente» a
publicação de avaliações sobre a solvibilidade financeira dos Estados.

A Comissão Europeia quer ver esta proibição aplicada sobretudo a
Estados que negociaram ajudas externas com a União Europeia ou com o
FMI.»

In Sol

Agora imaginem o ridículo. Uma das grandes agências tem agendada uma
publicação de um relatório. A ESMA CENSURA essa publicação. Como
reagirão os mercados a essa decisão? "De certeza que se tratam de más
notícias!" .

Isto resolve alguma coisa? Ainda aumenta a incerteza.

E não se pretende que a ESMA seja independente do poder político?

Srs políticos, pensei antes de falar!!!!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Comissão Europeia está a investigar fixação da taxa Euribor

Iniciativa europeia integra-se numa investigação mundial sobre
eventual manipulação das taxas de juro interbancárias que servem de
referência a biliões de contratos de empréstimo. Vários bancos
europeus viram documentos apreendidos.
A Comissão Europeia está a investigar a forma como os 40 bancos
europeus fixam diaramente a taxa de juro "benchmark" europeia, a
Euribor, que serve de referência a biliões de empréstimos e outros
instrumentos de dívida concedidos na Zona Euro. Ontem, foram
apreendidos documentos em várias instituições financeiras, incluindo
"um grande banco francês" e um "grande banco alemão", cujos nomes não
foi possível apurar.

A notícia está a ser avançada esta manhã pelo "Wall Street Journal",
que sublinha que esta investigação não parte apenas da instituição
liderada por Durão Barroso, mas integra-se numa outra, muito mais
ampla, que já está em andamento há cerca de um ano, movida por
procuradores norte-americanos, japoneses e europeus.

Essa investigação quer apurar se os bancos se concertaram para
manipular a taxa Libor, a taxa "benchmark" britânica, que é mais usada
que a Euribor e tem impacto sobre biliões de dólares em empréstimos e
produtos derivados. As incursões da equipa da Concorrência da Comissão
Europeia, liderada pelo comissário Joaquín Almunia, centraram-se em
Londres e noutras cidades europeias, que o jornal não identifica. O
"WSJ" diz que, em Londres, os funcionários europeus chegaram à
instituição bancária sem aviso prévio, uma vez que têm o poder para
fazer visitas surpresa e apreender documentos quando haja suspeitas de
que a lei da concorrência não está a ser respeitada.

UBS e Barclays estão a ser investigados

Oficialmente, a Comissão Europeia não quis comentar. Um executivo de
um dos bancos visados pela investigação disse tratar-se "mais de uma
visita do que de uma incursão". O painel de fixação da taxa Euribor
inclui alguns dos maiores bancos da Europa e estas visitas-surpresa
servem, provavelmente, para a Comissão ficar a perceber como funciona
a mecânica da taxa.

A investigação-mãe, sobre a taxa Libor, já deu origem a 20 processos
nos Estados Unidos, interpostos por investidores que alegam
manipulação das taxas de juro. Os bancos têm contestado as queixas. As
autoridades japonesas também estão a verificar como é que a taxa de
Tóquio – Tibor – é fixada.

Um dos objectivos da investigação é apurar se os bancos subestimaram
as suas despesas com créditos, bem como se houve especulação sobre
movimentos cambiais futuros. Em Julho, o banco suíço UBS ganhou
imunidade parcial por colaborar na investigação sobre a sua
participação na fixação da Libor e Tibor. O britânico Barclays também
está a ser investigado.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A agência de notação financeira Moody’s decidiu cortar o "rating" de Espanha

A agência de notação financeira Moody’s decidiu cortar o "rating" de Espanha em dois níveis para "A1" e manteve o "outlook" negativo, o que significa que poderão ocorrer novos cortes. A agência de notação explica que o corte se deve "ao contágio potencial" e "às fragilidades da economia". “Espanha continua vulnerável às tensões do mercado”, sublinha a Moody’s no seu relatório, dizendo que desde que colocou o rating da dívida pública de Espanha sob revisão, no final de Julho, “não surgiu uma única resolução credível para a actual crise da dívida soberana e (…) vai demorar tempo até ser plenamente restabelecida a confiança na coesão política da Zona Euro e nas perspectivas de crescimento”. Outro dos factores que levou ao corte da dívida soberana espanhola prende-se com o facto de as perspectivas de crescimento para o país, “já de si moderadas”, terem diminuído. Isto aconteceu devido ao deteriorar das perspectivas de crescimento para a Europa e resto do mundo, devido à difícil situação de financiamento para o sector bancário e ao seu impacto na economia mais abrangente. “Especificamente, a Moody’s prevê agora que o crescimento do PIB real de Espanha em 2012 seja, na melhor das hipóteses de 1%, contra a anterior estimativa de 1,8%. (…) Para os anos seguintes, a Moody’s continua a prever um ritmo muito moderado de crescimento, em torno de 1,5% ao ano, em média”, acrescenta o comunicado. O terceiro e último grande factor apontado pela agência de notação financeira tem a ver com o facto de “o menor crescimento económico levar, por sua vez, a que a concretização das ambiciosas metas orçamentais sejam ainda mais desafiantes para Espanha”. “A Moody’s prevê que o défice orçamental para o sector público espanhol fique acima da meta, tanto este ano como no próximo. Muito em particular, a Moody’s continua a ter sérias preocupações em torno da situação de financiamento dos governos regionais [comunidades autónomas] e da sua capacidade para reduzirem os respectivos défices orçamentais conforme estipulado nos objectivos definidos”, salienta a agência. Ainda no comunicado, a agência refere que foram estas mesmas motivações que levaram a que cortasse recentemente os "ratings" da dívida soberana de Itália e da Bélgica. In JdeNegócios

UE proíbe negociação de CDS a descoberto

A União Europeia pretende proibir a compra de seguros contra o incumprimento da dívida soberana (CDS) que não se detenham em carteira. A União Europeia (UE) chegou hoje a acordo para a criação de uma lei que vai proibir a negociação dos 'naked sovereign Credit Default Swap (CDS)' numa tentativa de limitar aquilo que alguns responsáveis políticos vêem como apostas de alguns 'hegde funds' na crise da zona euro. "É um acordo muito ambicioso que fortalece a estabilidade financeira", afirmou Michael Barniers, o comissário europeu para os Serviços Financeiros, citado pela Reuters. «Um 'naked sovereign CDS' é um CDS diferente do normal, uma vez que o investidor não detém as obrigações associadas. Ou seja: se um investidor comprou uma obrigação do Tesouro português a 5 anos, por exemplo, pode proteger-se comprando o CDS que o protege contra o eventual incumprimento dessa obrigação. Trata-se assim de uma situação normal. Mas se o investidor só comprar o CDS sem ter a obrigação em carteira, trata-se de 'naked sovereign CDS'. No fundo, é uma negociação de CDS a descoberto.» In DE A lei, que inclui ainda condições e requisitos de informação nas vendas de acções a descoberto, terá efeitos a partir de 1 de Novembro de 2012.

S&P corta 'rating' de 24 bancos italianos

A S&P voltou a "atacar", reduzindo o 'rating' de 24 bancos e instituições financeiras de Itália, depois de uma revisão das implicações de um ambiente macroeconómico e financeiro pior do que o antecipado anteriormente para os bancos italianos. "Na nossa opinião, as tensões renovadas nos mercados na periferia da zona euro, particularmente em Itália, e o agravamento das perspectivas de crescimento conduziram a uma maior deterioração do ambiente onde operam os bancos italianos", explica a S&P em comunicado divulgado esta tarde. A agência de 'rating' antecipa que os custos de financiamento para os bancos vão aumentar visivelmente devido à subida dos juros da dívida soberana italiana. "Além disso, os custos de financiamento mais elevados tanto para os sectores bancário como empresarial devem resultar em condições de crédito mais restritivas e uma actividade económica mais fraca no curto/médio prazo", diz a S&P. Entre as instituições que sofreram 'donwgrades' encontram-se o Banca Popolare dell'Alto Adige, o Banca Popolare di Milano e o Unione di Banche Italiane. Na semana passada foi a Fitch que cortou o 'rating' de 12 bancos europeus e colocou sob vigilância negativa outras 11 instituições devido ao agravamento das condições do sector financeiro. A agência de notação financeira também deu como exemplo o agravamento do ambiente macroeconómico no continente e a recente evolução da estrutura de negócio da banca.

BdP obriga bancos a reconhecer perdas de 21% com dívida grega

Os bancos portugueses com exposição à dívida pública grega - BCP, BPI
e CGD - tiveram de reconhecer perdas de 21% naqueles investimentos nas
contas relativas a 30 de Setembro último, com impacto nos rácios de
capital.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Depósitos no Deutsche Bank fora do Fundo de Grantia de Depósitos português

«Em face do cancelamento do registo junto do Banco de Portugal do
Deutsche Bank (Portugal), S.A.,
decorrente da fusão transfronteiriça dessa instituição no Deutsche
Bank Europe GmbH e realizado no
âmbito do processo de transformação daquele banco em sucursal do
Deutsche Bank AG, ocorreu
automaticamente, por força da aplicação do artigo 156.º do Regime
Geral das Instituições de Crédito e
Sociedades Financeiras, a cessação da participação dessa instituição
de crédito no Fundo de Garantia de
Depósitos.
Em consequência, os actuais e futuros depósitos realizados junto da
sucursal do Deutsche Bank em
Portugal deixaram de se encontrar abrangidos pela garantia do FGD,
passando antes a estar cobertos
pelo sistema alemão de protecção de depositantes.»

Comunicado do Fundo de Garantia de Depósitos a 14-09-2011

Banco Santander Totta imputou um prejuízo de cerca de 200 milhões de euros ao Fundo de Pensões dos trabalhadores

Isto a acontecer é de facto muito grave e ética e moralmente reprovável.

In Público


O banco Santander Totta imputou um prejuízo de cerca de 200 milhões de
euros ao Fundo de Pensões dos trabalhadores, de forma a não ter que o
assumir nas contas do grupo. A perda, que está a gerar polémica
interna, tem a ver com contratos de futuros celebrados ao longo do mês
de Julho pela sociedade gestora de fundos do grupo espanhol.

Ao longo do mês de Julho, a sociedade gestora de activos do grupo
espanhol - Santander Asset Management - assumiu um conjunto de
investimentos de risco através de contratos de futuro (compromisso de
compra/venda a executar em datas e preços pré-fixados) sobre os
índices dos mercados nova-iorquinos. Estas operações complexas (de
muito curto prazo), sustentadas em produtos derivados, tinham como
pressuposto uma subida dos valores dos índices no momento do resgate,
o que não se verificou.

De acordo com os dados produzidos internamente, e a que o PÚBLICO teve
acesso, depois da execução dos contratos, no final de Julho, o banco
apurou um prejuízo da ordem dos 200 milhões de euros, mas parqueou-o
no fundo de pensões dos trabalhadores - movimento registado nas contas
de Agosto, que ainda não são públicas. O FP era tutelado pelo
presidente da gestora de activos do grupo, João Bouça Morais, que saiu
entretanto do Santander, conforme prova a documentação interna.

Instado pelo PÚBLICO a comentar a situação, o Santander optou por não
responder directamente à questão: "A gestão do FP é totalmente
autónoma e independente da gestão do Santander Asset Management
Portugal (até por imperativos legais) pelo que, como é óbvio, todas as
operações que são iniciadas pelo Fundo de Pensões são alocadas ao
mesmo, tal como o inverso. Neste domínio, não existe, nem pode
existir, qualquer alocação de activos entre os vários instrumentos sob
gestão".

O Santander reconhece que o FP "teve uma rentabilidade negativa" no
último trimestre, situação que classifica de normal "face ao actual
enquadramento". E nota que é "necessário aguardar pelo desfecho final
do ano" para apurar a rendibilidade final "e situação patrimonial".

Num quadro de crise alargada da divida soberana, que se tem reflectido
nos últimos dois anos em instabilidade financeira e volatilidade dos
mercados, o Santander não previu a queda das cotações, o que tem
gerado polémica e preocupação entre os colaboradores da filial
portuguesa do grupo liderado pela família Botin.

O banco não respondeu quando questionado sobre o momento em que a
administração foi informada do que se estava a passar e, em
particular, o presidente, Nuno Amado.

Há uma semana, o Expresso levantou a ponta do véu sobre o que se
estava a passar no Santander Asset Management (SAM), ao revelar que o
banco se preparava para registar este ano um "rombo" de 26 milhões de
euros (verba que soma aos 200 milhões), resultante de operações
derivadas associadas, neste caso, ao fundo de investimento mobiliário
Santander Acções Global.

De acordo com o semanário, neste caso, a gestão liderada por Nuno
Amado atribuiu o problema a "um erro de imputação" que "não terá
impacto negativo nos clientes". Pelo facto de o Santander Acções
Global ser um fundo de mercado, as perdas teriam de ser cobertas
imediatamente, o que já não acontece com os fundos de pensões dos
trabalhadores. Por força das regras existentes, o banco não será
obrigado a cobrir imediatamente os 200 milhões de euros, razão pela
qual as más decisões de investimento não serão imediatamente
repercutidas nos resultados.

Nuno Amado tem discutido com o ministro Vítor Gaspar a transferência
do fundo de pensões para o sistema público de segurança social. As
responsabilidades do FP no final do primeiro semestre ascendiam a
1,316 mil milhões de euros.

O PÚBLICO sabe que no final de Julho a administração ordenou a
suspensão e liquidação dos contratos de futuros associados ao FP e ao
SAG. E, a 18 de Agosto, João Bouça de Morais, presidente do SAM, e
Ricardo Lourenço, responsável pela área de investimento, deixaram o
banco.

Já o afastamento de Luís Cameiro, que tinha responsabilidades de
auditoria, tem gerado controvérsia, dado que este alertou as chefias,
em vários momentos, por email, nomeadamente para a violação dos rácios
de investimento. O administrador com o pelouro da gestão de activos,
Miguel Bragança, mantém-se em funções. Nos últimos dias chegaram ao
banco duas equipas de auditoria enviadas por Madrid - uma para a
inspecção anual e a outra centrada nas operações polémicas para apurar
prejuízos e responsabilidades.

A Comissão de Trabalhadores afirmou não ter "conhecimento sobre uma
perda tão avultada no Fundo de Pensões", mas reconheceu existirem
"rumores" que a levaram já a solicitar "esclarecimentos" à
administração, que a informou de que as oscilações registadas no fundo
eram normais. A CT lembra que "a legislação actual lhe retirou o
direito de integrar a Comissão de Acompanhamento dos Fundos de Pensões
dos Trabalhadores" e que a fiscalização está agora a cargo dos
sindicatos."

Entretanto, os colaboradores da área de investimentos mobiliários
foram já informados de que a gestão do sector passará a ser feita
directamente por Espanha.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A agência de notação financeira Fitch cortou o 'rating' de 12 bancos europeus e colocou sob vigilância negativa de outros 11 instituições

A Fitch publicou hoje um conjunto de relatórios sobre a banca europeia
que apontam todos para um agravamento das condições do sector
financeiro.

A agência de notação financeira dá como exemplo o agravamento do
ambiente macroeconómico no continente e a recente evolução da
estrutura de negócio da banca.

A consequência destas análises traduziu-se num enorme chumbo à banca
europeia que traduziu-se no corte do 'rating' de 12 bancos - 10
britânicos, um suíço e um alemão - e na colocação sob revisão negativa
do 'rating' de cinco dos maiores bancos comerciais europeus e de sete
bancos universais com operações no espaço europeu.

Destaque para os 'downgrades' em um nível de "A+" para "A" do UBS e em
duas notas, de "AA-" para "A", dos britânicos Lloyds e Royal Bank of
Scotland.

Estes cortes foram justificados pela agência em detrimento da
especulação intensa do mercado e do potencial esquema de
recapitalização dos bancos da zona euro.

"Se as autoridades determinarem que o apoio extraordinário [à banca da
zona euro] seja necessário no curto prazo, tais medidas serão
fornecidas aos bancos directamente pelos países ou através de um
mecanismo pan-zona euro. Por isso, no curto prazo, a agência mantém a
classificação dos bancos ao nível do 'rating' mais elevado dos países
da zona euro, que são "A+" para os maiores bancos em França, Alemanha
e Holanda, e com a categoria de "A" para o equilíbrio dos soberanos
europeus classificados com "AA-" superior."

Mas a razia não ficou por aqui. Os especialistas da Fitch colocaram
também sob revisão negativa o 'rating' dos franceses Credit Agricole,
BNP Paribas, Societe Generale e Banque Federative du Credit Mututel,
do britânico Barclays, do suíço Credit Suisse, do alemão Deustche Bank
e das operações europeias dos norte-americanos Goldman Sachs e Morgan
Stanley.

A Fitch justifica esta decisão por considerar que "os modelos de
negócio são particularmente sensíveis ao aumento dos desafios que os
mercados financeiros estão a enfrentar", quer seja ao nível "de
desenvolvimentos económicos, particularmente na zona euro, quer seja
ao nível de uma inumerável quantidade de mudanças regulatórias."

No caso dos bancos que foram colocados sob revisão negativa, a Fitch
refere que "qualquer 'downgrade' que venha a suceder será, na maioria
dos casos, em uma nota ou, no máximo, em duas notas."

No relatório "Rating de bancos num mundo em mudança", a Fitch frisa
que "vários factores de mercados e dados fundamentais reforçam a visão
de que os perfis de crédito de alguns grandes bancos e com uma elevada
classificação enfrentam uma pressão negativa".

Mas os especialistas foram ainda mais longe e, no mesmo documento,
referiram que "globalmente, existem poucos bancos com perfis de risco
consistentes com o padrão de emissor da categoria de 'rating' de "AA"
mas mais consistentes com 'ratings' da categoria "A"".

Neste sentido, é de esperar novos cortes de 'rating' do universo do
sector financeiro europeu.

In DE

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Produtos financeiros complexos

A generalidade dos produtos financeiros complexos não são
transaccionados em mercado secundário. Porém, os bancos que
comercialiazam esses produtos fornecem cotações indicativas.

Os sites infra fornecem as cotações indicativas para os produtos
financeiros complexos comercializados pelo Deutsche Bank e pelo BIG.

http://www.deutsche-bank.pt/db_pt/downloads/Produtos_Estruturados_Indices_Referencia.pdf

https://www.bigonline.pt/pt/PoupancaRendimento/pestruturadosCurso.asp?TIPOPE=CG

Sabia que as obrigações Cabaz Global (3ª Versão) valem apenas 59,21%
do valor inicialmente investido? ou que o Notes 1.5y Reverse Twin Win
linked to Lloyds vale apenas 54,32%?
Caso mais grave está associado ao o Notes 1.5y Reverse Twin Win linked
to Barclays. Trata-se de um produto emitido à 3 meses e que vale menos
1/3 do que quando foi emitido.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Fusões na banca portuguesa

"Há demasiada oferta bancária e em Portugal também", "Estou a falar de fusões, fechar balcões e recuar custos" e de consolidação dos "grandes com os grandes, porque cria mais valor. Os pequenos são muitos pequenos". F. Ulrich Com a sua tradicional frontalidade, Fernando Ulrich defende a concentração bancária em Portugal: "existe muita oferta". Candidatos a fusões? BPI? Talvez. BCP? Muito provável.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Agências de ‘rating’ e a banca espanhola

Agências de 'rating' cortam notação a mais de uma dezena de bancos
espanhóis. Santander e BBVA não escaparam às revisões em baixa.

A S&P e a Fitch baixaram o 'rating' a vários bancos espanhóis. A S&P
teve a acção mais demolidora, baixando a notação de crédito do
Santander, do BBVA, do Bankinter, do Banco Sabadell e de várias
'cajas'. A agência colocou ainda sob vigilância negativa o 'rating' do
CaixaBank, do Bankia e do Banco Popular.

A S&P justifica as descidas dos 'ratings' com as perspectivas de
crescimento limitado da economia espanhola, com a acumulação de
activos problemáticos pelos bancos espanhóis até 2013 e com a fraqueza
do mercado imobiliário do país vizinho.

Também a nota do sistema financeiro espanhol foi revista em baixa,
colocando-o na mesma categoria dos sectores bancários de Israel,
México e Eslováquia.

Por seu lado, após ter descido o 'rating' de Espanha na sexta-feira, a
Fitch veio agora cortar as notas de crédito do Santander, BBVA,
Sabadell, Banesto, Popular e Caixabank. Isto para nivelar os 'ratings'
destes bancos com o do soberano.

O Santander tem agora um 'rating' de AA- para as duas agências com
perspectivas negativas. Já para o BBVA, a S&P baixou a nota de AA para
AA- com 'outlook' negativo. Já a Fitch tem um 'rating' de A+, também
com perspectivas negativas.

In DE

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Site «Inovação Financeira e Investimento»

Já foi inaugurado o site «Inovação Financeira e Investimento»: https://sites.google.com/site/inovacaofinanceirainvestimento/ Assuntos abordados até à data: - Metodologia de Estudo de Eventos - Estatísticas do short-selling

O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2011

Os preços das “commodities” alimentares deverão continuar a subir devido ao crescimento populacional e económico e ao uso crescente de combustíveis biológicos, segundo o relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2011”, elaborado pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Programa Alimentar Mundial. - preços do petróleo mais altos, os custos de produção sobem igualmente, o que conduz a custos de produtos -alimentares mais elevados - crescimento populacional e económico cria pressão sobre a procura - uso crescente de combustíveis biológicos transferem recursos da produção agricola, Em contraponto, o aumento da produtividade nas colheitas, através de novas tecnologias pode mitigar parcialmente esses efeitos.

4.000 imóveis entregues aos bancos nos primeiros oito meses deste ano

Quase 4.000 imóveis foram entregues aos bancos nos primeiros oito
meses deste ano em dação em pagamento por famílias e promotores
imobiliários, em resultado de incumprimento nos créditos à habitação e
à construção, segundo estimativas divulgadas hoje.
Segundo a análise das dinâmicas imobiliárias divulgada hoje pela
Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de
Portugal (APEMIP), "ao longo dos oito primeiros meses de 2011 foi
possível contabilizar cerca de 3.900 imóveis entregues em dação em
pagamento tanto por famílias, como por promotores imobiliários".

Este valor, afirma a associação, "representa um agravamento de 7,9%
face a igual período de 2010".

As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto "concentram 48,7% das
ocorrências relativas a imóveis entregues em dação em pagamento em
Portugal este ano".

A área metropolitana do Porto representa 18,8% das dações em pagamento
registadas em termos nacionais e a de Lisboa 29,9%.

A APEMIP salienta que o "arrefecimento do mercado imobiliário afectou
de forma bastante significativa todos os que investiram na promoção
imobiliária e no desenvolvimento de novos projectos e empreendimentos,
pelo que parte significativa dos imóveis entregues em dação em
pagamento provêem destes atores, em particular, em municípios, como os
de Alcochete, Ponta Delgada, Vila do Conde e Portimão, em que esta
realidade representa, pelo menos, metade da totalidade dos imóveis em
causa".

In Jornal de Negócios

sábado, 8 de outubro de 2011

A Moody's corta rating de 12 bancos ingleses

Não são apenas os bancos da zona Euro sob a mira das agências de rating. Desta feita, a Moody's reduziu o rating de 12 bancos do Reino Unido, incluíndo o banco nacionalizado RBS.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A SAD do Sporting apresentou um resultado líquido negativo de 43,991 milhões de euros

O prejuízo aumentou drasticamente, quando comparado com os 28,187 ME
do exercício anterior, o que a sociedade justifica com "a profunda
remodelação levada a cabo no futebol" e a "reestruturação financeira",
as quais "contabilizaram custos de 28 ME que não se irão repetir".

Emoções à parte, haverá futuro para os clubes de futebol?

Até que ponto valem os stress tests

O Dexia, que passou com distinção nos 'stress tests', mas está prestes
a ser desmembrado. Note-se que o banco foi considerado um dos mais
seguros da Europa. Ficou em 12º lugar nos 'stress tests'. Atingiu um
rácio 'core tier 1' de 10,4%, o 12º melhor entre os 91 bancos
analisados. Menos de três meses volvidos, o banco franco-belga está
prestes a ser desmembrado e novamente nacionalizado.

In DE:

"Os parâmetros dos 'stress tests' eram claramente insuficientes para
identificar bancos em risco. Focaram-se nos níveis de capital sem
olharem para questões de solvência ou de liquidez", comentava ao
Financial Times um analista da Petercam. »

CGD oferece "recheio" para vender casas entregues ao banco

Crédito a 100% e "spreads" mais baixos, são as "borlas" comuns. Agora,
o banco do Estado está a dar a mobília, em função da avaliação do
imóvel.
É cada vez mais comum a venda de imóveis pelos bancos, que perante a
incapacidade de pagamento das prestações do crédito, foram entregues
às instituições financeiras. São imóveis comercializados abaixo do
preço de mercado, e que contam com condições de financiamento
excepcionais. No caso da Caixa Geral de Depósitos, além disso, o banco
dá o "recheio".

In Jornal de Negócios

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rácio de transformação dos depósitos

De acordo com o Banco de Portugal (BdP), no seu Boletim Económico de Outono, “no final do primeiro semestre de 2011, o rácio médio para as oito instituições situava-se em 143 por cento, menos 16 pontos percentuais do que em Junho de 2010”. Em 2010 o valor deste rácio de transformação rondava os 160 por cento.

Short-selling das acções nacionais

- O fundo Marshall Wace reduziu a sua posição a descoberto no BCP para 0,493% do capital social do banco. - A AKO Capital voltou a aumentar a sua aposta na queda das acções da Brisa e já tem uma posição a descoberto de perto de 1%.

Novos testes de stress a caminho?

A EBA- Autoridade bancária europeia quer saber como reagiriam os
bancos às quebras na dívida grega.

Segundo o DE, os responsáveis europeus estão a montar um plano para
recapitalizar de forma coordenada a banca europeia. A autoridade
bancária europeia, no quadro dos dados recolhidos com os testes de
stress, foi mandatada para avaliar como reagiriam os bancos europeus a
vários níveis de quebra na dívida grega.

Uma fonte comunitária explicou ontem em Bruxelas que é essa
necessidade que a autoridade reguladora da banca foi chamada a
avaliar, visto que os 'stress tests' de Julho não testaram
directamente este cenário. Merkel apelou a uma acção "coordenada" mas
disse que é "preciso fixar critérios para isto, o que não pode ser
feito por líderes, tem de ser por técnicos". A informação poderá dar
um cenário diferente daquele publicado em Julho. Por exemplo, o banco
Dexia saiu bem pontuado e no entanto está a sofrer nos últimos dias
por não ter aplicado um 'haircut' suficientemente forte da dívida
grega, revendo pouco o valor da dívida soberana que detém.

Adeus de Jean-Claude Trichet

Hoje será a última reunião de Trichet. O sucessor é Mario Draghi, um
italiano supostamente amigo do crescimento e das taxas de juro baixas.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Banca

«Cálculos do Negócios, tendo por base as imposições a que o sector
está sujeito, permitem concluir que há quase cinco mil colaboradores e
530 agências em excesso no sistema bancário. »