sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Regulador suíço investiga 12 bancos por possível manipulação das taxas Libor

O regulador suíço pediu informação a 12 bancos, incluindo o Deutsche
Bank e o UBS, com vista a investigar uma possível manipulação das
taxas interbancárias do Reino Unido (Libor) e do Japão (taxas Tibor).
O regulador suíço, Comco, está a investigar um possível "conluio"
entre "traders" de 12 bancos, suspeitando de terem actuado em conjunto
para alterar as taxas interbancárias do Reino Unido e Japão. Só as
taxas Libor servem de referência a produtos financeiros no valor de
350 biliões de dólares, revela a Bloomberg com base em comunicado do
regulador.

"Um conluio entre 'traders' de derivados pode ter influenciado" as
taxas Libor e as suas equivalentes japoneses, Tibor, disse o regulador
do mercado de capitais suíço, Comco, em comunicado citado pela
Bloomberg. "As condições de mercado que determinam os produtos
derivados que se baseiam nestas taxas de referência também podem ter
sido manipuladas", disse.

Os bancos sob investigação são o UBS, Crédit Suisse, Deutsche Bank,
Société Générale, Citigroup, JP Morgan, Mizuhmo, Royal Bank of
Scotland e Sumitomo, Bank of Tokyo, HSBC e Rabobank. "Outros
intermediários financeiros" também estão sujeitos a investigação "

As investigações foram iniciadas quando o regulador recebeu um "pedido
de clemência" que sinaliza que vários "traders" podem estar envolvidos
na manipulação, explica a agência noticiosa que cita o regulador
Comco.

À semelhança das taxas Euribor, as taxas Libor são fixadas diariamente
pelos bancos que comunicam ao mercado quanto lhes custou
financiarem-se no mercado interbancário em vários prazos.

Contactado pela agência noticiosa, o Crédit Suisse disse estar "estar
a levar as investigações muito a sério e a cooperar totalmente com as
autoridades", enquanto o Crédit Suisse disse "não estar em posição" de
comentar a notíca. Os responsáveis das relações com a imprensa do
Deutsche Bank, Mizuho, Bank of Tokyo, JPMorgan e HSBC também
rejeitaram comentar, enquanto do Rabobank disse ainda não ter recebido
a comunicação do regulador suíço.

Já o Société Générale disse "integrar um conjunto de painéis que
determinam as taxas interbancárias", disse o banco sedeado em Paris,
que "está preparado para responder a qualquer pergunta das autoridades
relevantes sobre qualquer informação que desejem obter."

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A exposição dos bancos norte-americanos aos PIIGS

Segundo o "The New York Times", os cinco maiores bancos
norte-americanos - Citigroup, Bank of America, JPMorgan Chase, Goldman
Sachs e Morgan Stanley - têm uma exposição superior a 80 mil milhões
de dólares (60,5 mil milhões de euros) em dívida de Portugal, Itália,
Espanha, Irlanda e Grécia – "dinheiro esse que podem perder se estes
países entrarem em incumprimento devido à crise financeira europeia".

"Felizmente, compraram CDS, o que lhes permite compensarem as suas
perdas potenciais em 30 mil milhões de dólares (22,7 mil milhões de
euros)", sublinha o jornal norte-americano. Segundo o "NYT", o
Citigroup tem 47% da sua exposição potencialmente protegida, sendo
esta a maior percentagem de CDS sobre dívida europeia por parte dos
bancos norte-americanos.
O Bank of America, por exemplo, só tem 12% da sua dívida garantida por
estes seguros. De qualquer das formas, um porta-voz deste banco,
Jerome F. Dubrowski, sublinhou que o risco está a ser cuidadosamente
gerido, "ao mesmo tempo que continuamos a apoiar os nossos clientes na
Grécia, Itália, Irlanda, Portugal e Espanha", refere a mesma fonte. De
qualquer das formas, a exposição do banco à dívida pública destes
cinco países diminuiu em 44% desde 2009, comentou Drubowski.
O JPMorgan Chase, por seu lado, conta com uma exposição de 15 mil
milhões de dólares a estes cinco países periféricos mais afectados
pela crise da dívida – os chamados PIIGS.

Portugueses entregaram 19 casas por dia aos bancos no último ano

As dificuldades económicas estão a levar muitas famílias a deixarem de
conseguir pagar os créditos da casa. Dados revelam um aumento de 18%
das casas entregues pelas famílias e imobiliárias em 2011.

Os bancos penhoraram 19 casas por dia no ano passado por falta de
pagamento das famílias e promotoras imobiliárias. Os dados são da
Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária
(APEMIP) e indicam que, em 2011, foram entregues 6.900 imóveis em
dação em pagamento, o que representa um aumento de quase 18% face aos
5.900 entregues em 2010.

Os dados referem-se a casas e terrenos entregues por famílias e
promotoras imobiliárias que deixaram de cumprir as suas obrigações com
a banca e são a concretização do aumento do nível de incumprimento. De
acordo com os valores do Banco de Portugal até Novembro de 2011, o
incumprimento das famílias situava-se em 1,89%, um máximo histórico,
com o crédito malparado a atingir 2,15 mil milhões de euros.

A penhora de casas atingiu sobretudo o Porto, Lisboa e Setúbal - já a
região da Guarda foi a menos afectada. Em Dezembro atingiu-se um pico
histórico, sendo o pior mês dos últimos dois anos, com 1.155 casas
entregues, contra 606 em Novembro.

Segundo o gabinete de estudos da APEMIP isto deve-se a vários
factores. A deterioração do cenário macroeconómico de crise é o factor
mais óbvio. Mas há outros, como as dinâmicas dos bancos, a rapidez com
que fazem as cobranças e as penhoras no final do ano e ainda o facto
de "muitas famílias entregarem as suas casas no último mês para não
terem de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis [IMI] relativo ao ano
seguinte, sobre um bem que já não possuem", explica Luís Lima,
presidente da associação.

As entregas feitas pelos promotores imobiliários têm também um peso
importante no total de penhoras feitas pelos credores, "reflexo do
arrefecimento do mercado imobiliário". No ano passado atingiu 29,9% no
total das penhoras feitas. Os municípios de Alcochete, Loulé, Ponta
Delgada e Vila do Conde foram os mais atingidos, onde esta realidade
representou mais de metade dos imóveis entregues em dação em
pagamento. Neste caso, o incumprimento tem também atingido níveis
históricos, chegando já a 11,7%, de acordo com dados do Banco de
Portugal.

Dezembro foi o melhor mês de venda de casas em 2011

A venda de casas desceu 7,2% no ano passado, com 194 mil casas
transaccionadas, mas o ano acabou por não ser tão negro como
inicialmente previsto. Isto porque o mês de Dezembro foi muito
positivo, com 19 mil imóveis vendidos.

Para o presidente da APEMIP, Luís Lima, esta tendência "foi uma
surpresa", apesar de o último mês do ano ser normalmente mais forte. O
responsável explica que "as famílias tentaram antecipar as mudanças no
IMI e nas deduções das despesas com a casa em sede de IRS". A isenção
de IMI, por exemplo, foi muito limitada neste Orçamento do Estado,
reduzindo-se para três anos.

O gabinete de estudos da associação explicou ainda, em esclarecimento
adicionais, que Dezembro é um mês de expansão no crédito concedido, já
que "as imobiliárias reforçam as vendas para não pagarem IMI do ano
seguinte" , havendo um aumento das vendas. Além disso, "houve muitos
pequenos investidores que viram na nova lei do arrendamento - que
facilita os despejos em caso de incumprimento por parte dos inquilinos
- uma segurança e que decidiram investir ainda em 2011".

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os segredos do arrendamento holandês

In DE:

Arnoud Vlak, especialista em investimento imobiliário, explica ao
Económico o sucesso do mercado de arrendamento holandês.

Arnoud Vlak considera que o êxito do mercado de arrendamento holandês,
um dos mais evoluídos do mundo, representando 45% do parque
habitacional, está assente em vários pilares. O primeiro deve-se ao
facto de na Holanda existir um alto nível de segurança para os
senhorios, que dispõem de uma protecção muito grande na lei.

"A lei holandesa proporciona um alto nível de segurança para os
senhorios. Se o inquilino deixar de pagar a renda, o senhorio pode ir
a tribunal pedir uma ordem de despejo e irá obtê-la muito rapidamente,
entre seis a oito semanas. Independentemente de qualquer
condicionalismo social, os tribunais dão sempre razão aos
proprietários", explicou Arnoud Vlak ao Económico, à margem de um
almoço conferência organizado pelo grupo Vida Imobiliária.

Além disso, se o inquilino for a tribunal para culpabilizar o senhorio
de qualquer situação, o juiz irá dizer "não há razão nenhuma para o
senhor não pagar a renda e vou ordenar que saia."

Na Holanda, o contrato entre inquilino e senhorio é feito por um
determinado prazo, mas se o inquilino quiser renovar, o senhorio não
se pode opor, embora possa renegociar a renda. "É sempre actualizada
de acordo com a inflação", explicou Arnoud Vlak.

Sobre as pré-condições para se investir no mercado residencial, o
especialista salienta mais uma vez o mercado holandês e considera que
os mercados não devem ser excessivamente protectores e que os
senhorios estão à procura de um "sistema judicial eficiente" e que em
poucas semanas "fiquem resolvidos todos os problemas com os
inquilinos".

Arnoud Vlak sugeriu também uma mudança no sistema fiscal: "Os lucros
do investimento imobiliário são mais baixos do que os dos mercados
financeiros e se ainda são rendimentos taxados os investidores não vão
apostar tanto no mercado residencial".

O mercado de arrendamento representa 45% do parque habitacional
holandês. Há mais de duas décadas, a percentagem de casas arrendadas
era maior. "A mudança para um mercado de ocupação própria aconteceu
nos últimos 15 anos", explicou Vlak.

Segundo o perito, os bancos holandeses alavancaram o montante de
empréstimos aos clientes, emprestando mais de 100% do valor das casas.
"Temos um alto nível de hipotecas no mercado habitacional. Somos os
campeões do mundo de hipotecas em percentagem do PIB", revela o
especialista holandês.

As 5 principais razões para investir no mercado de arrendamento holandês

Os senhorios dispõem de uma protecção muito grande da lei
Se o inquilino deixar de pagar a renda, o senhorio pode ir a tribunal
pedir uma ordem de despejo e irá obtê-la muito rapidamente
Independentemente de qualquer condicionalismo social, os tribunais dão
quase sempre razão aos proprietários
O valor da renda é sempre actualizado de acordo com a inflação
O contrato entre inquilino e senhorio é feito por um determinado
prazo, mas se o inquilino quiser renovar, o senhorio não se pode opor.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Privados querem que BCE participe no perdão da dívida grega

Charles Dallara, presidente do IFI, pede a participação dos bancos
centrais e outros institutos públicos no perdão à dívida grega, numa
altura em que os responsáveis políticos europeus pedem maiores
concessões aos credores privados.
Charles Dallara, presidente do Instituto Financeiro Internacional
(IFI), pede a participação dos bancos centrais e outros institutos
públicos no perdão à dívida grega, numa altura em que os responsáveis
políticos europeus pedem maiores concessões aos credores privados.

O representante de 450 dos bancos e outras entidades privadas que
detêm a dívida da Grécia relembra, a este propósito, o acordo da
cimeira europeia que teve lugar a 26 de Outubro, explica o "Financial
Times". Uma solução em que instituições como o Banco Central Europeu
(BCE) tenham condições diferentes dos bancos privados é uma traição
dos princípios desse acordo, disse.

Os bancos comerciais e outros entes privados detêm 200 mil milhões de
euros, o equivalente a 60% da dívida grega, enquanto os bancos
centrais e outras instituições públicas são credores dos restantes
40%, ou 133 mil milhões de euros, segundo a publicação britânica.

Ainda assim, Charles Dallara disse ter esperança de que as partes
envolvidas nas negociações para a redução da dívida da Grécia
encontrem "terreno comum", refere a agência noticiosa norte-americana
Bloomberg.

O IFI entregou uma proposta "máxima" de um perdão de 68% ao valor da
dívida da Grécia, através da troca da dívida pública do país por
obrigações com maturidade de 30 anos e um cupão de 4,25%, divulgou a
Bloomberg com base em duas fontes próximas das negociações.

Uma proposta a que os responsáveis europeus responderam sinalizando
que iriam pedir aos privados um sacrifício maior no acordo com vista a
tornar a dívida do país sustentável. Os responsáveis europeus querem
que os bancos privados aceitem uma troca de dívida por obrigações com
um cupão de 3,5% em dívida com maturidade em 2020 e de 4,15% na
emissão com prazo de 30 anos.

Carsten Brzeski, economista do ING Group, calculou o valor da proposta
dos privados e a dos responsáveis europeus e concluiu que a diferença
entre as duas "se reduz a 10 a 20 mil milhões de euros", ao longo da
vida toda das obrigações.

"Isto não é nada comparado com o impacto psicológico nas taxas
implícitas nas obrigações de Espanha e de Itália se a Grécia ficar
insolvente", disse o economista do ING. "Eles vão chegar a um acordo",
concluiu.

Charles Dallara também acredita que as negociações chegarão a bom
porto. "Nós pusemos uma oferta na mesa e ela continua na mesa", disse
o representante dos privados, referindo-se a uma proposta que definiu
como a sua oferta "máxima".

"Todas as partes têm de contribuir para a solução. Estamos a apagar da
face da Terra 100 mil milhões de euros de empréstimos à Grécia",
acrescentou o responsável que vai estar, amanhã, numa reunião com os
privados em Paris para "ver qual é a sua perspectiva" sobre o impasse
nas negociações.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CMVM aperta regras de comercialização de produtos financeiros complexos

Passa a ser obrigatório incluir uma série de advertências sobre os
riscos do produto. É ainda exigida formação a quem o comercializa.
O regulador do mercado de capitais apresentou hoje um novo regulamento
com novas regras para a comercialização de Produtos Financeiros
Complexos. Passa a ser obrigatório incluir uma série de advertências
sobre os riscos do produto. É ainda exigida formação a quem o
comercializa. Para evitar conflitos de interesse, quem está ao balcão
não pode receber prémios pela sua venda.

As novas regras vêm mexer na informação contractual a dar aos
investidores. Os produtos passam a ter de incluir a "Informação
Fundamental ao Investidor" (IFI), cujo conteúdo é regulamentado. Esta
tem de ser sucinta: o documento não pode exceder seis páginas A4, de
forma a não desencorajar a leitura. Carlos Tavares salientou que estas
exigências vão além do prospecto do produto, que é o exigido na União
Europeia.

Neste âmbito é também alargada a tipificação das advertências aos
investidores, como o risco de perda de capital. É feita a distinção
entre perda de parte capital, perda da totalidade do capital e perda
de um montante superior ao capital investido. É também incluído um
alerta sobre a rentabilidade, nomeadamente a possibilidade de a
remuneração ser nula ou mesmo negativa.

A lista de advertências é longa: risco de crédito do emitente do
produto; sobre o preço do produto e se ele seria aceite por
investidores institucionais; de que o retorno pode não ser igual ao do
activo subjacente; de que os custos suportados pelo emitente na
protecção de risco podem ser imputados ao cliente; sobre todos os
encargos e comissões suportados pelos clientes, entre outras.

Para comunicar de forma mais imediata estas advertências a CMVM criou
um conjunto de símbolos, de várias cores e numerados, que vão do verde
(rendimento garantido a todo o tempo ou na maturidade desde que
inferior a cinco anos) a preto (possibilidade de perda de mais de 100%
do capital investido). A imagem, que é dominada por uma palma da mão
aberta, é obrigatória no documento informativo e na publicidade. Este
tipo de solução foi já adoptada na Holanda e Dinamarca.

Da informação pré-contractual passa também a fazer parte uma simulação
do rendimento e maturidade, quando estes sejam condicionados a um
evento. Quando a diferença entre a taxa interna de retorno seja
superior a 5 pontos percentuais são ainda apresentados três cenários
para o resultado da aplicação: optimista, mais provável e pessimista.

Após a subscrição, o cliente passa a receber informação contínua sobre
o preço do mercado do produto e os seus fluxos financeiros (por
exemplo, pagamento de juros). Fica prevista a possibilidade de
consulta do preço pelo cliente no "site" do Intermediário Financeiro a
todo o momento.

O regulamento nº1/2012 traz também novas regras para a publicidade dos
produtos estruturados. Esta passa a ser válida por um máximo de três
meses e tem de incluir, além do alerta gráfico, a menção às
advertências.

Passa também a ser exigida formação a quem comercializa PFC ao balcão
dos bancos. "Vendedores não têm domínio completo, para ser brando, dos
produtos que oferecem ao cliente", afirmou Carlos Tavares.

De forma a dirimir conflitos de interesse, a comercialização dos PFC
deixa de poder depender de objectivos e dar lugar a prémios. "Pode
haver um conflito de interesses entre o interesse do cliente e
contribuir para a sua própria remuneração com a venda de produtos",
assinalou o presidente da CMVM.

Carlos Tavares justifica o novo regulamento como facto de estes
produtos serem de difícil compreensão pelos clientes menos
sofisticados. O contexto actual facilita o aparecimento destes
produtos "As baixas taxas de juro na Europa propiciam que clientes
sejam atraídos por produtos que possibilitam rendibilidades acima dos
produtos tradicionais" afirma o presidente do regulador. Outro motivo
é o facto de neste momento os bancos estarem a apostar em aplicações
de balanço (reforçam o financiamento) como é o caso dos produtos
financeiros complexos.

O novo regulamento é também justificado com o facto de estes produtos
poderem ter um risco de perda de capital elevado, que chega a superar
o montante investido. O documento vai estar em consulta pública até 28
de Fevereiro.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O BCE também vai sofrer perdas na reestruturação grega?

O BCE comprou no mercado secundário montantes elevados de dívida
grega, cerca de 55 mil milhões de euros, mas está a manter-se à margem
destas negociações. Esta é uma questão complexa, porque muitos
economistas dizem que o banco central acabará por ter de assumir essas
perdas.

Se o FMI goza de senioridade (prioridade) no pagamento da dívida, é
mais discutível se o Banco Central Europeu goza do mesmo estatuto,
porque estes títulos foram adquiridos no mercado aberto, como qualquer
investidor.

O UBS diz que este será, independentemente do que acontecer na Grécia,
um dos principais pontos de batalha legal nos próximos anos.

Se acabar por ter de sofrer perdas, isso não colocará em risco o
próprio banco central, diz Stephane Deo. O BCE poderia perder cerca de
22 mil milhões de euros se tivesse de assumir perdas na dívida grega,
calcula o economista. "O BCE seria capaz de gerir isso".

Se há uma perda de valor num incumprimento da Grécia, os “credit Default swaps” não deveriam ser activados?

Os "credit default swaps" funcionam como seguros contra incumprimento
na dívida. Esse contrato é elaborado e vendido por uma terceira parte,
normalmente um banco, que é chamado a ressarcir o investidor na
obrigação caso o emitente da mesma obrigação não cumpra o pagamento.

O organismo que decide o que constitui um "default" (o chamado "evento
de crédito") é a ISDA, a International Swaps and Derivatives
Association. Nas condições em que a troca poderá ser efectuada com os
bancos representados no Instituto Internacional de Finanças, a ISDA já
veio dizer que considera a troca "voluntária", ainda que isso seja,
naturalmente, discutível.

Mas Stephane Deo assinala que, se realmente forem impostas as
"Collective Action Clauses", isso reflectir-se-á sobre os investidores
que não foram incluídos na negociação mas que sofrerão perdas. Aí, o
economista do UBS diz que não há forma de advogar que isso não
constituirá um "evento de crédito", pelo que os "credit default swaps"
terão de ser activados.

O UBS calcula que existem 3,3 mil milhões de euros em "credit default
swaps" sobre dívida grega.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estrangeiros retiram poupanças dos bancos espanhóis

Em Espanha, os estrangeiros não residentes estão a reduzir a exposição
aos bancos do país. A desconfiança no sistema financeiro espanhol está
na base deste comportamento.
De acordo com o jornal espanhol "Cinco Días", os não residentes
reduziram a sua exposição em 47.895 milhões de euros, o que
corresponde uma quebra de 39%.

Neste período o valor dos depósitos dos residentes diminuiu em 5,1%,
ou seja menos 14.600 milhões de euros, de acordo com dados revelados
pelo Banco de Espanha citado por este órgão de comunicação social
espanhol.

Entre Outubro de 2010 e Outubro de 2011, a Espanha viveu um período
conturbado. A pressão dos mercados sobre o país foi aumentando, as
exigências dos investidores no que toca a reformas estruturais
aumentaram também, pelo que este clima acabou mesmo por conduzir o
anterior Executivo, liderado por José Luís Zapatero, a demitir-se e a
convocar eleições legislativas antecipadas.

Assim, e dado o clima de "nervosismo", os não residentes mostraram que
não confiavam no sistema financeiro do país vizinho e optaram por não
colocar as suas poupanças em Espanha. Nem a guerra dos depósitos, com
as instituições a pagarem juros cada vez mais elevados, conseguiu
convencer os extrangeiros a manterem as suas poupanças nos bancos
espanhóis.

O jornal escreve ainda que até 2008, os depósitos dos não residentes
em Espanha aumentaram de forma constante. Em apenas três anos, segundo
a mesma fonte, os valores passaram de 328.339 milhões de euros para
504.745 milhões de euros – valor registado em 2008.

Porém, a chegada da crise alterou esta tendência. Desde 2008, que o
valor dos depósitos dos não residentes tem vindo a diminuir, tendo
mesmo atingido os 75 mil milhões de euros em Outubro de 2011.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Corte de Cabelo Grego

A dívida soberana grega é de €352 mil milhões, ou seja 160% do Produto
Interno Bruto(PIB). É uma das mais elevadas do mundo em relação ao
PIB, só inferior à do Zimbabwe e do Japão, que têm níveis superiores a
200%. Uma parte dessa dívida grega são empréstimos, no total de €92
mil milhões, dos quais 53 mil milhões por via da União Europeia e 20
mil milhões oriundos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Da parte
titulada, num total de €260 mil milhões, €55 mil milhões são títulos
na posse do banco Central Europeu, e os restantes €205 mil milhões
estão em mãos de credores privados, segundo o estudo feito pelo jornal
alemão Der Spiegel.

Ora é sobre a maioria destes 205 mil milhões (ou seja, 58% da dívida
soberana total) que incidem as renegociações em curso. A distribuição
deste montante é aproximadamente a seguinte: fundos (de investimento,
de pensões, soberanos e hedge funds) com €70 mil milhões; bancos
gregos com €50 mil milhões; bancos europeus com €40 mil milhões;
fundos da segurança social grega com €30 mil milhões; companhias de
seguros europeias com €15 mil milhões.

O objetivo da renegociação é conseguir "emagrecer" a dívida grega de
160% do PIB hoje para 120% do PIB em 2020. Para isso, os credores
privados deveriam aceitar um "corte de cabelo" (hair cut, na
designação técnica) no valor líquido presente dos títulos que detém e
o resto ser trocado por novos títulos. É a dimensão deste "corte de
cabelo" que tem estado em negociação. Na verdade, foi "evoluindo" - de
21%, no começo da negociação, para 50%, e já chegará aos 75 a 90%,
ainda que sejam números não confirmados oficialmente.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/reestruturacao-da-divida-grega-em-maus-lencois=f698685#ixzz1j30GGPvq

Salários dos banqueiros passados 'a pente fino' a partir de hoje

Os salários pagos pelos bancos aos seus gestores vão passar a ser
escrutinados ao pormenor. Entram hoje em vigor as novas regras sobre a
remuneração no sector bancário que vão obrigar a critérios mais
rigorosos e a maior transparência na divulgação da política salarial
de cada instituição. O aviso do Banco de Portugal, publicado ontem em
Diário da República, entra hoje em vigor e, na parte que diz respeito
à informação a divulgar sobre a política remuneratória, vai já
aplicar-se às contas de 2011, que ainda estão a ser fechadas pelos
bancos.

O aviso 10/2011 surge no seguimento das directrizes europeias
definidas em 2010 destinadas a travar políticas de remuneração que
incentivem os gestores a assumir riscos injustificados que possam, no
limite, pôr em causa a própria instituição. Procura-se assim dar
seguimento a algumas das lições tiradas da crise financeira.

Para além da componente da divulgação de informação, o Banco de
Portugal define os critérios que os bancos terão obrigatoriamente de
ter em conta nas suas políticas salariais. Os detalhes são muitos mas
entre as novas exigências está o facto de a política de remuneração
dever ser "adequada e proporcional à dimensão, organização interna,
natureza, âmbito e complexidade da actividade da instituição".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Alemanha paga juros negativos para emitir dívida

A Alemanha colocou no mercado 3.900 milhões de euros em dívida a seis
meses, pagando aos investidores uma yield de -0,012%. Ou seja, os
investidores receberão, daqui a seis meses, menos do que hoje
investiram.
A Alemanha financiou-se esta manhã com a emissão de dívida a seis
meses, colocando junto dos investidores títulos que vão conferir uma
rendibilidade negativa (-0,012%).

O resultado do leilão ilustra os receios que continuam a viver-se nos
mercados, com os investidores interessados em "armazenar" os recursos
financeiros em activos que consideram de refúgio, sacrificando as
rendibilidades.

Banca subiu ‘spread’ no crédito à habitação para valor recorde

No espaço de um mês, seis bancos subiram os seus 'spreads'. No Banif,
o 'spread' já pode chegar aos 7,95%.
Recorrer ao crédito para comprar casa é cada vez mais caro e difícil e
os sinais não são muito animadores para quem pretenda dar esse passo
em 2012. Isto acontece porque os 'spreads' do crédito à habitação não
param de subir. No espaço de pouco mais de um mês, foram seis os
bancos a operar em Portugal, que reviram em alta os 'spreads' (mínimos
e/ou máximos). Foi o que aconteceu com o Santander, Montepio,
Barclays, Banif, Crédito Agrícola e o Deutsche Bank. Na situação mais
extrema, quem for contrair um empréstimo para comprar casa pode ser
confrontado com um 'spread' de 7,95%.
A tendência de subida de 'spreads' na habitação não é novidade. Desde
2009 que o preço que é cobrado pelos bancos para conceder este tipo de
crédito tem vindo a escalar. Só no último ano, a média dos 'spreads'
mínimos divulgados nos preçários dos bancos mais do que duplicou para
cerca de 3%. Já os 'spreads' máximos suplantam os 5% em todas as 13
instituições financeiras analisadas.
As revisões em alta são transversais à generalidade das instituições
financeiras e são o reflexo das dificuldades pelas quais o sector
passa. Como explica Rui Constantino, economista-chefe do Santander
Totta, "o preço do crédito deve reflectir todos os custos associados.
O que se verifica é que os bancos não estão a conseguir colocar
'funding' no mercado e se não o conseguem o custo do crédito tem que o
reflectir. Depois, também existe o lado do risco de incumprimento que
obriga os bancos as fazerem maiores provisões bem como do próprio
ponto de vista regulatório em que há um consumo de capital associado e
rácios de desalavancagem exigidos. Por isso, claro que isso se tem que
reflectir através da subida dos 'spreads'".

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vendas de casas caíram entre 15 e 20% no último ano

A APEMIP estima que a queda das vendas de casas tenha chegado aos 20%,
mas nem tudo pode ser atribuído à crise económica.

No balanço do ano que passou, as transacções de casas baixaram
significativamente, a procura de casas arrendadas é superior à oferta
e o negócio das mediadoras vira-se, cada vez mais, para as redes de
agências. "Não tenho ainda números concretos dessa quebra de vendas,
mas diria que deverá andar entre 15 e 20%", aponta o presidente da
Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de
Portugalda (APEMIP), Luís Lima.

Mas nem tudo de mau se deveu à crise económica e financeira. "O volume
de vendas de 2011 seria sempre menor do que em 2010. É impossível, num
mercado de compra e venda de imóveis, estar permanentemente a crescer.
Isso seria a 'cimentização' injustificada de um país", defende ainda
Luís Lima.

"Desafiante" é a palavra mais relatada pelos especialistas consultados
pelo Diário Económico. "Foi sem dúvida um ano desafiante e fortemente
condicionado pelas restrições ao crédito, pelas eleições antecipadas e
pelo acordo da 'troika'", atesta o director da Century 21, Ricardo
Sousa, responsável pela fusão com a cadeia de mediação Fita Métrica.

Por sectores, há quem aponte para quedas de 40% nas operações
imobiliárias. "A quebra de actividade foi generalizada em todas as
áreas de negócio do mercado imobiliário. No segmento de escritórios,
por exemplo, deverá haver uma redução de cerca de 40% face a 2010,
quando já tinha havido uma redução significativa em relação a 2009. No
comércio, praticamente só houve novos negócios no comércio de rua,
visto que boa parte dos projectos de 'shopping centers' foi travada ou
adiada", defende o director da B. Prime, Jorge Bota.

Apesar do emagrecimento do mercado, há quem se gabe de ter ganho
quota. "Num ano em que o volume de absorção irá atingir mínimos
históricos (estimamos cerca de 80 mil metros quadrados), a Jones Lang
LaSalle vai colocar cerca de 20 mil metros quadrados, isto é,
equivalente a 25% do mercado de escritórios", conclui o director,
Pedro Lancastre.

China implementa medidas para dinamizar "short selling"

Sim, leu correctamente: dinamizar. Ao passo que alguns países da
Europa proibiram temporariamente a prática de vendas curtas, a China
quer que o "short selling" se intensifique no país.
A China prepara-se para implementar medidas para dinamizar o "short
selling", com o objectivo de intensificar a profissionalização dos
seus mercados, avança hoje o "Financial Times", com base em
testemunhos de intervenientes no mercado.

No primeiro trimestre de 2012, o país asiático vai criar uma entidade
– a Centralised Securities Lending Exchange – que irá facilitar o
"short selling", também chamado de venda curta, prática que pretende
tirar partido da queda do valor das acções. Os investidores que estão
a curto pedem acções emprestadas para as vender no mercado e,
posteriormente, adquiri-las a um preço mais baixo.

Esta prática que a China quer dinamizar foi proibida temporariamente
em alguns países europeus, como a França, como forma de desencorajar
movimentos especulativos. Em Novembro, por exemplo, os franceses
decidiram prolongar a proibição do "short selling" por mais três meses
dada a instável situação dos mercados em 2011.

A China começou por permitir estas vendas curtas em 2010. Contudo, têm
sido poucos os investidores a optar por este tipo de movimentações, já
que são poucas as acções disponíveis para esta prática, de acordo com
o "Financial Times".

A entidade que o país quer criar para facilitar as também denominadas
vendas a descoberto, que terá como principal accionista a reguladora
de mercado chinês, deverá facilitar a disponibilidade de acções para
gestores de fundos que as pretendam emprestar.

O impulso dado ao "short selling" é dado depois de o índice da bolsa
de Xangai cair 22% no ano passado (o PSI-20 deslizou 27%).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CFO portugueses são mais novos e ganham menos que a média europeia

Os salários mais altos são os dos CFO da Alemanha, Suíça e Áustria,
que estão muito acima da média.

Os 'Chief Financial Officers' (CFO) e directores financeiros
portugueses são os mais jovens, ganham menos que os congéneres
europeus e têm pouca experiência profissional no estrangeiro. Esta é
uma das muitas conclusões de um estudo efectuado pela Michael Page,
este ano, a 2.407 CFO e directores financeiros de 14 países, a maioria
da zona euro.

Em Portugal, "notámos que existem mais CFO jovens, tal como em França
e na Alemanha. Existem vários factores para que isto aconteça, mas tal
deve-se, principalmente, ao tamanho das companhias, pois mesmo as
multinacionais que estão em Portugal têm departamentos financeiros
relativamente pequenos", explica ao Diário Económico Álvaro Fernández,
director-geral do grupo Michael Page.

Outro dos factores prende-se com a circunstância de Portugal ter
também uma nova geração de pessoas, que são normalmente muito jovens,
mas que têm uma visão internacional e alguma experiência profissional
no estrangeiro. Porém, de todos os CFO em análise, os portugueses,
polacos, russos e espanhóis são os que têm menor experiência
internacional.

O retrato do CFO português, com base no barómetro europeu 2011, da
consultora Michael Page, só tem paralelo com o dos congéneres de
Polónia e Rússia e contrasta com os dos países em que se fala alemão.
Pelo menos um terço dos CFO de cada um destes três países indica que
se tornou CFO quando tinha menos de 30 anos de idade, ao passo que
mais de 70% destes tinha menos de 35 anos.

Segundo o responsável da Michael Page, o papel dos CFO na actual crise
é muito importante. "É o CFO que poderá indicar quais os cortes de
custos que podem ser efectuados e o que deverá ser melhorado na área
administrativa", realça Álvaro Fernández. Além disso, caberá ao CFO
"ajudar a escolher o melhor caminho para a companhia para que, no
futuro, esteja mais preparada. O CFO é uma das peças mais importantes
de uma empresa".

Papel activo na gestão

Durante muito tempo, o cargo de CFO foi encarado como executivo que
estava centrado, unicamente, na parte financeira. Hoje o CFO deverá
ter um papel mais activo e tornar-se um 'partner' da organização. "Em
Portugal o CFO é multidisciplinar, pois as organizações são pequenas.
Constatámos que, normalmente, dominam a parte financeira, mas também
conhecem bem a área administrativa, jurídica, informática, etc",
salienta o responsável da Michael Page.

António Filipe, CFO da Canon Portugal, assumiu o cargo com 33 anos e
hoje, com 37, gere quatro departamentos na área financeira: risco,
crédito, contabilidade e 'reporting'. Actualmente, "estamos
perfeitamente aptos a fornecer informação a todos os departamentos da
empresa. Antigamente, as áreas financeira e comercial estavam de
costas viradas", diz António Filipe.

O barómetro europeu mostra ainda que os administradores financeiros
têm pouca confiança no euro.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Governo grego pede aos credores que perdoem 75% da dívida

O novo Executivo quer que os bancos e seguradoras elevem o perdão até
75% da dívida, avança a Reuters, sublinhando que é bastante provável
que se chegue a um acordo já este mês.
Até agora as autoridades conseguiram um pré-acordo de um perdão
voluntário de 50% ou 100 mil milhões de euros, o que ajudará a reduzir
a actual dívida, que equivale a 160% do PIB para 120% em 2020.

Já tinha dito que 50% não seriam suficientes...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Crédito à habitação cai para mínimo em Espanha

O número de contratos de financiamento para a compra de casa em
Espanha atingiu, em Outubro, o valor mensal mais baixo desde 2003, ano
em que começaram a ser recolhidos estes dados estatísticos. É o 18º
mês consecutivo de quebra no mercado de crédito à habitação.
Os espanhóis estão a comprar cada vez menos casas com recurso a
crédito. Em Outubro, foram fechados pouco mais de 22 mil contratos de
financiamento, o valor mais baixo da série histórica, que começou a
ser compilada em 2003. Face a igual período do ano passado,
verificou-se uma quebra de 43,6% nos novos créditos à habitação.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol mostram que há
18 meses qie a concessão de crédito hipotecário está a cair. Em termos
de quebra homóloga, a redução verificada em Outubro corresponde a um
agravamento da tendência verificada no mês anterior, em que a
diminuição face ao período homólogo tinha sido de 42%. No conjunto dos
dez primeiros meses deste ano, a queda das novas hipotecas foi de
26,5%.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Moody’s corta "rating" da PT para lixo

A Moody's decidiu cortar a notação financeira da Portugal Telecom para
um patamar considerado "lixo". Em causa está o nível de "rating" da
República e o Brasil. O "rating" da Portugal Telecom desceu de "Baa3"
para "Ba1", o que implica um corte de um nível. Ainda assim, é um
corte significativo, já que coloca a PT num patamar considerado
"lixo". Apesar do corte, a notação financeira da PT mantém-se um nível
acima do da República, que se encontra, desde Julho, em "Ba2".

A decisão de hoje surge precisamente para reflectir o actual nível de
notação financeira do País.

A agência considera que apesar da forte posição de mercado, a PT "não
tem uma força doméstica inquestionável nem uma diversidade geográfica
para se distanciar do actual e futuro ambiente de crédito implícito"
na notação da dívida soberana, revela a nota de análise hoje divulgada
a que o Negócios teve acesso.

Além deste factor, "o recente investimento da empresa no Brasil pode
não representar um mitigante no curto-prazo, como o esperado, do
aumento de risco de negócio em Portugal."

A Moody's adianta que a revisão anunciada hoje, "reflecte a
preocupação de que a deterioração do ambiente macro em Portugal vai
limitar a capacidade da empresa em melhorar as métricas de crédito no
futuro para anular o aumento do risco de negócio" no País.

"Nos próximos anos os bancos não vão ter lucros"

In DE:
«Já foi assinado o acordo entre Governo, APB e sindicatos para
oficializar a transferência dos fundos de pensões da banca para a
Segurança Social. Esta operação é essencial para o cumprimento - e até
a ultrapassagem - dos objectivos do Executivo em termos de défice das
contas públicas de 2011.

Entre os temas que ocuparam as negociações entre as partes estiveram
os activos que a Segurança Social vai aceitar, as necessidades de
cobertura dos fundos por parte dos bancos e os direitos dos
trabalhadores abrangidos para o futuro.

Na assinatura do acordo, o Presidente da Associação Portuguesa de
Bancos (APB) afirmou que este "é um acordo indispensável para o
Estado" e que a assinatura deste documento resolve "a quase total
integração do sistema bancário na Segurança Social. Era um acordo que
tinha de ser feito. Não foi o melhor momento porque vai obrigar a
registar prejuízos substanciais na banca, mas percebemos a importância
para o Estado e foi nesse espírito de colaboração que a banca aceitou
registar esses prejuízos", sublinhou.

Segundo António de Sousa "nos próximos anos os bancos não vão ter
lucros. vão ter prejuízos provavelmente durante mais um ano", alerta,
admitindo ainda que "as perdas que os bancos vão ter de registar
devido à passagem destes fundos de pensões para o Estado poderão
obrigar os bancos a recorrer à linha de recapitalização pública no
valor de 12 mil milhões de euros".»

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

‘Rating’ do Banco Europeu de Investimento sob ameaça da Fitch

A Fitch ameaçou hoje os 'ratings' de várias instituições europeias
supranacionais, entre elas do Banco de Desenvolvimento Europeu.

A Fitch colocou hoje os 'ratings' de várias instituições europeias
supranacionais, entre elas do Banco de Desenvolvimento Europeu (CEB,
sigla em inglês) e do Banco Europeu de Investimento (EIB), em
vigilância negativa.

Na base da decisão está o facto de ter realizado a mesma acção em
relação aos 'rating' da Bélgica, Espanha, Eslovénia, Itália Irlanda, e
Chipre na passada sexta-feira. A agência sublinha que todos estes
países são accionistas do CEB e do EIB.

Em comunicado, a Fitch diz esperar concluir a revisão aos 'ratings'
dos dois bancos europeus nos próximos três meses. Actualmente, tanto o
EIB como o CEB têm o 'rating' máximo de 'AAA', agora ameaçado.

Além do CEB e do EIB, também os 'ratings' do Fundo Europeu de
Investimento e do Mecanismo de Financiamento Internacional para
Imunização ficaram em vigilância negativa.

Crédito malparado em Espanha chegou aos 7,4%

O crédito malparado em Espanha atingiu, em Outubro, os 7,4%, o seu
valor mais elevado desde 1994, segundo dados do Banco de Espanha. No
total, o volume malparado ultrapassou os 130 mil milhões de euros,
completando um período de quatro meses consecutivos a subir.
O aumento é mais significativo já que a carteira de créditos dos
bancos, caixas, cooperativas e estabelecimentos financeiros de crédito
caiu, em Outubro, para os 1,778 biliões de euros.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Itália propõe imposto de 34 euros por cada conta bancária

O governo italiano procedeu a alterações ao plano de ajustamento que
foi aprovado em finais de Novembro. Agora pretende que seja aplicado
um imposto de 34 euros por cada conta bancária com um saldo médio
anual acima de 5.000 euros. Se for uma empresa, o valor do imposto
sobe para 100 euros.

O governo de Mario Monti avançou com outras propostas, como o
estabelecimento de uma taxa de 0,76% para os imóveis no estrangeiro
destinados "a qualquer tipo de uso" das pessoas físicas "residentes no
território do Estado", refere a mesma fonte.

Por outro lado, o Executivo planeia introduzir no plano de ajustamento
uma taxa de 0,1% sobre as actividades financeiras realizadas no
estrangeiro por pessoas residentes em Itália entre 2011 e 2012 e de
0,15% a partir de 2013. Com isto, o governo italiano prevê angariar um
total de 8,9 milhões de euros no biénio de 2011-2012 e 13,4 milhões em
2013.

Em relação às pensões, a equipa de Mario Monti prevê introduzir uma
"taxa de solidariedade" sobre as pensões superiores a 200.000 euros.

Estamos a chegar ao tempo do vale tudo!!!!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entregas de casas ao bancos aumentam 18%

No mês de Outubro foram entregues aos bancos 690 imóveis, por
incapacidade dos seus proprietários de continuarem a pagar as
prestações mensais das respectivas hipotecas. Este número coloca em
cerca de 5.200 os imóveis já "devolvidos" durante este ano, o que
representa um aumento de 17,7% face ao ano passado.

Este levantamento foi feito pela Associação dos Profissionais e
Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que considera
que "o resultado obtido é o pior deste ano e representa o corolário de
três meses consecutivos de agravamento deste fenómeno que, apesar de
continuar transversal ao território nacional, é hoje 17,7% superior ao
observado em igual período de 2010".

O arrefecimento do mercado imobiliário é uma das justificações
encontradas, uma vez que está a afectar particularmente os novos
projectos e empreendimentos, acrescenta a APEMIP. Isso faz com que
"parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento
provêem destes agentes, em particular, em municípios como os de
Alcochete, Loulé, Ponta Delgada e Vila do Conde, em que esta realidade
representa, pelo menos, metade da totalidade dos imóveis em causa".

As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto concentram 46,4% das
ocorrências relativas a imóveis entregues em dação em pagamento (39,7%
em Outubro), sendo que dos dez municípios mais relevantes em termos
nacionais (que representa no seu conjunto 29,7% das observações
registadas desde o início do ano e 24,4% das apuradas em Outubro),
apenas três (Loulé, Ponta Delgada e Braga) não pertencem a estas duas
unidades territoriais.

Já o Porto representa 18,9% das dações em pagamento registadas em
termos nacionais em 2010 (21,1% considerando apenas Outubro.

Ainda de acordo com estimativas da associação, ao longo dos dez
primeiros meses de 2011, foram transaccionados entre 160.000 a 165.000
imóveis (tanto urbanos, como rústicos e mistos). em Outubro, as vendas
situaram-se entre 15.000 e os 15.600 negócios concretizados, o que
representou um crescimento mensal de 1,7% face a Setembro. Este
aumento, porém, foi "insuficiente para evitar que este mês tenha sido
um dos três piores deste ano (apenas melhor do que Abril e Setembro,
ambos com resultados abaixo das 15.000 transacções)", refere a análise
da APEMIP.

As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto concentram cerca de 31,8%
das transacções registadas em Portugal este ano (29,6% apenas em
Outubro), sendo que dos 10 municípios mais relevantes em termos
nacionais (que representam no seu conjunto mais de 20,1% das
transacções concretizadas desde o início do ano também 20,1% das
concretizadas em Agosto) apenas três (Braga, Coimbra e Leiria) não
pertencem a estas duas unidades territoriais.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Soros compra a preço de saldo dívida europeia que levou MF Global à falência

O multimilionário gastou dois mil milhões de dólares em obrigações
europeias detidas pela empresa norte-americana, segundoo "The Wall
Street Journal".
O célebre investidor George Soros - que ganhou mil milhões de dólares
a apostar na queda da libra em 1992 (sendo conhecido como o homem que
bateu o Banco de Inglaterra) – comprou dois mil milhões de dólares de
obrigações europeias que eram detidas pela MF Global Holdings, a
empresa que pediu protecção contra credores ao abrigo do capítulo 11
da lei de falências dos EUA.

É precisamente essa mesma dívida que levou a empresa norte-americana a
pedir – a 31 de Outubro - uma reestruturação ao abrigo da lei de
falências que foi agora comprada a preços de saldo pelo Soros
Management Fund, segundo o "WSJ".

O investidor, que nasceu na Hungria e que mais tarde se nacionalizou
americano, gastou dois mil milhões de dólares a comprar parte da
dívida que a empresa ainda detinha.

A MF Global, liderada por ex-senador Jon S. Corzine, vendeu parte das
obrigações que detinha, mas tinha ainda em mãos cerca de 4,8 mil
milhões de dólares desta dívida quando entrou em processo de falência,
refere o jornal norte-americano.

Essas obrigações passaram para a gestão da KPMG, gestora de falências
da MF Global em Londres, tendo sido disponibilizadas para venda a
grandes investidores logo após o colapso da empresa.

Muitos grandes investidores não revelaram qualquer interesse nestas
obrigações europeias, mas George Soros avançou e comprou cerca de dois
mil milhões de dólares desses títulos, por um valor abaixo do preço de
mercado dessa altura, segundo fontes citadas pelo "WSJ".

Esta compra de Soros poderá ser vista pelos mercados como reflectindo
a confiança que o investidor tem na capacidade da Zona Euro para
resolver os seus problemas da dívida, acrescenta o mesmo jornal.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

EBA permite que bancos emitam títulos híbridos para reforçar capital

Decisão da Autoridade Bancária Europeia alivia as pressões dos bancos para cumprirem os requisitos de capital em Julho de 2012. De acordo com o regulador europeu, os títulos híbridos passam a ser elegíveis para os bancos reforçarem os seus capitais, desde que estes sejam considerados de “elevada qualidade”. A EBA explica que como a intenção da criação de almofadas no capital dos bancos visa “absorver potenciais perdas contigentes”, então estes títulos convertíveis “podem ser elegíveis, com critérios muito restritos e harmonizados”. Estes títulos, conhecidos no mundo financeiro por “Coco” (contigent capital), são na prática obrigações que têm a opção de serem convertidas em acções, apenas se determinado evento se concretizar no futuro. Muitas das vezes correspondem a obrigações que pagam um juro anual e serão convertidas em acções, apenas se o capital dessa instituição descer abaixo dum nível definido. A EBA salienta que não alterou a definição de “core tier one”. Contudo, para os bancos constituírem as “almofadas” extraordinárias para fazer face à exposição a dívida pública, “os bancos podem incluir instrumentos que não são ‘core tier one’ mas parecem sólidos o suficiente para absorverem perdas potenciais”, refere o regulador. Para os bancos, é vantajosa a possibilidade de recorrer a estes instrumentos para reforçar o capital, pois deste modo diminuem as necessidades de recorrer a outros procedimentos, como venda de activos ou emissão de novas acções, que obrigaria à entrada de dinheiro (dos accionistas, outros investidores ou Estado) no seu capital. A emissão destes títulos não dilui a posição dos actuais accionistas. Para os bancos portugueses, a EBA identificou necessidades de capital de 6,95 mil milhões de euros. Segundo o Banco de Portugal, deste montante 3,718 mil milhões de euros resultam da avaliação a preços de mercado das exposições a dívida soberana”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bancos em Portugal têm mais balcões e empregados do que antes da crise

Situação em Portugal contraria a tendência média na Zona Euro onde,
entre 2007 e 2010, desapareceram balções e quase um terço dos postos
de trabalho que eram assegurados pela banca.
Portugal não é caso único mas destaca-se pela amplitude com que foge à
regra. Segundo dados hoje divulgados pelo Banco Central Europeu (BCE),
entre 2007 e 2010 o número de balcões e de funcionários dos bancos
instalados em Portugal aumentou quase 7% e 1%, respectivamente. Já na
Zona Euro, em média, o número de balcões caiu quase 1%, com a redução
mais expressiva a observar-se no universo dos postos de trabalho
assegurados, mais de 30%.

Na abertura de balcões, são vários os países que escapam à tendência
europeia. É o caso de Itália, Grécia, Eslováquia e Irlanda. Mas em
nenhum deles se abriram tantos novos balcões entre o início da Grande
Crise e o fim (precário) desta, em 2010, como em Portugal, que passou
a contar com 405 novas agências, totalizando 6.460. No conjunto da
Zona Euro, fecharam 1.636 balcões, para um total de 182.422.

Quanto ao número de funcionários, a banca instalada em Portugal passou
a empregar mais 571 pessoas, alargando o seu universo para 61.550. Já
na Zona Euro observou-se uma redução muitíssimo significativa, de mais
de meio milhão em três anos, com os trabalhadores da banca a
encolherem de 2.294.640 para 1.755.351.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BCP faz emissão de 1.350 milhões de euros em dívida com garantia do Estado

O BCP anunciou hoje que voltou a emitir, na segunda-feira, 1,35 mil
milhões de euros em títulos com garantia do Estado com um prazo de
três anos e taxa variável. A operação tem uma opção de reembolso
antecipado a 5 de Dezembro de 2012.

Fitch baixa 'rating' do Santander Totta em dois níveis

A Fitch reduziu a notação de dívida do Santander Totta em dois
níveis, de 'AA-' para 'A', com um 'outlook' negativo, o que significa
que poderá haver outro corte nos no médio prazo.

A agência explica, em comunicado, que o 'downgrade' ao banco liderado
por Nuno Amado é uma consequência do corte de 'rating' de Portugal. A
24 de Novembro, a Fitch decidiu cortar o 'rating' da República em mais
um nível (BB+), colocando o País na categoria de 'lixo', por causa dos
grandes desequilíbrios orçamentais, dos elevados níveis de
endividamento em todos os sectores e das perspectivas macroeconómicas
adversas.

"O 'downgrade' reflecte a visão da Fitch de que, apesar de a
probabilidade de apoio do Banco Santander ser extremamente elevada, o
enfraquecimento da perspectiva económica e a deterioração do perfil de
risco de Portugal e do seu sector financeiro significa que a Fitch já
não considera apropriado equiparar o 'rating' do Santander Totta ao da
casa-mãe", explica a Fitch em comunicado.

A Fitch espera, contudo, que o Santander Totta consiga cumprir as
exigências de capital mais elevadas, "necessárias para neutralizar uma
nova deterioração da qualidade dos seus empréstimos e a exposição
significativa à dívida portuguesa".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Commerzbank pode ser nacionalizado

Governo alemão não exclui a possibilidade de nacionalizar o banco
Commerzbank, segundo a revista Der Spiegel.

Citando fontes do Governo alemão, o Der Spiegel escreve que Berlim
poderá reactivar um fundo de ajuda à banca no caso de o Commerzbank
não conseguir angariar capital suficiente nos próximos seis meses, tal
como exige a Autoridade Bancária Europeia (EBA)

A revista alemã acrescenta que um novo investimento estatal no
Commerzbank irá provavelmente significar a nacionalização do banco.
Recorde-se que o Estado alemão já detém 25% do capital do banco.

Segundo a agência France Presse, o banco de Frankfurt foi fortemente
afectado pela crise da dívida soberana grega.

A EBA calculou as necessidades de recapitalização do Commerzbank até
ao final de Junho de 2012 em 2.900 milhões de euros. Este valor
representa 60% das necessidades de todo o sector bancário alemão.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Recurso ao BCE dispara com bancos a perderem acesso ao mercado interbancário

"Olhe para o meu ecrã. Ele conta a história. Tenho um grande banco
europeu disposto a emprestar e 40 bancos que querem contrair
empréstimos. E veja os nomes, não são bancos regionais. São os grandes
bancos da Zona Euro e eles não se conseguem financiar no mercado. Têm
de ir ao BCE", disse um "trader" citado pela publicação londrina.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Banco grego Piraeus Bank regista prejuízos de 1,15 mil milhões de euros

A perda líquida do Piraeus Bank nos primeiros nove meses do ano
atingiu 1,15 mil milhões de euros, face a um lucro de 39 milhões de
euros que o banco registou no mesmo período do ano anterior, de acordo
com declarações da instituição sedeada em Atenas. O valor não inclui
uma perda de 21 milhões de euros na sua unidade egípcia, a qual o
banco está a tentar vender, de acordo com a Bloomberg.

O Piraeus Bank aceitou menos-valias no valor de 1,08 mil milhões de
euros nos primeiros nove
meses do ano de um total de 7,5 mil milhões de euros de obrigações
gregas, após o acordo de troca de dívida realizado em Julho, o qual
constituiu parte do resgate europeu à Grécia.

O banco alertou que era provável que registasse perdas adicionais na
dívida nos seus resultados anuais, dado que o novo acordo pretende
impor maiores desvalorizações aos investidores. Já os depósitos do
banco diminuíram 3% durante o terceiro trimestre para 24,5 mil milhões
de euros, de acordo com o Piraeus.

Seis maiores imobiliárias vendem apenas 1.300 casas em 2011

As seis maiores imobiliárias espanholas venderam apenas 1.329 casas
nos primeiros nove meses 2011, avança o jornal "Expansión".

A Martinsa Fadesa, a Metrovacesa, a Reyal Urbis, a Realia e a Quabit
estão a ser fortemente atingidas pela crise, depois do final da bolha
imobiliária espanhola que nas últimas décadas esteve por trás de uma
parte importante do crescimento da economia do país vizinho.

Segundo o jornal, por exemplo, a Metrovacesa que sozinha vendia cerca
de 1.600 casas antes da crise, fechou este ano 135 contratos. A Reyal
Urbis chegou a ter um carteira de encomendas de 5.858 unidades.

A Quabit fechou 335 contratos, ainda que, segundo o Expansión, muitos
deles a sociedades vinculadas a entidades financeiras, face às 2.093
vivendas que entregou durante o mesmo período de 2007, antes da crise.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A inflação e a Europa

Chamo hoje a atenção para o artigo de Vitor Bento no DE. Uma opinião
que eu partilho. A inflação é em si um mal, mas convém perceber que o
que está em jogo é o fim da zona Euro e com grande probabilidade da
União Europeia.


«Sou dos que consideram que a inflação é um mal económico e que,
deixada instalar, rapidamente se torna viciante e viciosa.

Por isso mesmo, desde há muito percebi a importância de um banco
central independente, que pudesse concentrar-se na sustentabilidade a
médio e longo prazo. Independente, entenda-se, do processo eleitoral e
do jogo partidário que este implica, mas politicamente
responsabilizável.

Por isso, sempre tive também grande compreensão pelos receios alemães,
fundados numa dramática experiência de hiperinflação, nos anos 20, que
teve consequências devastadoras na sociedade.

Porém, os grandes problemas na gestão política raramente têm a ver com
a escolha entre o bem e o mal. Surgem sobretudo quando se está perante
a escolha entre dois males. Quando assim é, são necessárias pelo menos
duas cautelas. Primeiro, uma cuidada aferição da malignidade de cada
opção, por forma a identificar, com razoável clareza, qual o mal menor
e o mal maior.

Segundo, a clarividência necessária para não sucumbir ao
fundamentalismo moralista de considerar que mal é mal e, como tal,
ambos devem ser recusados, pois a escolha de qualquer deles implicaria
sempre a cedência ao mal e, como tal, seria sempre "pecaminosa". Esse
fundamentalismo não só é perigoso, do ponto de vista prático - pelas
consequências potencialmente desastrosas a que pode conduzir -, como é
moralmente errado, porque assenta num vício de raciocínio. O vício
desse fundamentalismo consiste em supor que, recusando-se escolher um
dos males, se isenta da responsabilidade moral pelas consequências
supervenientes. Ora, este é um entendimento profundamente errado do
dever moral. Sempre que se está perante uma escolha, está-se perante
uma decisão ética (por natureza e definição), não existindo, por isso,
nenhum caminho moralmente des-responsabilizante. Mesmo a suposta "não
escolha" é sempre uma escolha e influencia o curso dos acontecimentos.
Constitui, por isso, responsabilidade moral para quem a pratica. Mais
concretamente e no caso em que se esteja perante dois males, a recusa
de escolher activamente o mal menor, implica irrecusavelmente a
escolha - "passiva", mas escolha! - do mal maior. A responsabilidade
pelo resultado é, pois e sempre, moralmente iniludível, por mais que
se pretenda purificar a atitude de recusar escolher. Pense-se no que
teria acontecido à Europa e ao Mundo, se as democracias ocidentais
tivessem recusado o mal menor - aliança com Estaline - na segunda
guerra mundial...

O dilema que as autoridades europeias - governos e BCE - têm hoje pela
frente é um dilema moral desta natureza. Se persistirem na recusa do
risco de inflação - actualmente desprezível, mais distante no tempo,
de consequências mais controláveis, e, por tudo isso, o mal menor -
estarão a escolher o caminho de uma generalizada crise bancária, de
uma provável depressão económica e da desintegração europeia - com
consequências mais iminentes, próximas, profundas e irreversíveis, ou
seja, portanto, o mal maior. Não haverá meio termo. Este é um dos
raros momentos históricos em que os protagonistas não conseguirão
passar sem registo. Seja qual for a escolha que façam - activa ou
passiva - a História não os isentará da responsabilidade moral e
inscreverá os seus nomes na memória futura.

Mas não nos iludamos: seja qual for a opção europeia, a Portugal não
resta alternativa que não passe pela austeridade orçamental, reformas
estruturais e desvalorização real. Até o tempo para o ajustamento
depende do que "a Europa" nos conceder...

PS: Aos "surpreendidos"/distraídos, antes que comentem: Cf. "Salvar o
Euro", JN, 11/03/10
____

Vitor Bento, Economista»

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fundo de Resolução da banca

O Governo aprovou a Lei nº58/2011 onde estabelece "mecanismos de
intervenção preventiva e correctiva, para criar uma fase de
administração provisória e para definir os termos e competência para a
resolução e liquidação pré-judicial de instituições sujeitas à
supervisão do Banco de Portugal", revela o documento publicado hoje em
Diário da República.

A Lei, que tem como objectivo facilitar a gestão de casos como o BPN
ou BPP, tem duas vertentes. A primeira visa a recuperação de uma
instituição financeira. A segunda a sua liquidação.

Assim, o Banco de Portugal terá poderes para decidir sobre vendas de
activos, transferências dos mesmos, suspensão da administração e de
fiscalização do banco e a sua substituição. E caso seja elaborado um
plano de reestruturação que os accionistas não aprovem ou que as
medidas neste contidas não sejam implementadas, o Banco de Portugal
terá poderes para intervir, nomeando uma administração provisória, ou
revogando a autorização da instituição.

"O Banco de Portugal pode determinar a transferência, parcial ou
total, de activos, passivos, elementos extrapatrimoniais e activos sob
gestão das instituições para um ou mais bancos de transição para o
efeito constituídos, com o objectivo de permitir a sua posterior
alienação a outras instituições autorizadas a desenvolver a actividade
em causa", revela o documento hoje publicado.

O banco de transição criado para este fim terá um capital social
detido pelo Fundo de Resolução. Este fundo será constituído através da
participação "obrigatória" das "instituições de crédito com sede em
Portugal, bem como as empresas de investimento que estejam incluídas
no mesmo perímetro de supervisão", revela o mesmo documento. Ficam de
fora desta contribuição as caixas de crédito agrícola mútuo associadas
da Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Bancos deverão ter de reconhecer nas contas de 2011 imparidades no valor de 50% do valor nominal das obrigações gregas

A Autoridade Europeia dos Mercados Valores Mobiliários (ESMA) aprovou
hoje um entendimento sobre como devem as empresas cotadas reflectir,
no final de 2011, nas suas contas a variação do valor da dívida
soberana e respectivas divulgações.

De acordo com informação da ESMA, os activos contabilizados pelos
investidores como "detidos até à maturidade", "a determinação do
montante a reconhecer como imparidade deve resultar da diferença entre
o valor contabilístico e o valor actual do que se estima vir ainda a
ser recebido (à taxa de juro original efectiva)".

Para esse efeito, os investidores podem utilizar como referência "a
percentagem do valor da dívida que é perdoada 'haircut' e que esteja
prevista nos planos de reestruturação da dívida grega, tendo em conta
o possível diferencial de estimativas."

Denote-se que a maior parte da exposição dos bancos em obrigações
gregas está alocada na carteira "detidos até à maturidade" (do inglês:
'held to maturity'), em detrimento da carteira "disponíveis para
venda" (do inglês: 'available for sale').

Neste sentido, e apesar de o plano de reestruturação da dívida grega
ser ainda desconhecido e as negociações ainda estarem a decorrer, a
ESMA refere que "com base na declaração da última Cimeira Europeia, o
plano deverá requerer que os detentores de obrigações gregas aceitem
uma redução de 50% do valor nominal dos títulos".

Deste modo, e de acordo com cálculos do UBS, publicados num 'research'
com data de ontem, o BCP incorre em imparidades de 350 milhões de
euros resultantes da sua exposição a títulos de dívida grega, que
terão um impacto de 0,43% sobre o rácio de capital 'core Tier 1' do
banco.

Nas contas do BPI, o impacto desta medida poderá traduzir-se em
imparidades de 240 milhões de euros, em resultado de uma exposição
nominal a dívida grega no valor de 480 milhões de euros.

Ou seja, só o BCP e o BPI incorrem, no total, em imparidades de 590
milhões de euros devido à reestruturação da dívida grega.

O BES sai ileso desta operação, pois não tem no seu portefólio
qualquer exposição a obrigações do Tesouro helénico.

A ESMA salienta ainda a "importância da divulgação de todas as
informações relacionadas com a exposição a dívidas soberanas, de
acordo com a IFRS 7, incluindo não só a exposição directa mas também a
prestação de quaisquer garantias relacionadas com esses instrumentos
financeiros, 'credit default swaps' (CDS), contratos de futuro, opções
ou outros derivados", refere a CMVM em comunicado.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entrada na banca a valor contabilístico seria considerada ajuda de Estado

"A possibilidade da entrada no capital a valor contabilístico é uma hipótese que nunca foi equacionada a nível europeu e de acordo com a tradição da Direcção-Geral de Concorrência nesta matéria, uma tal operação seria considerada imediatamente como ajuda de Estado, incompatível com o direito da concorrência", disse o Vítor Gaspar perante as questões do deputado do PCP Miguel Tiago numa audição no Parlamento. Além de um péssimo negócio para o Estado... acrescento eu.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Banco de Espanha viu-se ontem forçado a nacionalizar o Banco de Valência

O Banco de Espanha viu-se ontem forçado a nacionalizar o Banco de
Valência com uma intervenção de mil milhões de euros que expõe uma das
maiores fragilidades da economia espanhola: o desconhecimento da
verdadeira situação da banca perante a necessidade urgente de a
recapitalizar. O Banco de Valência representa apenas 0,74% do sistema
financeiro espanhol mas é a quarta entidade financeira espanhola a ser
ocupada pelo sector público, depois da Caja Castilla La Mancha (2009),
Cajasur (2010) e CAM (2011). Outras três Cajas - a Unnim, a
NovaCaixaGalicia e a CatalunyaCaixa - foram também nacionalizadas mas
mantiveram os seus gestores. As intervenções foram conduzidas pelo
Banco de Espanha, liderado por Miguel Ordoñez, através de um
instrumento especial para ajudar a banca a digerir a crise: o Fundo de
Reestruturação Bancária (FROB).

Em Espanha, a crise tem aqui um contorno bem diferente da situação
portuguesa. A explosão da bolha no sector da habitação, obrigando a
uma desvalorização brutal dos activos imobiliários, veio provocar um
desfalque enorme nos balanços dos bancos, que procuram sobreviver
escondendo a sua exposição.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Como funciona o processo de falência das famílias

O processo de insolvência é um processo de execução universal, que tem
como finalidade a liquidação do património de um devedor insolvente e
a repartição do produto obtido pelos credores, ou a satisfação destes
pela forma prevista num plano de insolvência.

Normalmente um cidadão comum "recorre à insolvência quando o crédito
já lhe foi cortado e não tem forma de pagar as dívidas existentes; ou
quando é alvo de uma penhora de vencimento não lhe permitindo ter
rendimento disponível para cumprir com as suas obrigações; ou quando
se depara com uma situação de desemprego e não tem forma de
sustentabilidade; ou quando contrai novos empréstimos para pagar
empréstimos já existentes recorrendo, nomeadamente, às financeiras de
crédito aprovado no imediato, criando uma espiral sem fim".

Como avança uma família para um processo de insolvência?

1) O processo de insolvência inicia-se com uma petição escrita
dirigida ao tribunal, sendo obrigatória a constituição de advogado. Na
petição são expostos os factos que contribuíram para a situação de
insolvência. "Os cônjuges podem apresentar-se conjuntamente à
insolvência, no caso de ambos se encontrarem em situação de
insolvência e se o regime de bens não for o da separação"

2) Com a declaração da insolvência "é decretada a imediata apreensão
dos bens. O devedor fica privado dos poderes de administração e de
disposição dos seus bens, que passam para o administrador de
insolvência".

Da insolvência culposa "resulta para o devedor a inabilitação durante
um período de dois a dez anos, a inibição para o exercício do comércio
e para ocupação de certos cargos públicos". No processo de
insolvência, as dívidas do insolvente poderão ser pagas através da
liquidação do seu património ou através de um plano de pagamentos, de
forma similar aos processos de insolvência das empresas.
No regime de insolvência das pessoas singulares há uma figura
designada por "exoneração do passivo restante", que permite a essas
pessoas que não conseguem solver as suas dívidas, não ficarem onerados
com as mesmas "ad eternum". "O pedido de exoneração do passivo
representa um "fresh start" para o devedor que seja pessoa singular,
permitindo-lhe a exoneração dos créditos sobre a insolvência que não
forem integralmente pagos no processo de insolvência ou nos cinco anos
posteriores ao encerramento deste, quando observadas certas
condições", acrescentou.

Durante os cinco anos subsequentes ao encerramento do processo de
insolvência, designado por período de cessão, o rendimento disponível,
ou seja, parte do rendimento que o devedor venha a auferir será cedido
a uma entidade, designada por fiduciário, escolhida pelo tribunal.
Será o fiduciário quem afectará os montantes recebidos, no final de
cada ano em que dure a cessão, ao pagamento das despesas do processo
ainda existentes, da sua própria remuneração e distribuição do
remanescente pelos credores da insolvência.

No rendimento que será objecto de cessão será acautelado o sustento
minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Metade dos investidores acredita que BCE vai imprimir dinheiro

Com a chegada em força da crise de dívida soberana a Itália e a Espanha, os responsáveis pelas estratégias de investimento dos maiores bancos mundiais começam a considerar cada vez mais provável que o BCE tenha de imprimir dinheiro para estancar a tempestade financeira. 49% dos 50 responsáveis inquiridos pela Reuters acredita que o BCE será forçado a optar pelo ‘quantitative easing' para responder à crise nos mercados de dívida. A maioria dos estrategas que acreditam nesta possibilidade considera provável que tal venha a acontecer em Março de 2012. No entanto, os últimos sinais vindos de Frankfurt não vêm nessa direcção. O BCE não tem elevado as compras de dívida no mercado secundário e o presidente Mario Draghi disse no início do mês que este programa é "temporário" e "limitado". Recorde-se que o BCE está, segundo o seu mandato, impedido de financiar os países do euro. Apesar disso são cada vez mais os economistas a defender que apenas o banco central poderá impedir uma catástrofe financeira na Europa. Uma das soluções que tem sido noticiada nos últimos dias é a possibilidade do BCE conceder empréstimos ao FMI que, por sua vez, abriria linhas de crédito aos países com dificuldade em se financiarem no mercado. Os economistas do RBC Capital Markets referiram num relatório a que o Económico teve acesso que esta solução "não seria um obstáculo à luz do artigo 23 dos estatutos do BCE, já que [o banco] pode ‘conduzir todos os tipos de transacções bancárias em relação a países terceiros e a organizações internacionais, incluindo operações de conceder e solicitar empréstimos". Apesar disto realçam que a ideia ainda é "teórica" e que provavelmente teria a oposição da Alemanha. A boa notícia é que 40 dos 50 inquiridos pela Reuters não acredita que existam mais resgates na zona euro semelhantes aos que aconteceram com a Grécia, Portugal e Irlanda

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

As estratégias das mediadoras para vender casas

Interessante artigo do DE. A oferta ajusta-se à procura «Num período de recessão económica e de fecho de dezenas de mediadoras por mês, as empresas imobiliárias estão a ser mais selectivas tanto nos imóveis como nos clientes que representam. A angariação do comprador adequado para o imóvel a comercializar, o trabalho em rede, o apoio da Internet na partilha da informação interna e o cruzamento da oferta disponível com agentes de outras mediadoras constituem hoje condições essenciais ao sucesso das operações imobiliárias. O primeiro passo das mediadoras é angariar o imóvel adequado ao justo preço de mercado. "O grande desafio passa por definir muito bem a carteira de imóveis que hoje se ajusta à procura e às necessidades das famílias e investidores, com preços reais de mercado", nota o administrador da Century 21 para Portugal, Ricardo Sousa. Após essa fase de angariação do imóvel, é definida a estratégia de promoção. "Utilizam-se jornais, anúncios, revistas próprias, distribuição de ‘flyers' e a partilha nas redes sociais", testemunha a angariadora imobiliária da Remax, Saida Morais, ao Diário Económico. A Internet constitui actualmente uma eficaz ferramenta de trabalho para as mediadoras e com reduzidos custos. "O anúncio através de uma boa foto-reportagem e a descrição na Internet são um excelente cartão de visita. Sempre que se justifica, recorro a serviços de fotógrafos profissionais", explica ainda Saida Morais, nomeada em 2010 a segunda melhor agente da Remax. A criação de serviços inovadores constitui outra das apostas das redes internacionais. "O novo serviço ‘Já ERA Online' permite a compra e venda de imóveis pela Internet de forma rápida (em 30 dias), segura e eficaz, sem qualquer custo acrescido para o cliente", conta o director-geral da ERA, Miguel Poisson. Este serviço criativo já trouxe a Portugal a visita de outras filiais internacionais com o intuito da "implementação do modelo ‘online' nos seus mercados", sublinha ainda o gestor. Um segundo serviço está associado ao portefólio de casas penhoradas pela banca, num total de cinco mil imóveis. "O financiamento é até 100%, com ‘spread' competitivo (metade dos praticados no restante crédito), isenção de custos de avaliação e isenção das despesas de ‘dossier'", confere Miguel Poisson. Nessa linha de serviços, a Century 21 criou pacotes de imóveis a que lhes chamou ‘Bolsa de Arrendamentos', ‘Imóveis Anti-Crise da Banca' com financiamento a 100%, ‘Imóvel para o Negócio da sua Vida' - carteira de imóveis comerciais ideais para montar negócios de comércio de rua - e ‘Bolsa de Imóveis Agarre este Investimento', direccionado para investidores", descreve Ricardo Sousa. Na concorrência, os números não são muito diferentes. "Neste momento temos para comercialização mais de 4.500 imóveis, entre moradias, apartamentos, terrenos e lojas. Todos têm financiamento a 100%", garante a presidente executiva da Remax, Beatriz Rubio. São estes imóveis da banca que são mais vendidos pelas mediadoras, mas a banca ainda empresta a clientes. "Mesmo assim, continua a haver crédito, mas com maiores restrições", diz a gestora da rede de 220 lojas e três mil agentes em Portugal. Poder de compra do cliente Outra das regras das mediadoras é não perder tempo com quem não tem capacidade financeira. Para angariar o comprador ideal, Beatriz Rubio aplica regras muito claras e eficazes. "A ferramenta mais correcta é a qualificação do comprador. O agente consegue logo saber quais são as suas necessidades e o montante desejado de financiamento. Com estas informações, os agentes Remax conseguem cruzar o imóvel certo com o comprador certo", descreve a líder da rede de mediação internacional. Divórcios dominam operações No rol de circunstâncias que ditam a intervenção dos mediadores, as separações estão no topo dessa lista. "Os divórcios produzem três negócios: a venda do imóvel em comum do casal e a compra ou arrendamento para cada membro do casal. Seguem-se os clientes com necessidades de venda imediata, por dificuldades financeiras, ou incapacidade para suportar os encargos, clientes com o desejo de mudança de casa, face ao aumento ou diminuição do agregado familiar. Nestes últimos casos, os clientes já têm capacidade para partir para uma compra sem depender da venda do imóvel actual", frisa Saida Morais. Outra das opções crescentes é o arrendamento e as permutas de imóveis, face às vantagens fiscais e à dificuldade na venda do imóvel antigo. "Estamos a assistir a um aumento gradual de procura de arrendamentos e de arrendamentos com opção de compra", sustenta Beatriz Rubio, que recorda um pedido de uma celebridade dirigido a Portugal: "O ‘rapper' norte-americano Kanye West entrou numa agência Remax e pediu para comprar um palácio em Sintra! Infelizmente, não constava na nossa base de dados na altura..."»

Banca ou estados? Inquérito da Fitch relativo à situação dos mercados

Os investidores estão cada vez mais preocupados com o impacto da crise de dívida soberana no sistema financeiro. Segundo uma sondagem realizada pela Fitch, "os investidores estão mais preocupados acerca da capacidade de financiamento dos bancos. Quase metade dos inquiridos (49%) votaram na banca como o sector que enfrenta os maiores desafios de refinanciamento - ultrapassando os soberanos de mercados desenvolvidos pela primeira vez". Além disso, a perspectiva dos investidores sobre a resolução da crise não é famosa e que, mais cedo ou mais tarde a zona euro terá de evoluir para uma união orçamental. A Fitch refere que apenas 4% dos inquiridos espera um desmembramento da união monetária. No entanto, 29% temem vários incumprimentos por parte de estados membros. Os gestores também não estão confiantes no andamento da economia mundial. 70% dos inquiridos acredita que o risco de uma recaída em recessão é "elevado", uma forte subida em relação aos números dos últimos trimestres, refere a Fitch. A agência realiza esta sondagem trimestralmente. O estudo teve como base a opinião de 82 especialistas (executivos, gestores de fundos de obrigações, chefes de análise de obrigações e analistas de crédito) que, no seu conjunto, gerem activos de taxa fixa no valor de 5,8 biliões de dólares.

Vendas de casas de luxo com queda entre 10 e 15%

O mercado imobiliário de luxo registou em 2010 um decréscimo, entre 10
e 15%, no número de transacções concluídas bem como nos valores médios
das vendas.

De acordo com o estudo elaborado pela consultora Prime Yield e pela
imobiliária Fine & Country, "o mercado sente, agora, um dinamismo
bastante reduzido, tendo observado, em 2010, decréscimos quer no
número de transacções concluídas quer nos valores médios das vendas,
com quedas entre os 10 e os 15%".

"O mercado de 'resorts' turísticos de luxo apresentou, em 2010 e no
primeiro semestre de 2011, à semelhança do mercado imobiliário, uma
tendência generalizada de contracção, influenciado pelas condições
económicas e financeiras adversas e pelas crescentes restrições de
acesso ao crédito, quer a nível nacional quer internacional", explica
o estudo hoje divulgado.

Segundo o "The Luxury Tourist Resort Property Market", "diversos
projectos em carteira acabaram por ser reavaliados e as decisões de
avançar com a promoção congeladas, com os promotores a apresentarem
uma postura mais cautelosa e a reformularem os seus investimentos de
forma a adequarem os produtos à nova realidade económica e a um
consumidor mais cauteloso e constrangido em termos de recursos
financeiros".

Apesar do arrefecimento do mercado português de imobiliário de luxo, o
estudo ressalva que "os preços do imobiliário mantiveram-se
consolidados no Triângulo Dourado, formado por Vale do Lobo, Quinta do
Lago e Almancil", a zona de 'resorts' mais cara de Portugal, superando
a barreira dos três milhões de euros em 2010.

O director da Fine & Country, especializada na comercialização de
imobiliário residencial de luxo, Alberto Pinheiro, considera que "2010
e os primeiros meses de 2011 confirmaram a tendência que começou a
revelar-se em 2009, marcada pelo abrandamento do volume de oferta em
construção bem como de uma abordagem mais cautelosa aos projectos
ainda em fase de planeamento".

Por seu lado, o director da Prime Yield em Portugal, especialista em
avaliação imobiliária, José Velez, realçou que "Portugal tem um
mercado de imobiliário de 'resorts' especialmente resistente, dado ser
menos exposto às variações dos ciclos imobiliários, tendo em conta as
suas características e vantagens naturais, mas também devido à
qualidade de construção e design".

In DE

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Parlamento Europeu aprova regras para travar especulação sobre a dívida soberana

O Parlamento Europeu aprovou hoje um regulamento que proíbe a venda a
descoberto de seguros contra o risco de incumprimento (CDS) de
soberanos. Interdição deve entrar em vigor em Novembro de 2012.
O regulamento hoje aprovado visa tornar mais difícil a especulação
sobre a dívida soberana de um país. A nova legislação tem por
objectivos ainda aumentar a transparência e permitir aos reguladores
detectar mais facilmente riscos no mercado de dívida.

O regulamento, que deverá ser aplicável a partir de Novembro de 2012,
vai apertar as regras sobre as vendas a descoberto e sobre os swaps de
risco de incumprimento (credit default swaps, ou CDS), tidos como
responsáveis pela volatilidade e reacção exagerada dos mercados,
especialmente em períodos de instabilidade financeira, e pelo
agravamento dos problemas na Grécia.

"Estas regras provam que a UE pode agir contra a especulação quando
existe vontade política. Este regulamento fará com que seja impossível
comprar CDS com o único intuito de especular sobre o default de um
país", disse o relator do Parlamento Europeu, o francês Pascal Canfin,
do grupo "Os Verdes".

Visto que a participação em transacções de CDS soberanos sem uma
exposição subjacente ao risco de desvalorização do instrumento de
dívida soberana pode ter um impacto negativo na estabilidade dos
mercados de dívida soberana, será proibido tomar tais posições não
garantidas em CDS.

Ainda de acordo com o comunicado enviado pelo Parlamento Europeu, o
novo regulamento permite ainda que, aos primeiros sinais de que o
mercado de dívida soberana não esteja a funcionar convenientemente, a
autoridade reguladora nacional possa suspender temporariamente (12
meses, no máximo) essa restrição com base em "elementos objectivos",
como uma taxa de juro da dívida soberana elevada ou crescente, o
alargamento do spread da taxa de juro da dívida soberana em relação à
dívida soberana de outros emitentes soberanos.

As medidas relacionadas com a dívida soberana e com os CDS soberanos,
incluindo mais transparência e restrições às vendas a descoberto sem
garantia de detenção dos activos, devem impor "requisitos que sejam
proporcionados e que simultaneamente evitem um impacto adverso sobre a
liquidez dos mercados", estabelece o regulamento.

In J. de Negócios


Eu pergunto agora: essa proibição é feita apenas no mercado europeu?
Quem impede os investidores de negociar estes instrumentos em
plataformas fora da UE?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

BCP vende 411 casas a 'preços de saldo'

«Mês do Imobiliário Millennium é um novo negócio do banco Millennium bcp que tem como objectivo apostar na comercialização dos seus imóveis. Com o slogan ‘M Imóveis’, a instituição financeira vai promover durante um mês uma campanha de comercialização com preços muito vantajosos, envolvendo quatro praças comerciais em Portugal (Norte, Centro Norte, Centro Sul e Sul), 142 sucursais de 16 cidades e cerca de 60 mediadores. No total serão 411 imóveis postos à venda. As promoções consistem em descontos que vão de 10% a 20% do valor de venda autorizado para habitações e até 30% noutros tipos de propriedade. No final, o banco espera um retorno de capital na ordem dos 36 milhões de euros.» In Sol

França prolonga proibição de "short selling" por mais três meses

O Ministros das Finanças francês vai prolongar a proibição das vendas curtas para "desencorajar práticas especulativas" em 10 acções do sector financeiro. “A proibição do ‘short selling’ é uma forma de desencorajar práticas especulativas”, disse o responsável francês numa declaração por e-mail citada pela Bloomberg . Não haverá algo de errado aqui? Não deveria de existir independência entre o governo e o regulador (AMF)? Terá esta medida algum mérito? A proibição foi imposta a 11 de Agosto, tornando-se efectiva a partir do dia seguinte. Desde aí, as acções do Crédit caíram 23% até ao fecho de ontem, enquanto as do Société Générale perderam 25%. O índice europeu da banca desceu 13% desde 12 de Agosto, ou seja, substancialmente menos que os títulos franceses. Um estudo de Carlos Alves indica que as vendas curtas são benéficas para o mercado, desde que respeitem as regras, porque contribuem para uma “maior eficiência do processo de formação de preços”.

BPI é o banco mais exposto à dívida pública italiana

Os maiores bancos portugueses têm 1,032 mil milhões de euros de exposição à dívida pública de Itália. Este montante está quase todo no balanço do banco BPI. BPI --> 972 milhões de euros BCP --> 50 milhões de euros Caixa Geral de Depósitos e BES --> 0.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Arrendamento subiu 6,3% numa década

«A maioria dos alojamentos arrendados paga uma renda superior a 200
euros. Quase metade dos contratos de arrendamento são posteriores a
2005, revela o INE.
Desde 2001, o parque habitacional arrendado cresceu 6,3%, sendo que
46,9% dos contratos de arrendamento foram celebrados entre 2006 e
2011. Os dados ainda preliminares resultantes do Census 2011 realizado
pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam variações muito
díspares, com Açores (+41,5%), Madeira (+27,3%) e Algarve (+27,5%) a
registarem crescimentos muito significativos no arrendamento. A região
que menos cresceu foi o Alentejo com 0,5%.
O valor mensal da renda da maior parte dos alojamentos arrendados, a
nível nacional, situa-se nos escalões acima de 200€ (54,6%). Contudo,
6,8% desses alojamentos pagam menos de 20€, com destaque para o
Alentejo onde este peso corresponde a 11% dos alojamentos arrendados.
Verifica-se que as regiões da Madeira, Norte e Alentejo são aquelas em
que o peso das rendas inferiores a 200€ é mais elevado,
respectivamente 54,8%, 53% e 50,3%. Em contrapartida, na região de
Lisboa 9,6% dos alojamentos arrendados apresentam uma renda superior a
650€. Os Censos 2011 apuraram ainda que os alojamentos vagos para
arrendar passaram de 80 094 em 2001 para 110 207, a que corresponde um
crescimento de 37,6%. O total de alojamentos vagos para arrendar, face
ao total de alojamentos familiares, assume a sua maior expressão na
região do Algarve com 3,2%. É também nesta região que os alojamentos
vagos para arrendar assumem a maior expressão relativamente ao total
de alojamentos vagos (24,3%). Na região de Lisboa, estas situações
representam, respectivamente, 2,2% e 17,4%.»

Conselhos obtidos ao balcão justificam maioria das escolhas de produtos bancários

«Dos portugueses inquiridos pelo Banco de Portugal só uma pequena
percentagem afirma que a escolha dos produtos bancários resultou da
comparação entre produtos de várias instituições financeiras.
"Questionados sobre as razões subjacentes à escolha dos produtos
bancários que possuem, 54% dos entrevistados apontam como factor de
escolha o conselho obtido ao balcão onde têm conta", revela o
Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa.

O conselho de familiares ou amigos é a razão apontada por 25% dos
inquiridos, sendo que "apenas 8% dos entrevistados mencionam a
comparação entre várias alternativas como factor determinante no
processo de escolha do produto bancário".

O aconselhamento junto de entidades especializadas é mencionado apenas
por 5% dos inquiridos, quase tanto como aquele que é conseguido na
Internet ou através da televisão, segundo o Banco de Portugal.»

J. de Negócios


Note-se que os funcionários dos balcões sofrem de um forte conflito de
interesses. O seu desempenho (os seus bónus e prémios) dependem dos
produtos subscritos pelos clientes. Assim, têm todo o interesse em
vender o máximo. Mais ainda, vão encaminhar os clientes para os
produtos que lhes proporcionam maiores bónus ou que lhes permitam
atingir mais objectivos comerciais, mesmo que não se adequem ao
cliente.
Mais problemático é quando esses funcionários vendem aos clientes
produtos bancários que nem eles próprios compreendem, o que acontece
mais frequentemente do que se pensa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Imposto sobre mais-valias duplica para os fundos portugueses

Os fundos portugueses tinham escapado ao aumento do imposto sobre as
mais-valias. A taxa sobe de 10% para 21,5% a partir do próximo ano.
Quando o Governo aumentou o imposto sobre as mais-valias de 10% para
20%, em Julho de 2010, deixou de fora os fundos de investimento
portugueses. Isso permitia aos aforradores continuarem a beneficiar do
regime fiscal antigo, desde que confiassem as poupanças a um gestor. A
proposta de Orçamento do Estado para 2012 acaba com esta excepção.

Para um indústria já hoje moribunda, este é mais um prego no caixão.

Crédito malparado dispara em Angola

Afinal não é só em Portugal.

Entre 2009 e 2010 o crédito malparado na banca angolana praticamente
duplicou. Os dados são de um estudo elaborado pela KPMG e intitulado
'Análise ao sector bancário angolano'. e cujos resultados foram
apresentados ontem em Lisboa.

Segundo as informações recolhidas pela consultora, em 2010 o crédito
vencido nos 23 bancos angolanos disparou 79,6%, o que significa que o
rácio de crédito vencido sobre o crédito total se fixou nos 5,1%.

Já em termos de eficiência, a KPMG nota que a evolução do
'cost-to-income' foi, globalmente, negativa, com um aumento de dez
pontos percentuais entre 2009 e 2010, para 49,7%. Uma subida
justificada pelo aumento dos custos operacionais, derivados da
abertura de mais balcões e consequente aumento do número de
funcionários - o sector bancário angolano emprega, actualmente, mais
de 11.000 pessoas. E numa altura em que as financeiras europeias
enfrentam dificuldades devido à crise que assola a região, eis que as
instituições angolanas surpreendem com uma atractiva Rentabilidade dos
Capitais Próprios (ROE), que em 2010 se fixou nos 30,3%. Um valor que
foi, ainda assim, penalizado pelo aumento dos custos de estrutura,
nota a KPMG no mesmo estudo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As 10 maiores falências de sempre nos EUA

- Lehman Brothers, Setembro de 2008. Activos: 691 mil milhões de dólares - Washington Mutual, Setembro de 2008. Activos: 328 mil milhões de dólares - WorldCom , Julho de 2002. Activos: 104 mil milhões de dólares - General Motors, Junho de 2009. Activos: 91 mil milhões de dólares - CIT Group, Novembro de 2009. Activos 80 mil milhões de dólares - Enron, Dezembro de 2001. Activos: 65 mil milhões de dólares - Conseco, Dezembro de.2002. Activos: 61 mil milhões de dólares - MF Global, Outubro de 2011. Activos: 41 mil milhões de dólares - Chrysler, Abril de 2009. Activos: 39 mil milhões de dólares - Thornburg Mortgage, Maio de 2009. Activos: 36 mil milhões de dólares Fonte: AP, BankruptcyData.com