sábado, 30 de julho de 2011

BCP faz desconto a quem liquidar o crédito à habitação

«O BCP está a oferecer a clientes a possibilidade de amortizarem a
totalidade do empréstimo à habitação oferecendo como contrapartida um
desconto.

Segundo o 'Expresso', o banco diz que se trata de um prémio de
incentivo pela amortização antecipada dos empréstimos. O semanário
afirma que em alguns casos esse corte pode chegar aos 10% do valor da
dívida.

Estas operações "são avaliadas caso a caso e dependem do valor da
dívida, do 'spread' em vigor, e claro, da capacidade dos clientes em
pagar a dívida em causa".

Segundo o jornal, não se trata, para já, de uma campanha comercial do
banco, mas apenas de um programa-piloto para avaliar o interesse dos
clientes e também para o banco deste tipo de operações.»

In Expresso

Poderá ser compensador para o banco trocar contratos longos e com
spreads baixos por um desconto na amortização antecipada total. Já
agora, a quanto estarão a ser cotadas as obrigações do BCP garantidas
por contratos de crédito e respectivos colaterais (titularização)?
Será que o banco ainda faz lucro?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fundos de pensões: contribuição definida ou benefício definido?

Em Portugal a grande maioria dos fundos de pensões é de benefício definido, cerca de 92,18% dos fundos. Significa isto que, o investidor/aforrador assegura uma pensão fiaa quando atingir a idade de reforma contratualizada. Este tipo de fundos de pensões são os mais usais entre os países da OCDE. Não obstante, existem 11 países onde os fundos de contribuição definida predominam.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Moratória nos créditos à habitação em Espanha

<Medida inclui período de carência no crédito à habitação até três anos.
A partir de 1 de Agosto, o banco Santander passará a disponibilizar um período de carência de capital aos titulares de contratos de crédito à habitação que tenham perdido o emprego ou mais de 25% das suas receitas. A medida foi ontem anunciada em Espanha, por ocasião da apresentação dos resultados do banco no primeiro semestre. Até ao fecho desta edição, o Santander Portugal não confirmou se a medida será extensível também ao mercado nacional.>

DE

Valor relativo dos Fundos de Pensões no total da economia (PIB)

Os fundos de pensões têm uma importância muito modesta na economia portuguesa, porquanto representam somente 11,4% do PIB português. Portugal surge aliás, nos últimos lugares do ranking da OCDE em relação ao peso dos fundos de pensões no PIB. A média da OCDE é de 71,6%, com os fundos de pensões da Holanda a apresentarem um peso superior a 180% do PIB.

(Parece que os holandeses não vão ter problemas quando atingirem a terceira idade...)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Composição dos fundos de pensões públicos nos países da OCDE

Os fundos de pensões públicos em Portugal são maioritáriamente compostos por obrigações. Esta classe de activos representa 64,5% do seu valor . Por sua vez, as acções correspondem a 21,7% do valor destes fundos de pensões.

Já os fundos de pensões públicos dos EUA, Espanha e Bélgica são compostos exclusivamente por obrigações por contraposição à Austrália, Nova Zelândia e Canadá em que o valor investido em obrigações se traduz em menos de 1\3 do total investido. Nestes países o valor do investimento em acções supera o valor do investimento em obrigações.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fundos de Pensões em Portugal

Em média, os fundos de pensões portugueses perderam 8,1% em 2010.
Trata-se do pior desempenho entre os países da OCDE. Além de Portugal,
apenas os fundos de pensões gregos, islandeses, espanhóis e checos
apresentaram desvalorizações no ano passado. Em média, os fundos de
pensões dos países da OCDE valoriozaram 4,3% em 2010. Os maiores
ganhos pertenceram aos fundos de Nova Zelândia, Chile e Finlândia.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Site da Global Derivatives

Esta semana destaco o site Global Derivatives. Trata-se de um site de
finanças quantitativas que dispõe de um conjunto de recursos
assinalável, quer em termos de algoritmos para cálculo do fair price
de derivados, quer em termos de working pappers e faq's.

Na parte algoritmica existe porém, uma ressalva: algumas das
spreadsheats encontram-se protegidas.

O website contém ainda algumas funções em matlab, sendo que estas não
se encontram protegidas.

http://www.global-derivatives.com/index.php/pricing-models-topmenu-37

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Índices iTraxx

Os índices iTraxx foram desenvolvidos para mostrar a evolução do
comportamento dos mercados de crédito. O cálculo dos valores do índice
é efectuado a partir de cotações de Credit Default Swaps (CDS) de uma
série de empresas pré-selecionadas. Essas cotações traduzem o prémio
de risco de crédito percepcionado pelos investidores em relação a
essas empresas.

Os CDS que compõem esses índices são selecionados a partir de um
conjunto de critérios, como o volume de negociação nos últimos seis
meses, ratings das entidades de referência, spread de crédito e sector
de actividade. No caso do índice principal (iTraxx Europe) o
subjacente são os 125 CDS de maior volume de negociação nos últimos
seis meses, cujas entidades de referência têm uma ratings não inferior
a Baa3/BBB-, segundo as agências Moodys e S&P, respectivamente.

Os índices são geridos pela Markit.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O MEDIP – Mercado Especial da Dívida Pública é um mercado regulamentado destinado à negociação electrónica por grosso de títulos da dívida do Tesouro Português (Obrigações do Tesouro - OT e Bilhetes do Tesouro - BT).

O MEDIP é um mercado de transacções por grosso entre especialistas, que negoceiam por conta própria, e em que a liquidez é suportada por obrigações de cotação de uma parte dos seus participantes – market makers. Além dos market makers podem ainda participar no MEDIP, market dealers.

Os market makers têm a obrigação de manter cotações firmes de compra e venda no sistema, durante um mínimo de cinco horas diárias, para um conjunto de títulos líquidos. As propostas dos market makers estão sujeitas a um limite mínimo de quantidade e a um spread bid/offer máximo, pré-estabelecidos. Os market dealers podem apenas negociar com base nos preços dos market makers, i.e., poderão apenas aceitar propostas dos market makers.

Com o o advento da crise da dívida soberana este mercado conheceu uma queda acentuada das transacções. Comparando o primeiro semestre de 2010 com o primeiro semestre de 2001, verifica-se uma queda superior a 73%. A redução brusca da liquidez poderá reflectir-se num maior prémio liquidez requerido pelos investidores, pois poderão antecipar antecipar maiores dificuldades em vender as obrigações do tesouro por um valor justo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Novas emissões de dívida obrigacionista pelos bancos nacionais

Ontem a CGD, hoje o BES emitiram dívida sénior (floating notes) a 3 anos com spreads 4,95% superiores à Euribor a 3 meses. Acresce que essa dívida foi emitida com garantias do estado português. Sem dúvida que se trata de um prémio de risco muito elevado e que certamente se vai repercutir sobre as taxas a praticar junto dos clientes. Mas será esta situação sustentável? Ou melhor, será sustentável durante quanto tempo?

Para responder a esta questão seria necessário saber a taxa de juro média paga neste tipo de empréstimos. Se o roll over da dívida continuar a ser realizado a taxas semenlhantes, tal vai-se reflectir nos custos financeiros dos bancos e na sua rendibilidade dos capitais, entrando-se num circulo vicioso...

Venda de activos, diversificação do funding e sobretudo, em minha opinião, pressão sobre o estado português para reaver empréstimos concedidos como acontece com empresas públicas, empresas municipais podem mitigar este efeito. Se o estado português recomprasse a sua dívida que está no balanço dos bancos seria uma grande ajuda, já que as garantias parecem ter um efeito residual.
Foi divulgado recentemente um artigo que investiga a relevância da informação divulgada nas notações de crédito. Os autores (Jens Hilscher e Wilson) inferem acerca da capacidade das agências de rating anteciparem possíveis falências. Os autores verificam que a probabilidade de falência de uma empresa depende sobretudo da conjuntura económica (systematic risk of default). Já os ratings parecem apresentar uma fraca capacidade de prever falências de empresas. Enquanto indicador, os ratings apresentam uma capacidade explicativa inferior à da evolução dos preços dos CDS, que se ajustam mais rapidamente à nova conjuntura de mercado.
http://www.brandeis.edu/departments/economics/RePEc/brd/doc/Brandeis_WP31.pdf

terça-feira, 19 de julho de 2011

Aumento do número de casas entregues à banca

Segundo o DE assistiu-se ao longo do último ano a um aumento das casas entregues à banca por contrapartida da liquidação dos respectivos empréstimos hipotecários. Foram entregues 3060 imóveis.

O que o artigo do DE não refere é a percentagem dos imóveis entregues cujo valor não excede o valor dos empréstimos.

No caso dos países anglo-saxonicos (UK), os credores podem entregar os imóveis hipotecados obtendo em contrapartida a liquidação dos empréstimos. Isto significa que os proprietários têm uma opção de venda do imóvel em que o preço de exercício iguala o valor do montante em dívida.

Se tal fosse possível em Portugal como iriam reagir os proprietários com empréstimos hipotecários? Será que os proprietários que viram as suas casas desvalorizar para um valor inferior ao valor do empréstimo optariam por esta solução?

Mais sites interessantes acerca de avaliação de derivados e produtos financeiros complexos

Os sites abaixo também contêm informação interessante para a avaliação
de produtos estruturados, designadamente código fonte. Código para
modelos de volatilidade estocástica como o modelo de Heston ou o
Variance Gamma Model podem ser encontrados nos dois primeiros sites.
No terceiro site é possível ainda encontrar ligações a outros sites de
referência.Soma-se ainda código fonte para métodos numéricos como
integração numérica, diferenças finitas e simulações de Monte Carlo.

http://www.axelvogt.de/axalom/
http://www.rnfc.org/rhapsody/quant/
http://www.mathfinance.cn/category/vba/

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social

De acordo com o Jornal de Negócios o Fundo de Estabilização Financeira
da Segurança Social registou em Maio uma rentabilidade homóloga de
-7,41%. Acresce que as perdas potenciais seriam de 19,95% se fossem
vendidos os quase de 4,37 mil milhões que o fundo tem em títulos de
dívida portuguesa.
Não se trata de preconceito ideológico, mas é certo que a gestão das
pensões não tem sido realizada de uma forma eficaz ou mesmo
equitativa. O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social
foi criado com o objectivo de acomodar o impacto do envelhecimento da
população nas contas da Segurança Social. De facto, existe um
desajustamento entre o valor das pensões a pagar no futuro e o valor
presente das contribuições sociais.
Nos últimos meses, o referido fundo obedeceu a directrizes políticas
em vez de seguir critérios económicos ao colocar "demasiados ovos no
mesmo cesto", investindo em demasia em dívida pública portuguesa. A
diversificação dos investimentos para reduzir o risco idiossincrático
português teria atenuado estas perdas. Daí que se a gestão do Fundo de
Estabilização Financeira da Segurança Social fosse independente do
poder político teria reduzido a sua exposição à dívida pública
portuguesa durante o último ano e meio.
Será seguro colocar as nossas poupanças nas mãos dos políticos? Não
deveríamos ao invés optar por uma gestão menos discricionária e mais
focada numa lógica de capitalização em que os esforços individuais
fossem mais compensadores?

Metodologias de cálculo para produtos financeiros complexos

Nos próximos dias iriei abrir neste blog uma página dedicada a
metodologias de avaliação de produtos financeiros complexos, com links
para outras páginas que a meu ver, detêm conteúdos interessantes.
Entre as mais interessantes surge a página de Paul Willmott. A sua
página contém além de artigos e materiais didáticos, um fórum onde é
possível aos internautas a exposição das suas dúvidas a outros
participantes no fórum, bem como a leitura de dúvidas e respostas colocadas anteriormente
e alojadas no website. Mais ainda, o site tem
um secção de empregos para Quant Analysts, o que para quem tem as
necessárias habilitações poderá ser interessante.
Site Geral:
http://www.wilmott.com/

Empregos:
http://www.wilmott.com/categories.cfm?catid=5

O QuantCode é um site alternativo ao site de Paul Wilmott. Também
contém ofertas de emprego na área financeira, alguns fóruns e alguns
exemplos de avaliação de derivados a partir de código Vba, Matlab e
C++.
http://www.quantcode.com/

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A contabilização do crédito mal-parado em Portugal

O crédito mal-parado (Non-Performing Loans) é composto pelo conjunto de empréstimos em incumprimento ou perto de o estarem. Regra geral, considera-se que crédito mal-parado quando o incumprimento dura à mais de 90 dias.

Em Portugal, e contrariamente ao que sucede noutros países, apenas era contabilizado como crédito mal parado os juros ou nocional em atraso e não a totalidade do empréstimo como sucede nos outros países.

Daí que seja de esperar que com a alteração de metodologia imposta pela troika se assista a um aumento dos valores contabilizados nesta rubrica.

Para mais informação pode ser consultada a seguinte notícia da Morninstar:

http://www.morningstar.co.uk/uk/markets/newsfeeditem.aspx?id=148573656356219

NPL: Comparação de Portugal com outros países


Os gráficos acima revelam que o crédito mal-parado em Portugal é baixo por comparação com outros países como a Irlanda, Espanha ou Itália. Porém, é importante notar que esta rubrica não é contabilizada de todos os países de modo idêntico, o que significa que, poderá não ser adequado fazer comparações internacionais como vai ser explicado de seguida.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Incumprimento no sistema bancário

O incumprimento do crédito dos particulares teve um crescimento
notório nos últimos anos. Tendo por base 2006, os créditos e juros vencidos quase
duplicaram quer em percentagem do crédito total concedido a clientes,
quer em percentagem dos activos. Esse aumento foi ainda mais acentuado entre
as empresas não financeiras atingindo em 2010 cerca de 4,7% de crédito
mal parado.
Seria interessante a comparação com os nossos pares europeus. Procurarei em devido tempo essa informação com a finalidade de a trazer para este Blog. Caso haja
interesse nestas séries podem enviar-me um e-mail.

Evolução dos empréstimos concedidos pela banca portuguesa

Depois do post de ontem dedicado à banca portuguesa, escrevo um novo
dedicado à mesma temática. Os bancos portugueses têm sido sujeitos a
uma forte pressão no que concerne à obtenção de financiamento. A
informação estatística proveniente do Banco de Portugal mostra que
estes agentes têm sido bem sucedidos nessa função, pese as
dificuldades crescentes.
Ora vejamos, mesmo com as dificuldades crescentes para a obtenção de
funding nos últimos três anos, o valor dos empréstimos concedidos
continuou a crescer.
Chegará com o plano de austeridade da troika a necessária
desalavancagem da economia portuguesa? É bastante provável assistir-se
a esse fenómeno, restando saber como vai reagir a economia portuguesa,
tão dependente deste modo de financiamento.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Rácios de Capital Tier 1 em Portugal

O rácio de capital TIER 1 traduz-se no rácio entre os capitais próprios core do banco (capitais próprios, reservas, acções preferenciais não resgatáveis, etc) e os activos ponderados pelo risco de crédito.
Os activos poderados pelo risco são a totalidade dos activos detidos pelo banco, ponderados por risco de crédito de acordo com pesos fornecidos pelo regulador (usualmente, o banco central do país). A maioria dos bancos centrais segue as orientações emitidas pelo Bank of International Settlements (BIS) por forma a atribuir pesos aos diferentes activos. Activos como dinheiro geralmente têm um peso zero, enquanto empréstimos sem colateral podem ter um peso de 100%.
Capitais Próprios =
Acções ordinárias emitidas e em circulação
+ Acções Preferenciais não remíveis e não cumulativas
Core Capital = Capitais Próprios + Reservas Declaradas
Tier One =
Core Capital
– Goodwill
- Interesses minoritários (em participadas que não sejam detidas maioritariamente)
Rácio Tier One = Tier One Capital / Risco Ponderado dos Activos
 O gráfico anexo permite identificar o crescimento contínuo deste rácio durante os últimos anos entre os bancos portugueses.